“Melhor que falarmos da cidade é convidar as pessoas a visitar-nos”. O convite é feito por Pedro Pina, vereador na Câmara Municipal de Setúbal.

Em entrevista ao Olhares de Lisboa, o autarca dá conta que “Setúbal tem características únicas que a tornam uma cidade particular”. Por um lado, “porque conflui em duas reservas naturais: o parque natural da Arrábida e o Estuário do Sado”. Para Pedro Pina, “não existe mais nenhum município na área metropolitana que tenha estas características”.

E por outro, “as pessoas são também uma marca desta cidade”.

Local de “partidas e chegadas”, Setúbal foi também uma região do país na qual “muita gente se instalou durante o século 20, que viriam trabalhar para o setor da indústria naval”.

Na opinião do vereador, “é uma cidade que também vive de uma forma emocionada aquelas que são as suas grandes instituições, tais como o Vitória Futebol Clube”.

Pedro Pina recorda porém que o concelho passou por “um tempo cinzento”, a partir dos meados dos anos 80 até ao princípio dos anos 2000. “Setúbal era conhecida por uma cidade suja, mas hoje é uma referência que dá prazer e visitar”.

Esta mudança registou-se desde o principio de 2002, “altura em que a condução municipal virou a página desta cidade”.

INCLUSÃO E JUVENTUDE

Par além da cultura e desporto, Pedro Pina é responsável pelas pastas da inclusão social e juventude. E é nos mais jovens que reside uma das maiores apostas da câmara municipal.

“Temos uma visão que os jovens não são pessoas em trânsito. Os jovens têm presente e o que importa é gente com presente e opinião”, sublinha.

E acrescenta: “é a partir daqui que construímos a nossa estratégia para a juventude. Setúbal tinha uma carência grande ao nível dos equipamentos para os mais novos e agora temos o edifício da pousada, um espaço dedicado à juventude”.

A criação da Casa do Largo foi, segundo Pedro Pina, “definitiva para darmos um solavanco à juventude”.

Ainda para mais porque acolhe projetos embrião para desenvolver a sua atividade.

No âmbito da inclusão social, o responsável recorda que “desde há muito tempo que a taxa de desemprego em Setúbal é inferior à média nacional”.

É uma realidade, mas o autarca não fica descansado. “Sabemos que a confiança, as condições dadas ao investimento e o aumento do turismo fazem parte desta inversão, mas Setúbal não deixa de ter problemas sociais”.

Nesse sentido, a autarquia “tenta atenuar esses problemas através de trabalho específico com a população sénior”. Até porque este executivo “acredita que as autarquia não devem substituir o papel do Estado central na área da segurança social”, mas têm sim “o dever de mediar uma relação com os seus territórios que são considerados de grande vulnerabilidade”.

Fundamental também que “as pessoas façam parte da solução, que se capacitem para a mudança, para que esta seja mais consolidada”.

OLHAR SOBRE LISBOA

Bem para lá do Tejo, à beira do Sado, Setúbal vai “olhando para Lisboa sem preconceito”. O vereador da câmara municipal assume “a condição dos setubalenses com o capital humano e patrimonial que temos”.

Mas também “percebendo que, por vezes, o país tem que olhar para além do seu umbigo”.

Principalmente porque “Lisboa é uma cidade a transbordar, que ela própria já não é capaz de responder face ao impacto do turismo”, afirma.

De acordo com Pedro Pina, “não devemos assumir o nosso papel pelo insucesso dos outros. Se os outros fazem bem, devemos retirar algo de positivo disso. Até porque nós temos características que Lisboa não tem nem nunca terá”.

O autarca aproveita para dar conta de algumas iniciativas que vão realizar-se nos próximos tempos na cidade de Setúbal e que podem representar uma alternativa à oferta da capital.

“Em julho e agosto vamos ter o Verão na Baixa, uma atividade de animação na frente ribeirinha e na baixa de Setúbal, com música e atividades circenses. Há também o Jazz nos Jardins e o Fado em Setúbal, que se realiza por todas as freguesias do concelho”.

Destaque ainda, no dia 21 de julho, para o arranque da Feira de Santiago, “com mais de 400 anos de existência”.

Pedro Pina adianta ainda que Setúbal irá acolher pela primeira vez o início da Volta a Portugal em Bicicleta, no dia 1 de agosto.

Setúbal a marchar

“As marchas populares de Setúbal são a maior manifestação de cultura popular e associativa do concelho”. Tal como explica Pedro Pina, este é “o evento que envolve o maior número de pessoas, associadas ao seu bairro e coletividade”.

Segundo o vereador, trata-se de “uma manifestação desinteressada e de participação no seu brio e galhardia”.

Esta é já uma tradição em Setúbal há mais de vinte anos, que envolve centenas de pessoas, e para a qual a autarquia contribui com um subsídio de 12 500 euros para cada marcha não infantil.

Com um máximo de dez marchas a desfilar, Pedro Pina garante que “muitas delas não ficam nada a dever na sua qualidade, figurinos e coreografias às de Lisboa”.

Este ano vão participar as marchas  do Núcleo dos Amigos do Bairro Santos Nicolau, da Cooperativa Habitação “Bem-vinda a Liberdade”, da União Desportiva e Recreativa das Pontes, da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense, da Grupo Desportivo Independente, do Grupo Desportivo Setubalense “Os 13” e do Núcleo Bicross Setúbal.

A participar extraconcurso vão as marchas da APPACDM, a Marcha Infantil das Pontes, a Marcha Infantil Perpétua Azeitonense, a Marcha Infantil Independente e a Marcha Infantil Bicross.

Tal como em Lisboa, todos os anos há uma música diferente que é comum a todas as marchas. Em 2018, a composição vencedora foi “Setúbal, Terra de Vinhos”, com letra de Dina Barco e música de José Condinho.

Nota: Em breve: Galeria de Fotos e vídeos | Marchas Populares de Setúbal

 

 

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