São 120 anos ao serviço da população de Odivelas. A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Odivelas é a 13ª mais antiga do distrito de Lisboa.Uma história de peso que dá uma maior sentido de responsabilidade a Eugénio Marques.
Há doze anos como presidente da associação humanitária, Eugénio Marques tem no entanto mais de vinte anos de casa, tendo passado pela assembleia geral da instituição.

Ao Olhares de Lisboa, o presidente fala de uma região de Odivelas que sofreu uma grande transformação, facto que também não ficou desligado da evolução e adaptação do trabalho dos bombeiros, tanto voluntários como profissionais.

Como explica, “o concelho de Odivelas é muito habitacional e as redes viárias aumentaram de sobremaneira”, numa altura em que a corporação serve cinco das anteriores sete freguesias que o município tinha antes da reorganização administrativa que levou à união de freguesias.

Neste sentido, sublinha que “os fogos florestais acabam por ter uma percentagem reduzida na atividade da nossa corporação: a emergência médica é mais prevalente”.

Atualmente, os bombeiros de Odivelas são o segundo corpo do país a fazer mais emergência médica. “Só a Amadora faz mais emergência do que nós”, revela Eugénio Marques.

“Nós fazemos uma média de mil serviços por mês de emergência médica, serviços esses pagos pelo INEM”, acrescenta, salientando que “Odivelas é reconhecida a nível nacional também por esses motivos”.

Outra das atividades desta associação humanitária é o transporte de doentes. Mas aqui, o dirigente considera que a tarefa deveria ser entregue a empresas.

“A associação humanitária de Odivelas foi provavelmente a última associação do país a estabelecer o acordo com a Administração Regional de Saúde (ARS) para o transporte de doentes”, diz. Contudo, “nós, enquanto direção, sempre defendemos que este não era um serviço que devia ser dos bombeiros”.

Isto porque “os bombeiros formam treinados e formados para outras situações, não para serviço de táxi na rua”.

Na opinião de Eugénio Marques, “perdem-se qualidades e complica-se a gestão dos recursos humanos”, para além que “nas zonas urbanas, o serviço não é muito rentável. Do mal o menos: “agora Odivelas já tem muitos mais centros de tratamento de doentes do que antigamente. Éramos obrigados a transportar os doentes quase sempre para Lisboa”.

ASSOCIAÇÃO QUER MAIS SÓCIOS

Com mais de 120 voluntários e 57 profissionais, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Odivelas é “uma dos maiores empregadores do concelho”. Disso, o presidente não tem dúvidas.

“Vaidades à parte, somos uma das referências do concelho de Odivelas. Pelo serviço que prestamos, pela dignidade que prestamos ao serviço e pela formação que incutimos aos nossos homens para dar apoio à sociedade”.

E adianta: “temos um orçamento que ronda os 1,3 milhões de euros anuais, que exige muito trabalho, não só à direção, como a todos os bombeiros”.

Um dos segredos do sucesso é a relação extremamente próxima entre o corpo de bombeiros e a parte associativa, “que tem mesmo de funcionar”.

Mas o facto é que, sempre que se inicia um novo ano, “a associação nunca sabe como irá obter essa verba anual”.

“A única verba que nós temos garantida é que a Câmara Municipal de Odivelas nos atribui para pagamento da água, eletricidade, os seguros das viaturas e para a comparticipação de 17 funcionários, os chamados piquetes de primeira intervenção, que estão no quartel a toda a hora para qualquer emergência que aconteça no concelho”, elenca Eugénio Marques.

A autarquia também atribui uma verba de 100 mil euros de três em três anos, que a associação aproveita para canalizar para viaturas ou equipamentos.

Por outro lado, existe algum apoio das juntas de freguesia, contributos diretos de empresários do concelho e ainda o retorno de alguns peditórios que a associação vai promovendo.

Outra forma de receita é também a inscrição como sócio. O presidente da associação lamenta uma adesão cada vez menos frequente.
“Com 80 a 90 mil habitantes que servimos, não chegamos aos cinco mil sócios. Antigamente era mais fácil ter sócios. Os mais novos não estão a aderir tanto. Temos muita gente a dar o seu tempo e penso que 70 a 80 por cento da população poderia ser sócia dos bombeiros. São apenas 15 euros por ano e era uma grande ajuda”, apela.

ESPÍRITO DE MISSÃO

Conquistar mais pessoas para esta causa é um missão diária para qualquer corporação de bombeiros. A de Odivelas não fica atrás.
“Antigamente, isto nascia muito com a família. O pai era bombeiro, o tio, o avô. Chegámos a ter, e ainda temos, famílias completas”, relata Eugénio Marques.
Segundo o dirigente, “a formação é fundamental, tanto para voluntários como para profissionais. E já que os deveres perante a Escola Nacional de Bombeiros é a mesma, a formação é igual”.
O presidente dá também conta do início de uma mudança de paradigma: “antigamente, os bombeiros voluntários eram, na sua profissão principal, provenientes de empregos com alguma exigência física. Agora vemos já uma adesão de gente com outra formação, tais como enfermeiros, psicólogos, arquitetos ou engenheiros”.
E adianta: “todos os profissionais desta casa nasceram do corpo dos voluntários. Muito dificilmente iremos contratar fora. Até hoje foi assim. É uma questão de formação, respeito. O corpo de bombeiros para eles é tudo”.

Os meios

Com uma “população é cada vez mais exigente”, Eugénio Marques defende que “os bombeiros de Odivelas dão todo o apoio possível”.
Para isso, a corporação está equipada com uma frota que considera “relativamente boa”.
“Temos 14 ambulâncias, uma auto-escada (única no concelho), um aparelho de desencarceramento que nos custou 400 mil euros e ainda sete viaturas de fogo urbano e florestal”.
No futuro, o principal objetivo do presidente da associação é “manter uma gestão rigorosa”.
Até lá, Eugénio Marque tem um sonho: “ser o presidente da associação no 125º aniversário”. Depois disso, espera deixar a casa como recebeu.

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