A Câmara Municipal de Lisboa vai financiar com 100 mil euros a conclusão das obras da Igreja de São Cristóvão, localizada na baixa lisboeta.

A reparação do telhado foi a primeira fase do projeto de reabilitação da Igreja de São Cristóvão, que o presidente da Câmara Municipal de Lisboa considera ser uma igreja emblemática da nossa cidade.

Fernando Medina,  que hoje visitou as obras de reabilitação feitas no quadro do projeto do Orçamento Participativo de 2014, denominado “Pela Arte de São Cristóvão”, garantiu que a autarquia «fará em seu papel e terá todo o gosto e apoiar esta iniciativa pioneira que nos inspirou em fazer a recuperação de outros espaços de culto da cidade, como o Convento da Graça, a antiga Casa dos 24 ou a a Igreja de Campolide».

Do ponto de vista do autarca, «são locais da nossa história e da nossa cultura e espaços de reunião das comunidades», lembrando que «Lisboa nasceu nesta colina». Fernando Medina explicou que o município, que representa o Estado laico, apoia financeiramente a recuperação de igrejas pelo facto de serem mais do que um «local de culto» e fazerem parte da «história e da cultura».

Depois de vencer a edição de 2014 do Orçamento Participativo de Lisboa e de ter integrado a lista do Programa Watch da World Monuments Fund, organização internacional que tem como objetivo principal a preservação dos monumentos culturais no mundo, e que, em 2015, considerou a igreja de São Cristóvão como «um dos mais belos monumentos em risco e que merecem ser recuperados», está a entrar na reta final das obras de restauro, orçamentadas em um milhão de euros, que lhe vão devolver o esplendor de «outras eras».

É, por isso, que o padre Edgar Clara, pároco da Igreja de São Cristóvão, acolheu com satisfação o anúncio de Fernando Medina do apoio financeiro da autarquia para conclusão das obras da igreja de São Cristóvão, salientando que o movimento popular de angariação de fundos também desempenhou um papel importante na concretização deste empreendimento de recuperação de um dos templos mais carismáticos da cidade.

Recorde-se que, no âmbito deste projeto – «um plano de divulgação associado à história da Igreja de São Cristóvão e ao seu acervo artístico de modo a dar visibilidade nacional e internacional ao monumento, associando-lhes um programa de atividades artísticas e culturais direcionado para a comunidade onde se insere» – foram desenvolvidas várias iniciativas pelo responsável da paróquia, padre Edgar Clara, bem como pela própria comunidade, que permitiram angariar fundos para reabilitação do edifício e do valioso património cultural que encerra.

Assim, venderam-se bolachas alusivas a São Cristóvão, foi lançado um crowdfunding, promoveu-se a exposição «Não te faltará a distância», com obras do Prémio Pessoa, de Rui Chafes, dinamizaram-se seminários sobre «conservação e restauro do património religioso no séc. XXI», realizaram-se espetáculos de fado no âmbito das Festas da Cidade e até se venderam telhas a quem quisesse «apadrinhar» de uma forma mais próxima a recuperação do telhado.

Deste conjunto de iniciativas, resultaram fundos angariados que permitiram recuperar a fachada da igreja, a cobertura do imóvel que já sofria com sérias infiltrações, a tela do altar-mor, bem como uma tela de Santo António, atribuída a Mestre Bento Coelho, autor da grande maioria dos quadros que revestem as paredes daquele templo secular.

Para o padre Clara foi importante este movimento das pessoas. «As pessoas que puderem vinham e davam os seus donativos. Outras contribuíram através da plataforma do Arco de São Cristóvão», recorda o pároco, salientando que a venda de telhas para o novo telhado (20 euros cada) rendeu 50 mil euros e a de biscoitos, produzidos pela Cozinha Popular da Mouraria (a 5 euros o saco) valeu 10 mil euros. As noites de fado, coorganizadas com a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, renderam 5 mil euros. A isto acrescentam-se donativos vários e mecenato de empresas.

Mas, como refere Edgar Clara, «há ainda outras formas de apoiar o restauro de algumas peças emblemáticas desta igreja do século XVII». Por exemplo, adianta, «as pessoas podem contribuir, através do Facebook, com donativos para a recuperação de um dos quadros mais emblemáticos que temos: São Cristóvão a atravessar o rio».

Desde 2015, que a igreja de São Cristóvão faz parte do programa Watch da World Monuments Fund, sendo «o primeiro edifício religioso português a conseguir integrar esta lista».

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