Vão ser 165 os novos autocarros que a Carris vai colocar a circular nas ruas de Lisboa até ao final do primeiro trimestre de 2019. Mas os primeiros 100 vão estar disponíveis ainda durante este ano, com a particularidade de se moverem a gás natural comprimido.

Estas foram algumas das novidades divulgadas pela empresa rodoviária numa altura em que se assinala o primeiro ano da passagem da Carris para a gestão municipal.

Os restantes 65 autocarros, previstos para o próximo ano, serão 100% elétricos. No total, estas aquisições representam 25% da frota total de autocarros.

Segundo Tiago Farias, “desde 2010 que a Carris não adquiria qualquer viatura”. De acordo com o presidente da transportadora, a empresa tinha mesmo perdido 100 autocarros nos últimos seis anos. O administrador garante ainda que haverá em breve possibilidade de se contratar mais motoristas, guarda-freios e técnicos para a empresa. Mais de 120 já foram contratados. Esperam-se ainda mais 250 até ao final de 2018.

Tiago Farias lembra que “este foi um ano marcante, que marcou o início de uma profunda renovação”. Contrariando “declínio na oferta e da procura, o responsável afirma que se “devolveu a Carris à cidade de Lisboa”.

Já Fernando Medina entende que “esses anos ficaram para trás”. Para o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, “a Carris está a servir melhor Lisboa”.

Isto porque, segundo o autarca, “cresceu 4,3%” em números de passageiros no último trimestre e, se mantiver o ritmo, “terá cerca de 5 a 6 milhões a mais de passageiros (do que em 2017) até ao final do ano”.

O socialista justifica estes números com o sucesso de uma viragem da orientação política”.

Fernando Medina refere ainda que esta “é a recompensa por se fazer diferente”, mas também por se ter “convicção no serviço público”.

Também presente na cerimónia de formalização da aquisição dos autocarros, o Ministro do Ambiente relembrou que, antes da entrada da Câmara de Lisboa como acionista maioritária da Carris, a empresa foi alvo de “destruição do serviço público”. João Matos Fernandes disse ainda que “tentaram secar esta empresa, prejudicando as pessoas e a cidade”.

NOVO SISTEMA
Para além do anúncio da compra dos novos autocarros, a Carris e a Câmara Municipal de Lisboa demonstraram aos jornalistas o novo sistema de semaforização prioritário.

Esta ferramenta permite que os autocarros possam desbloquear os semáforos para que estes passem a verde em caso de atraso. Os sensores nos semáforos vão então reconhecer os autocarros que estão atrasados.

De acordo com Fernando Medina, o ganho poderá chegar aos quatro minutos.
Para já, estão em fase de teste a carreira que liga o Cais do Sodré a Odivelas (736), e o autocarro 783, que faz o percurso entre o Prior Velho e as Amoreiras.

Para além deste novo sistema de semaforização prioritário, o presidente da câmara lisboeta garante que, em 2018, vão ser implementadas mais faixas “BUS”.

O autarca confirmou também o alargamento do elétrico até Santa Apolónia, que depois será prolongado mais tarde até ao Parque das Nações.

UTENTES “DESCONTENTES”

No entanto, os utentes da Carris afirmam que “não houve grandes melhorias” no serviço prestado. Na perspetiva de Cecília Sales, porta-voz da Comissão de Utentes dos Transportes Públicos de Lisboa, o serviço da Carris estava “de tal maneira degradado” que “agora é mais difícil a recuperação”, processo que se prevê que demore “alguns anos”.

“Mas até agora não estamos a ver nada, continua o mesmo pandemónio dos autocarros demorarem”, apontou a representante dos utentes, em declarações à agência Lusa, afirmando que é preciso “mais investimento” na frota e na contratação de motoristas.

Para a comissão de utentes, a municipalização da Carris foi uma “má decisão”, porque os serviços públicos devem ser “sempre da responsabilidade do Estado”.

“Mas já que está decidido, ao menos que consigam solucionar alguns problemas que vêm de trás, e sabemos que vêm de trás dos anteriores Governos que deixaram degradar as empresas públicas”, declarou Cecília Sales, indicando como principais problemas da rodoviária a eliminação de carreiras, os tempos de espera e o preço dos passes que são “caríssimos”.

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