Dos 10 aos 70 anos, os elementos desta associação vão animando festas e as ruas da Vertente Sul com os bombos que eles próprios construíram. Fundada em 2010, a Arrufarte já é reconhecida para lá das fronteiras do concelho.

Passaram-se apenas sete anos desde a sua fundação, mas o trabalho local desenvolvido pela Associação Cultural e Recreativa – Arrufarte é já reconhecido por quase todos no concelho de Odivelas.

Fundador do projeto em outubro de 2010, Izidro Miguel fala-nos de uma ideia de “tirar os miúdos da rua” lá na Serra da Luz, ocupando os seus tempos livres.

Na altura, a associação  sem fins lucrativos criada pelos moradores na Vertente Sul, ou por pessoas com atividade nesses bairros, tinha o propósito de construir “um grupo que interviesse no bairro, junto da população”. Mas também para que “o bairro não se fechasse nele próprio”.

Como lembra o responsável, na área habita uma população multirracial. E é também essa diversidade social e cultural que traz algo de especial à dinâmica desta associação.

A música acaba por ser o elo de ligação entre todos. Com os seus bombos, a Arrufarte vai ensinando a jovens e menos jovens as artes das percussões, com uma característica importante: a associação constrói de forma artesanal todos os bombos que utiliza e curte as suas peles.

Esta é também, de alguma forma, um veículo de divulgação da música tradicional portuguesa.

A captação de novos elementos é também uma constante. Tal como revela Izidro Miguel, a banda da Arrufarte tem 16 elementos: seis jovens entre os 10 e os 14 anos, e dez adultos, entre os 30 e os 70 anos.

Mas não é só de bombos que se faz a missão da Arrufarte.

Para além de organizar todos os anos, na Serra da Luz, o Arraial das Tradições, em parceria com a União de Freguesias da Pontinha e Famões, a associação tem promovido festas de Natal, como foi o caso na Escola António Gedeão, em 2016, e realiza todos os anos o magusto, distribuindo castanhas pela população.

Atualmente, e tal como revela Izidro Miguel, “a Arrufarte está a ser muito solicitada e já atuou em diversos locais da área metropolitana de Lisboa”.

Em relação aos apoios, o dirigente manifesta-se satisfeito: “por vezes, as pessoas dão-nos mais do que pedimos”.

Com a União de Freguesias da Pontinha e Famões, a associação tem uma relação profícua e essa junta tem “apoiado e colaborado” sempre que solicitada.

Izidro Miguel lamenta apenas que “a Câmara Municipal de Odivelas não seja uma autarquia de cultura”. Para o presidente da associação, “devia ter outra ação cultural neste bairro”.


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