“Dos fracos não reza a história”

“Para se ser íntegro não é necessário colaborar com a maldade e a estupidez dos outros”.

Antes de mais permitam apresentar-me como sendo Joaquim Guerreiro. Sim. Aquele que foi acusado de ter burlado quatro bairros de Lisboa no valor total de 108.000 euros e de ter fugido para o Chipre, mas que afinal se veio a descobrir que era treta, permitindo no meio do barulho (como quase sempre) haver quem amealhasse umas massas ou beneficiasse da situação.

Para além de criatividade invulgar tenho também um humor particularmente inteligente, o que fará com que poucos o entendam.

Nas crónicas que me proponho escrever, pretendo que a imaginação e o humor prevaleçam, mas que a realidade venha bem espelhada aos olhos de toda a gente. Não ofenderei ninguém, por não ser do meu carácter, mas não poderei deixar de chamar a atenção a algumas verdades que incomodarão certamente alguns egos (temos pena).

Oscilarei entre aspetos que incidem sobre o espetáculo em questões de organização e regulamento, mecânicas, criatividade e relações humanas, mas viajarei também pelas minhas experiências como indivíduo (aquele que tem o seu próprio olhar e não se presta a vassalagem ou a fretes) pelas coletividades onde passei.

Evidentemente levantarei também muitas vezes o véu sobre a minha suposta fuga para a China e todas as suas implicações e desenvolvimentos.

Para começar, gostaria de parabenizar todos os criativos que ano após ano colaboram nesta difícil tarefa que é organizar as Marchas Populares de Lisboa, muito em particular os meus colegas da disciplina de figurinos por ser aí que maior contacto popular é requerido (sabemos bem pelo que passamos e acho que entenderão ao que me refiro. Afinal de contas o que é popular corre muitas vezes o risco de se tornar extraordinário)

Para além de ameaças de morte e coerção, já me chamaram entre nomes mais impróprios, de: Papa marchas, Zé da lota, Maria da Luz, Pêro Martins e de acordo com a Vox populi: aldrabão, drogado, agarrado, Burlão e Cubano sendo que neste ultimo caso me foi sugerido a atividade de prostituição em vez de figurinista (para a próxima vez, em vez de ir ao Chipre vou a Cuba para ver se compensa o “metier”).

Também já me apelidaram de “o special one dos figurinos”, titulo que, apesar de irónico, me agrada particularmente por ter raça e ter gage, e ainda “O novo Mourinho das marchas”, que revela uma grande falta de imaginação e me faz vir à ideia um antigo armário cheio de traças e trapos glamorosos de teatro de revista, entre as quais lantejoulas com cheiro a mofo e naftalina).

Para além do mais, acredito ter já visto a minha vida particular invadida e pressionada por acções que manifestamente considero ser resultantes de “abuso de poder ou autoridade”.

Assinarei as crónicas com o pseudónimo de Zé da Lota, nome sob o qual colaborei em 2011 com muitíssimo agrado e empenho com a colectividade organizadora da marcha de um maravilhoso bairro, ano em que ficaram em terceiro lugar com prémio de musicalidade e em que, pro bono e gratuitamente, tive o prazer de compor as musicas e as letras originais e ainda desenhar e executar os figurinos e a cenografia.

É muito importante salientar, que os problemas mais graves que tenho tido nas marchas populares, resultam acima de tudo da relação que se estabeleceu com as direções (ou ausência delas) que se encontravam responsáveis nos anos em que fui contratado para a execução dos trabalhos, e muitíssimo poucas vezes com os marchantes ou com os bairros em questão.

Deverei frisar que ao longo destes dez anos criei alguns laços de amizade e simpatia com muitos marchantes e habitantes dos bairros, e até mesmo com alguns elementos de algumas direções, mas que algumas delas não refletem de forma alguma a honestidade e simpatia do bairro, da marcha e dos marchantes que representam.

Devo ainda dizer que tenho conhecimento que situações idênticas ás minhas se passaram já com alguns colegas meus, mas infelizmente, por receio de retaliações, acabaram por não se manifestar, sendo eu o primeiro a vir a publico expor os problemas com que todos nós nos defrontamos.

Incumprimentos contratuais, faltas de palavra, faltas de educação, insultos, ameaças e até mentiras descaradas e evidentes, tentando-se a todo o custo que a opinião de terceiros seja sempre contra os prestadores de serviços, é aquilo a que eu e alguns dos meus colegas temos estado sujeitos, sendo que felizmente me parece que muita gente começa já a abrir a pestana.

O que é interessante naquilo que tenho a relatar, resulta do facto de, para além de haver quem não queira que eu o faça por inconveniência pessoal, ser eu ainda o criativo que mais prémios individuais arrecadou na ultima década, ser a única pessoa que em aproximadamente 30 anos foi chamada para substituir em ativo aquele a quem poderá ser chamado “o Mourinho das marchas” e ter dado cartas de estar acima das suas qualidades nas disciplinas que me foram incumbidas ainda que sem cunhas.

Mas, como nem tudo são rosas, existem também informações falsas a meu respeito que chegaram a altura de serem esclarecidas publicamente não só através destas crónicas a que me proponho, mas também, e tal como alguém disse publicamente em reunião da EGEAC: “ - Relativamente à questão Joaquim Guerreiro, tudo ficará esclarecido em tribunal”.

Para terminar, e de acordo com o dito anteriormente, gostaria de esclarecer que foi proferido despacho de arquivamento, por parte do Ministério Público, à acusação feita por uma tal senhora contra mim, por falta de provas e fundamentos e que, o motivo que levou à suspeita da minha fuga para o Brasil está em investigação criminal tal como o assalto e vandalismo ao meu local de trabalho, sendo que me parece que alguns dos suspeitos criminosos responsáveis pela dita fuga terão já admitido a sua culpa.

Para que situações deste género não se tornem a passar comigo nem com nenhum dos meus colegas, deixarei algumas sugestões, para além de outras coisas interessantes, na crónica numero 2: “Cláusulas limitativas e de responsabilidade contratual (coisas que a vida nos vai ensinando)”.

Até lá…Hasta la vista, Baby!

Nota: O texto aqui publicado é independente da linha editorial de "Olhares de Lisboa" e de inteira responsabilidade do seu autor.

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