O crescimento do turismo em Lisboa está a transformar bairros históricos como Alfama. A compra de imóveis por parte de estrangeiros ou a transformação em hotéis está a afastar os moradores.

Este fenómeno tem levado os habitantes locais, sem capacidade financeira para pagar rendas elevadas, a deixar os apartamentos e a encontrar alternativas fora da cidade, o que faz com que, em alguns destes bairros, comece a desaparecer o comércio tradicional. Ou seja, a essência/alma deste bairro, que assenta no comércio local, está a desaparecer aos poucos e poucos, perdendo o seu tipicismo que é o principal chamariz dos turistas.

Mas, mesmo assim, o bairro histórico de Alfama, em tempos o lar de grande parte dos pescadores, é ainda hoje em dia habitado por famílias portuguesas (e alguns expatriados) que continuam a viver na zona com uma tradição secular.

Alfama, cujo nome deriva do árabe al-hamma, que significa banhos ou fontes, é um bairro muito peculiar por se assemelhar a uma antiga aldeia, não só em aspecto como por ter uma comunidade relativamente pequena e próxima. A carta geológica do concelho de Lisboa, que mostra um grupo de nascentes minero-medicinais que, ao longo da história, foram encanadas para alimentação dos Chafariz de El-Rei, Chafariz de Dentro e Chafariz da Praia (desmontado)

As águas de Alfama ou Águas Orientais foram introduzidas em 1868 na rede de abastecimento público de Lisboa com a construção no local do antigo Chafariz da Praia de uma cisterna que recolhia a água e de uma estação elevatória movida a vapor que a elevava até ao recém-construído reservatório da Verónica (1862). O Museu do Fado está actualmente instalado sobre a cisterna, a qual pode ser visitada.

O bairro, visitado por turistas portugueses e estrangeiros, é considerado o mais seguro de toda a cidade de Lisboa, sendo conhecido pelos seus restaurantes e casas de fado. Assim como, pelos festejos dos Santos Populares, em especial na noite de Santo António, de 12 para 13 de Junho

Este bairro, provavelmente o mais agradável da cidade, entrou em declínio na Idade Média, quando os residentes ricos se mudaram para o oeste, deixando o bairro para uma população de pescadores e marinheiros.

Apesar de praticamente já não existirem casas mouriscas, o bairro conserva um pouco do ambiente dessa época (atente-se ao casbá com as suas ruelas, escadarias e roupa a secar nas janelas). As áreas mais arruinadas foram alvo de profundas obras de restauro e a vida desenvolve-se tranquilamente em volta das pequenas mercearias e tabernas. Na última fase do Estado Novo, foi deixado completamente ao abandono e a criminalidade começou a aumentar. No pós 25 de Abril, pouco ou nada foi feito no sentido de devolver a vida próspera a este bairro histórico, que se tinha tornado, na década de 80, num dos bairros mais problemáticos da cidade, sobretudo no que diz respeito ao tráfico de droga. Apenas em meados da década de 90, o Gabinete Técnico de Alfama começou lentamente a recupera-lo, tendo sido o percursor da recuperação de outros bairros históricos como o Intendente, Bairro Alto, Mouraria e Ajuda.

As vistas mais espectaculares sobre Alfama têm-se do passeio público formado pelos miradouros das Portas do Sol e de Santa Luzia. Por cima e envolvendo Alfama ficam a colina do Castelo de São Jorge, fortaleza e palácio real até ao século XVI, e a colina de São Vicente. Para além do Castelo, os principais monumentos da zona são a Sé, a Igreja de Santo Estêvão e a Igreja de São Vicente de Fora.

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