A freguesia com mais de 102 anos apenas conheceu três sedes. Armindo Fernandes, último presidente da Freguesia de Caneças antes da reorganização administrativa, contou ao Olhares de Lisboa todo o processo de aquisição e construção do novo espaço.

Inaugurado há oito anos, o novo edifício da sede da Junta de Caneças continua a ser “uma referência para a freguesia e população da vila”.

Quem o diz é Armindo Fernandes, antigo presidente desta autarquia e um dos principais percursores das novas instalações.

Como recorda, “a junta de freguesia, quando foi criada há 102 anos não tinha sede ou instalações. Ficou ‘sediada’ na casa do presidente de junta na altura”. Ou seja, “era lá que ele atendia os fregueses”.

Anos mais tarde, a sede passou a funcionar numa casa alugada, perto do Largo do Coreto. Contudo, segundo Armindo Fernandes, “não tinha dignidade que Caneças merecia”, com necessidade de atender um universo de 15 mil cidadãos.

“Não tínhamos espaço para trabalhar, nem para o executivo reunir”, lembra.

Foi aí que Armindo Fernandes, já presidente da junta, propôs à Câmara Municipal de Loures (ainda não tinha sido criado o concelho de Odivelas) a construção de uma nova sede com o apoio da autarquia.

Apesar de várias ideias e projetos, “nunca se conseguiu resolver”.

Mais tarde, o dirigente ficou a saber que a Câmara de Loures estava a pagar um aluguer de um espaço que não estava a ser utilizado, no qual chegou a funcionar a primeira escola de Caneças e a posterior delegação escolar, entretanto encerrada.

“Foi por volta do final dos anos 90. Antes da própria criação do concelho de Odivelas, já havia movimentações para ficarmos com este espaço. Mas foi já depois da fundação do município de Odivelas que, com o diretor municipal, entrei em negociação com os proprietários”.

Ainda que a transação tenha demorado algum tempo, o facto é que a junta de Caneças conseguiu adquirir o imóvel, por metade do preço previsto (45 mil contos à época), mas faltava agora um parceiro para fazer as obras necessárias. “O espaço era enorme e os custos para fazer as obras também”, afirma.

E acrescenta: “continuámos à procura de um parceiro e foi então que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) manifestou vontade em comprar ou alugar um espaço em Caneças”.

Foi nessa altura que Armindo Fernandes sugeriu à CGD partilhar o espaço: “entrámos em negociações e fizemos um acordo. Foi assim que nasceu esta obra”.

Como explica o autarca, “a acordo previa que a CGD faria as obras totais na parte que a instituição bancária iria ocupar e também toda a estrutura na parte da junta”.

Para compensar os gastos nas obras, o CDG descontaria todos os meses o valor da renda (2500 euros). Isto é o banco só voltará a pagar o arrendamento quando estiver tudo descontado. “Prevemos que ao final de 15 ou 16 anos a despesa estará paga. Já estamos há oito, faltam praticamente oito anos”.

No total, a CGD contribuí com 500 mil euros para as obras, enquanto que a Junta de Freguesia e Câmara Municipal de Odivelas cobriram os restantes 300 mil euros.

Na opinião de Armindo Fernandes, “a construção desta sede foi uma ótima medida”. Contudo, o ex-presidente lamenta a união de Caneças com Ramada numa única freguesia: “acabou por tirar um pouco de utilidade a esta casa e está agora subaproveitada”.

“Só não está completamente vazio porque assim não o queremos. Continuamos aqui a funcionar com as necessidades da população de Caneças. Mas o facto é que alguns serviços foram descentralizados”, sublinha.

Mas caso a decisão de separar novamente as duas freguesias venha a ser uma realidade no futuro, Armindo  Fernandes garante que “a sede está preparada para o efeito”.

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