Ano de 2020 poderá trazer mudanças para os transportes rodoviários da Área Metropolitana de Lisboa. Os 18 concelhos da região pretendem um concurso público de concessão para criar uma marca única, que irá revolucionar o sistema de transportes.

O presidente da Área Metropolitana de Lisboa, Fernando Medina, anunciou a criação de uma empresa única de transportes em todos os concelhos, com a marca «Carris Metropolitana», que terá passes únicos com o custo máximo de 40 euros. As crianças até aos 12 anos não pagam transporte e, por família, o pagamento total máximo é de 80 euros (dois passes sociais) e, dentro do município de Lisboa, os passes vão custar no máximo de 30 euros.

Assim, na perspetiva dos autarcas, o ano de 2020 poderá ser de grandes mudanças para os transportes rodoviários da Área Metropolitana de Lisboa (AML), salientando que os 18 concelhos da região estão prestes a lançar um concurso público internacional de concessão do transporte rodoviário, tendo por vista reunir várias empresas numa só marca.

A nova empresa vai operar nos 18 concelhos da AML e vai centrar a bilhética e o tarifário, atualmente assumidos pela empresa OTLIS. Fernando Medina destacou que estas medidas, hoje aprovadas “por unanimidade e aclamação” pelos 18 presidentes das câmaras da AML, foram permitidas pela proposta de Orçamento do Estado para 2019, apresentada na segunda-feira.

O também presidente da Câmara de Lisboa, que falava na declaração final desta reunião que decorreu em Lisboa, revelou que, a partir de Abril de 2019, vai ser “criado um passe único de âmbito metropolitano, para que todos os cidadãos possam ter acesso a um título de transporte acessível, eficaz, para se deslocarem dentro das suas áreas metropolitanas”.

O passe único metropolitano deverá ser financiado pela criação de um Fundo de Mobilidade Metropolitana, assegurando a repartição das fontes de financiamento, no sentido de contribuir para que a mobilidade seja assegurada através do transporte púbico.

O presidente do órgão deliberativo da Área Metropolitana de Lisboa (AML) acrescentou que, nas propostas que estiveram em discussão, estava também a debate a definição do “programa de investimentos de médio prazo para que haja mais transporte público de qualidade acessível a todos”.

O autarca, considera ainda que “o sistema de autocarros é muito difícil para os utilizadores. São muitas companhias diferentes, milhares de passes, sistemas de informação que não estão coordenados e aplicações que não existem para permitir uma rápida e melhor escolha das pessoas”.

O concurso público, a ocorrer durante o próximo ano, prevê um processo de sondagem e consulta de mercado durante as próximas semanas que irá determinar quais são as marcas de transportes rodoviários mais adequadas para integrar a marca única pretendida.

Já para Carlos Humberto, presidente da câmara do Barreiro, «alargar o serviço de transporte rodoviário no número de carreiras, horários e dimensão territorial» são alguns dos principais objetivos dos 18 concelhos envolvidos na criação da marca única.

A concessão do transporte rodoviário na AML, embora possa ser feita em vários lotes, obrigará as empresas selecionadas a cumprir um mesmo conjunto de normas. Fernando Medina é claro: “Não é só uma marca que é única, os critérios de qualidade são os mesmos em todos os operadores das diferentes redes, a idade dos autocarros é a mesma, os requisitos da rede são os mesmos. Os autocarros são todos iguais, depois têm autocolantes muito pequenos em função do operador que os operar”.

A existência de marcas únicas de transportes é já uma prática comum noutros países europeus, sendo o caso de Espanha e de França, com os seus consórcios de transportes públicos que agregam os diferentes tipos de transportes públicos utilizados nas suas cidades.

Nota de redação: Noticia a desenvolver na edição impressa de Olhares de Lisboa, a 29 de outubro

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