É a única colectividade lisboeta a contar com a Taça da Rainha das Marchas, por ter vencido o concurso das marchas, em 1964, 1965 e 1966. 

Eduardo Fidalgo

O Vendedores de Jornais Futebol Clube, na Madragoa, conta com uma pequena prateleira-museu com objectos deste destemido militar que atravessou o Atlântico de hidroavião em 1922.

Foi um ano antes que o VJFC foi criado, a 15 de Fevereiro, para apoiar os ardinas de Lisboa, jovens de vida precária que em muitos casos não tinham onde dormir. Por isso, contou desde cedo com camaratas, para acolhê-los.

Eduardo Fidalgo, secretário da direcção, recorda o passado glorioso do clube, hoje com uma actividade mais reduzida, e explica que actualmente já não organizam marchas, embora ainda mostrem interesse pelos arraiais.

Mas o bichinho da marcha ainda está lá: “A marcha é um sentimento das pessoas, dos bairros. Eram o pulmão da nossa colectividade no passado, nos anos 1940 a 1960”… Os clubes, hoje em dia, “vivem basicamente da carolice dos sócios. As pessoas têm muito mais ofertas de lazer na cidade”.

O outro problema é que, nas actividades desportivas, “é tudo muito caro. No futebol, por exemplo, as equipas têm que ser federadas, mas isso custa dinheiro, bem como o equipamento. Antigamente, pegávamos nuns calções e numas sandes e já estava”.

O VJFC conta com centena e meia de sócios, que pagam quotas de 50 cêntimos. Embora não tenham meia dúzia de modalidades permanentes, como acontecia nos anos 1980, têm actividades pontuais e temporárias, que vivem da vontade de quem as protagoniza ou lecciona. Ginástica, teatro, tango…

Esta é já a terceira sede do clube, ao longo destes 96 anos. Com saudades do passado e dos bons tempos das colectividades, o dirigente refere a importância do Almirante Gago Coutinho como sócio e dirigente, e do seu papel na história. Quanto ao pequenino museu do célebre aviador no andar de cima, “provavelmente terá havido aqui mais objectos dele no passado. Mas alguns terão desaparecido, por não terem sido devidamente inventariados”.

O Almirante Gago Coutinho presidiu aos destinos da coletividade durante a década de 1940.

O livro que relata e descreve detalhadamente toda a viagem de hidroavião sobre o Atlântico, bem como a sua preparação, é uma peça particularmente valiosa, doada por Gago Coutinho à biblioteca do clube dos ardinas em 1942. Se o juntarmos ao troféu de Rainha das Marchas, teremos provavelmente os dois objectos mais valiosos da colectividade.

 

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