O Bairro da Boavista está de volta às marchas populares. Depois da estreia atribulada em 2016, a Marcha da Boavista não conseguiu participar no concurso do ano passado, mas agora, em 2018, está tudo a postos para “defender o nome do bairro”. Quem o diz é Gilda Caldeira, principal responsável pela marcha e presidente da Associação de Moradores do Bairro da Boavista.

“Este ano, com a mesma carolice, lá estamos com muito orgulho, para que, de uma vez por todas, se acabe com o estigma de que nos bairros sociais só há mal”, afirma. Isto é, “quando as pessoas querem também sabem construir”.

A Associação de Moradores do Bairro da Boavista, ao contrário de 2016, tem tudo pronto para os grandes dias que se avizinham, tanto na Altice Arena, como na Avenida da Liberdade.

“O facto da Câmara Municipal de Lisboa ter atribuído o financiamento mais cedo também ajudou”, entende Gilda Caldeira.

Em sintonia está Anabela Rebelo. A secretária da associação revela que “este ano há uma maior abertura por parte da EGEAC”. Trata-se portanto de “uma grande ajuda para que se consiga concretizar mais cedo os ensaios”.

Anabela Rebelo já viveu fora da Boavista, mas defende que tem “dado tudo pelo bairro”. E pretende que este ano a Marcha da Boavista “suba à primeira divisão das marchas”. Para isso, marchantes, ensaiadores e coreógrafos tem vindo a preparar um tema que toca a boa vista que o bairro tem sobre a cidade, “um bairro que tem tudo e não tem nada”, como diz Anabela Rebelo.

ORGULHO DE MARCHANTE

Nascida e criada no bairro, Dora Geraldes vai participar nas marchas pela primeira vez. Em 2016 não houve essa hipótese mas agora vai concretizar “um sonho que ambicionava desde criança”.

Para a marchante, “os desfiles vão ser das melhores coisas da minha vida. Seja no Altice Arena, seja na avenida”.

Dora Geraldes apoia-se na confiança do marido, “que sempre me incentivou bastante”, mas também no “amor ao Bairro da Boavista”.

Este é um sentimento que une todos os marchantes. Mesmo os que já passaram por outras experiências. Tal como Leandro Silva. Este marchante está nestas andanças há 13 anos. Participou durante uma década na Marcha de Benfica e em 2017 na Marcha da Ajuda. Mas foi em 2016 que, com orgulho, integrou pela primeira vez a marcha do seu bairro, a Boavista.

Morador há 32 anos, ou seja, desde que nasceu, Leandro Silva fala da “honra e orgulho” que é fazer parte desta marcha: “adoro os ensaios, a camaradagem, é tudo uma família”.

O marchante admite que “a ambição e ansiedade é muita”, mas espera que “ganhe a melhor”.

Outra das participantes do concurso de 2016 foi Ana Clara Silva. Aos 60 aos, a marchante afirmou que “é com muito orgulho” que vê “estes miúdos ao pé de mim”.

Em uníssono com os restantes marchantes, Ana Clara Silva agradece “o apoio dos moradores” e destacou o papel fundamental do ensaiador para aquilo que poderá ser uma boa prestação no concurso deste ano.