A MARCHA DO LUMIAR É INCLUSIVA E ATÉ TEM UM PAR DE SURDOS

O grupo de marchantes da Marcha do Lumiar é composto, na sua maioria, por jovens entre os 18 e os 23 anos, embora existam marchantes com menos de 18 anos e outros com mais de 30. Muitos deles são residentes na freguesia, embora existam outros de outros locais.

Ao mesmo tempo, “o grupo está muito otimista e os ensaios estão a correr bem, dentro da normalidade e estamos todos muitos entusiasmados”, acrescenta ao Olhares de Lisboa Artur Botão, presidente da Academia Musical 1ºde Junho de 1893, coletividade que organiza a marcha.

A edição de 2022 marca o regresso da marcha à Avenida da Liberdade, uma vez que a Marcha do Lumiar não participou em 2019. “Não participámos porque ficámos nos três últimos classificados em 2018 e, portanto, este é um regresso mesmo muito esperado”, acrescenta o responsável. Muitos dos marchantes da Marcha do Lumiar são estreantes e muitos dos que marcharam em 2018, foram, em 2019 para outras marchas.

“Temos marchantes do Lumiar em Carnide, no Alto do Pina, Madragoa, entre outros”, explica Artur Botão, que admite que a não participação no desfile leva a que alguns marchantes saiam para outras marchas.  “Acabamos por perder um ou outro, mas a Marcha do Lumiar tem um grupo de marchantes que vai permanecendo o mesmo”, acrescenta o responsável.

De acordo com Artur Botão, em 2022 houve uma grande dificuldade em arranjar homens para a marcha, sobretudo “porque os homens não se sentem tão atraídos por isto”. A Marcha do Lumiar não pede grandes requisitos para entrar, apenas “disponibilidade horária e a graciosidade”. No entanto, os organizadores da marcha consideram-se ainda flexíveis e inclusivos.

Exemplo disso é a inclusão de um par de surdos no grupo de marchantes. Apesar de não conseguirem cantar, estes dois marchantes “aprenderam a coreografia muito rápido, porque eles têm muito boa memória e aprenderam a observar os colegas”, acrescenta Artur Botão.





Este par são dois dos 48 marchantes efetivos (a que se acrescentam mais dois suplentes) que se vão apresentar no dia 4 de junho no Altice Arena e depois na noite de 12 para 13 de junho na Avenida da Liberdade.

Os ensaios são realizados de segunda a sexta-feira na Escola Secundária do Lumiar. Em relação à pandemia, Artur Botão acrescenta que “aconselhamos as pessoas a usarem máscara e a protegerem-se do vírus, mas na realidade a maioria dos marchantes já não usa máscara, agem normalmente”, conta. Se alguém testar positivo à Covid-19, essa pessoa ficará em isolamento durante cinco dias e será substituída.

Já sobre os dois anos em que não foi possível haver desfiles devido à pandemia, Artur Botão considera que este foi um período tranquilo. “Na realidade não pensámos muito nas marchas, preocupámo-nos mais com a sobrevivência da coletividade, até porque a Academia Musical 1º de Junho de 1893 não vive só das marchas, temos outras atividades”, conta Artur Botão.

A Marcha do Lumiar foi criada em 2003 e em 19 anos, o melhor resultado foi um sexto lugar em 2007. “Depois disso, já ficámos em nono, em décimo, por aí”, acrescenta o responsável, que considera que a classificação nas Marchas Populares de Lisboa “envolve fatores que para o Lumiar são prejudiciais, como por exemplo, eu acho que as marchas mais antigas são vistas de outra forma, assim como aquelas que estão no centro de Lisboa”.

Para Artur Botão, também o facto de alguns figurinistas ou cenógrafos mais conhecidos no meio cultural da cidade estarem a trabalhar com algumas marchas “também contribui para um certo favorecimento na altura das votações”, critica.  Em 2022, os padrinhos da Marcha do Lumiar são o comentador social Flávio Furtado e a atriz Marta Gil. O ensaiador, figurinista e cenógrafo é Hugo Barros.

 

 

 

 

 

 

 

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