O Ginásio do Alto do Pina e a Junta de Freguesia da Penha de França no seio de uma polémica sobre a organização da Marcha do Alto do Pina.

Segundo afirma o presidente da coletividade, Marco Campos, nas redes sociais, a junta de freguesia “acaba de assumir a forte vontade de fechar portas do clube” e por “fim à Marcha do Alto do Pina”.

Isto porque, segundo Marco Campos, a junta pretende apoiar apenas uma marcha no concurso de junho de 2018, precisamente a Marcha da Penha de França.

Nos últimos anos, o Ginásio do Alto do Pina tem vindo a confrontar-se com vários problemas, principalmente no que diz respeito à sede da coletividade, que se encontra “em precário estado de conservação, em condições insalubres e a ameaçar a derrocada”.

O clube considera que a junta de freguesia não tem dado o apoio adequado nos últimos anos nesta matéria.

Em declarações ao Olhares de Lisboa, Marco Campos diz que tem solicitado ajuda à junta mas que esta “não responde”. O presidente do Ginásio do Alto do Pina afirma que os “abandonaram por completo”.

O dirigente lamenta: “se não houver coletividade, a marcha acaba”. E acrescenta: “cremos que a junta quer acabar com o clube”.

O Ginásio do Alto do Pina acabou de comemorar o 106 aniversário, numa cerimónia a que faltaram os representantes da Junta de Freguesia da Penha de França.

Entretanto, a coletividade lançou uma petição online. O objetivo é recolher assinaturas suficientes para que o assunto possa ser debatido na Assembleia Municipal de Lisboa.

O antigo presidente do Ginásio do Alto do Pina é um dos primeiros subscritores. Ao nosso jornal, Pedro de Jesus esclarece que o pretendido é simples: “que a Câmara de Lisboa concretize o que já foi atribuído há mais de dez anos, um espaço temporário para a coletividade”.

Pedro de Jesus adianta que a junta de freguesia, embora não tenha tomado oficialmente qualquer posição, “tem tido uma atitude passiva”.

Nos últimos dias, o Ginásio do Alto do Pina tem recebido manifestações de apoio de ex-autarcas e de algumas marchas. Tal como a direção do Sporting Clube da Penha, organizadora da Marcha da Penha de França, que manifestou publicamente solidariedade com o clube centenário e com a sua marcha.

“Esta direção demarca-se por completo e com veemência de qualquer diferendo entre o Ginásio do Alto do Pina e a Junta de Freguesia. O que nos move é única e simplesmente a vontade enorme de dignificar, o nome do Bairro de o dinamizar numa atividade de excelência cultural que são as Marchas de Lisboa e de ter uma sã e salutar convivência entre todas as coletividades e Marchas de Lisboa, em especial com aqueles que nos são mais próximos”, sublinha o  Sporting Clube da Penha em comunicado.

E acrescenta: “A Marcha do Alto do Pina pela sua qualidade, tradição, alegria e bairrismo, deve continuar apresentar-se no concurso das Marchas Populares de Lisboa, a bem do Bairro, das Marchas e da Cidade de Lisboa”.

A Marcha do Alto do Pina foi das três primeiras a participar nas Marchas Populares de Lisboa, no ano de 1932. Venceu o concurso em 2011 e 2012.

Em 2011, o Ginásio do Alto do Pina foi agraciado pela Câmara Municipal de Lisboa com a Medalha de Mérito Municipal Grau Ouro e, em 2013, com a Declaração de Associação de Interesse Público Municipal.

O Olhares de Lisboa tentou nos últimos dias contactar a presidente de Junta de Freguesia da Penha de França, Ana Sofia Dias, mas até ao momento não foi prestado qualquer esclarecimento.

Foto galeria: Marcha do Alto do Pina 2005/2017

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