A cidade de Lisboa deve capitalizar o bom momento para definir as alterações estruturais que a capital necessita para o futuro. A ideia foi transmitida por Fernando Medina durante um almoço da Câmara de Comércio Americana em Portugal, no qual foi orador convidado.

Para o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, “é necessário ter clarividência estratégica”. A mobilidade, a coesão social, o equilíbrio entre turistas e residentes, e a produção e captação de talento são alguns dos pilares para um crescimento sustentável da cidade.

O autarca lembrou que Lisboa está a viver “um momento excecional e de transformação”, numa altura em que “a cidade passou a integrar a pequena liga das grandes capitais globais do mundo”.

E acrescenta: “esta mudança tem um profundo significado, porque Lisboa deixou de ser só a capital de um pequeno país europeu. A nível internacional, a ser falada, discutida e equacionada como ponto de investimento, atração de residência e de emprego, realização de atividades, de visita, como estão outras capitais do mundo. Lisboa mudou de divisão”.

No entender do socialista, “a missão agora é continuar a crescer nesta liga e não voltar para trás, assegurando os equilíbrios para que este crescimento seja sustentável a médio e longo prazo”.

E o turismo “tem sido o grande motor da cidade de Lisboa”, diz. “É um setor que, só em Lisboa, tem um volume de vendas de cerca de 6 mil milhões de euros, o que vale três vezes a Autoeuropa”.

Contudo, esta transformação obriga à necessário de se adaptar, “desde logo no que diz respeito à provisão de infraestuturas básicas, como os serviços de transportes ou higiene urbana”.

Mas também em matérias mais sensíveis, “como a compatibilidade dos direitos de vida dos residentes com os turistas e a proteção da autenticidade dos bairros históricos e da própria cidade”.

Fernando Medina destacou ainda “a importância que tem toda a economia de base local, que serve de sustento a toda esta economia transacionável que a cidade hoje apresenta”.

Para acompanhar este ritmo, é necessário responder aos desafios. “Temos de aumentar a oferta da área de escritórios na cidade de Lisboa. A escassez na oferta é um obstáculo ao emprego qualificado na cidade.

Uma grande empresa que se queira instalar em Lisboa enfrenta um problema que é encontrar escritórios em quantidade, a preços razoáveis, para poder ter a sua atividade”.

Isto porque, tal como sublinha Fernando Medina, “e ao contrário de há uns anos, hoje há uma preferência muito clara pelo emprego no centro da área metropolitana. Tem a ver com qualidade de vida, com a proximidade aos serviços, restauração, entre outros”.

PROJETOS
O presidente da autarquia lisboeta falou ainda de vários projetos que vão avançar em breve ou até ao final do mandato. “Os benefícios do investimento no espaço público nos últimos anos não se refletem só na estética, são benefícios na qualidade de vida, na valorização patrimonial. O investimento no espaço vai continuar. Vamos continuar a intervenção na frente ribeirinha e abrir o Campo das Cebolas nas próximas semanas”.

Tal como explica o edil, “ficará a faltar a recuperação da zona entre o Terreiro do Paço e o Campo das Cebolas, com a revitalização de toda a frente da Doca da Marinha e depois até a Santa Apolónia”.

Ou seja, “vai ser possível ir a pé do Terminal de Cruzeiros até à Praça do Comércio, numa via pedonal larga e acessível e confortável, mudando a forma como essa zona se relaciona com o rio”.

O segundo grande projeto anunciado durante este evento foi o a Praça de Espanha. “Vamos passar a ter um verdadeiro jardim de larga extensão, possível através da ligação direta da Avenida António Augusto Aguiar com a Avenida dos Combatentes, e da Avenida de Berna com a Avenida Calouste Gulbenkian”.

Para o fim, Fernando Medina lembrou os convidados da importância da coesão social: “ou as sociedades apresentam níveis elevados de coesão ou essa falta vai ser um adversário do crescimento económico”.

E sustenta: “quando nós temos bairros de Lisboa em que 30% das crianças não terminam o ensino secundário, nós estamos a comprometer a nossa base de desenvolvimento e estamos a hipotecar a nossa capacidade de formação de talentos”.

“Se não lidarmos adequadamente com fenómenos de exclusão, e felizmente não temos tido esse problema, nós vamos sofrer nos indicadores dos níveis de segurança”, conclui o autarca.

O que é a Câmara de Comércio Americana?

Representar e defender os interesses das empresas Americanas sediadas em Portugal e promover o comércio e o Investimento entre os dois lados do Atlântico são alguns dos objetivos da Câmara de Comércio Americana em Portugal.

Criada em 1951, a Câmara de Comércio tem vindo a promover um melhor entendimento entre Portugal e os EUA, atuando como uma plataforma de desenvolvimento do negócio dos seus sócios.

A Câmara de Comércio Americana em Portugal é uma Associação Empresarial sem fins lucrativos e independente e está sediada na zona da Estefânia, em Lisboa.

Com cerca de 300 sócios, a associação declara-se como “uma instituição relevante no contexto da sociedade portuguesa, exercendo um papel ativo na diplomacia económica”.

A missão passa por dinamizar as relações comerciais entre os EUA e Portugal, bem como entre sócios e outros agentes, cooperar com diferentes organismos públicos e privados, promover empresas sócias e Incentivar a inovação e a internacionalização.