Apesar das polémicas e críticas pouco deverá mudar nas Marchas de 2018, segundo a EGEAC

O “Olhares de Lisboa” quis ouvir a opinião da Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural de Lisboa (EGEAC), sobre as muitas polémicas e críticas que este ano rodeiam as Marchas de Lisboa. As respostas são pouco animadoras, baseiam-se nos regulamentos, augurando que, no próximo ano, pouco ou nada mudará nos desfiles populares.

OLHARES DE LISBOA – Todos os anos, marchantes de 20 coletividades realizam, durante vários meses, dezenas e dezenas de ensaios que culminam apenas em duas apresentações públicas, o que pode ser desmoralizador. O aumento anual dos desfiles não poderia também fidelizar a presença e continuidade dos marchantes?

EGEAC – As duas exibições de cada marcha, no MEO Arena e na Avenida da Liberdade, obedecem às regras do regulamento do concurso e, por isso, não podem ser alteradas. De resto, temos a convicção de que o aumento do número de exibições significaria um esforço acrescido para os marchantes que, todos os anos, abdicam da sua pouca disponibilidade, dia a dia, para participarem nesta iniciativa.

OL – Será possível prolongar no tempo as exibições, recorrendo a parcerias com outros municípios de Portugal e limítrofes, permitindo assim “saídas” de todas as marchas classificadas nesse ano?

EGEAC – Isso já acontece, em parte, através desta empresa municipal e, principalmente, dos próprios municípios que regularmente, após as Festas de Lisboa, convidam uma marcha para actuar na sua cidade.

OL – Outra das questões levantadas é a necessidade de um maior investimento na divulgação das exibições no Meo Arena, uma vez que há queixas de que o público presente é apenas o dos bairros participantes, sentindo-se a falta de outros públicos e do entusiasmo sentido na Avenida da Liberdade.

EGEAC – A divulgação das Marchas Populares na imprensa está integrada na das Festas de Lisboa, acontecimento anual, sempre muito mediatizado. De resto, as Marchas são referenciadas como um dos pontos altos das Festas, sendo sempre alvo de uma grande cobertura noticiosa, quer dos meios de comunicação locais, quer nacionais, incluindo televisões. Contudo, estas exibições não são comparáveis ao desfile na noite de Santo António, o dia por excelência de todos os festejos pelas ruas da cidade.

OL – Se os tempos de exibição forem ultrapassados as marchas são penalizadas, o que é muito criticado. Pondera a EGEAC, exibir publicamente o cronómetro, durante os desfiles e avaliação?

EGEAC – Os tempos de exibições estipulados constam do regulamento e são, naturalmente, iguais para cada marcha a concurso. São sempre verificados pelos cronometristas da organização. Quando se registam contestações, cada caso tem sido avaliado e respondido em conformidade com as condições do regulamento.

OL – A localização do corpo de jurados tem sido também criticada mas a EGEAC parece pretender defender o júri, nomeadamente de agressões físicas. Contudo o presidente do júri defende essa visibilidade, em nome da transparência. A EGEAC admite proceder a alguma alteração nesse sentido?

EGEAC – A perspetiva do Sr. Presidente do júri que referem não nos foi transmitida. Logo, aquilo que podemos dizer sobre o assunto é que, a haver alguma solicitação neste sentido, poderemos eventualmente reequacionar o posicionamento dos jurados, de acordo com as áreas disponíveis.

OL – As colectividades carecem de meios financeiros para, durante vários meses, prepararem as marchas. No entanto, os subsídios ás coletividades só chegaram em Maio. Tendo em conta, que as marchas populares são em Junho, o que impede que essas mesmas verbas cheguem mais cedo, ou pelo menos, sejam pagas em prestações? Isto levanta também outra questão: a hipótese de se estarem a criar constrangimentos a algumas colectividades, pondo em causa os critérios de igualdade?

EGEAC – Estas questões devem ser colocadas à Câmara Municipal de Lisboa. OL – A qualidade e os bons profissionais custam caro, os custos de alguns figurinos podem ascender aos 19 mil euros e, esses mesmos figurinistas, por vezes até com pseudónimos, trabalham para mais de uma marcha. Que mecanismos tem a organização para evitar situações semelhantes com as ocorridas em 2016?

EGEAC – Os figurinistas são contratados por cada uma das associações/ coletividades, que têm total liberdade de escolha, pelo que essa matéria é da sua exclusiva responsabilidade.

OL – As classificações e permanências nas Marchas de Lisboa têm sido ultimamente alvo de grande polémica. Uns defendem que os bairros históricos não se deveriam sujeitar ás regras do concurso e ter assegurada presença nas marchas sem necessidade de sorteio. Outros, entendem que não deveriam ser atribuídas classificações, sagrando-se todos (as) vencedores (as) junto do seu público.

EGEAC – Por uma questão de igualdade de oportunidades, os critérios têm obrigatoriamente que ser iguais para todos. Trata-se de um concurso que deve obedecer às normas regulamentadas. Caso contrário, as marchas seriam apenas um espetáculo. OL – Um outro desejo, amiúde referido com emoção, é o do regresso da Finalíssima no Terreiro do Paço. O que pensam dessa hipótese? EGEAC – Não está nada previsto nesse sentido

OL – No próximo ano, que alterações vai o novo regulamento, introduzir nas Marchas Populares?

EGEAC – O novo regulamento do Concurso das Marchas já foi publicado, podendo ser consultado no boletim municipal da CML n.º 1201, de 23 de fevereiro de 2017.

Nota redação: Artigo publicado na edição impressa nº 1 de Olhares de Lisboa /junho 2017

O REGULAMENTO