Maria José tem 75 anos e mora no pátio da Villa Dorothea, na Madragoa, há 53. A idade não a impede de gostar “muito” das marchas do bairro onde nasceu.

Nunca entrou em nenhuma: “A minha mãe não me deixou”. Já o marido, entretanto falecido, “não se interessava muito pelas marchas”. Mas Maria adorava, e “até ia atrás delas”. Outros tempos, como no pátio onde reside: “Era um sítio com tanta gente, havia 31 caixas de correio.

Agora somos três mulheres e os filhos”. Antes “era um lugar  alegre, com muita ‘canalha’ (crianças). Gostávamos muito uns dos outros, convivíamos bastante”. Agora Maria está mais caseira. “Antigamente gostava de passear na Ribeira, onde fui vendedora de peixe. No tempo em que trabalhava, às três da manhã já lá estava”. Mesmo assim, ainda vai à ginástica, duas vezes por semana, através da Junta de Freguesia, num espaço “na rua do Quelhas, onde era a Mocidade Portuguesa. Faz-me bem”. Ali no pátio, “vai haver obras. Vamos ter que sair todos. Não sabemos é para onde. A senhoria é que nos vai dizer o que temos que fazer”.