CHIADO – TRINTA E DOIS ANOS DEPOIS DO INCÊNDIO, QUE COMÉRCIO?

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Trinta e dois anos depois do incêndio que marcará para sempre a história do Chiado, constata-se que, também, no que ao Comércio diz respeito nada voltou a ser como dantes.

É certo que o Comércio do final da década de 80 era bem distinto do de hoje, pela simples razão de que outras ofertas, entretanto, surgiram, mercê também de nova(s) procura(s).

Entendido o Comércio de proximidade como o Comércio dotado e capaz de satisfazer múltiplas necessidades, seja de residentes, visitantes, turistas, utentes, numa palavra, clientes (desde que percepcionado tal conceito como extravasando o de meros consumidores!), o Comércio existente no Chiado, e o conjunto ali formado, constitui-se como um exemplo que justificará a replicação do “modelo” para outras zonas da cidade (Baixa, Avenidas Novas, Campo de Ourique, por exemplo), e não só.

A questão residirá na identificação do “modelo”, se é que de tal se trata, e se é que é para assim ser, efectivamente, assumido. Tenho para mim que a actual realidade comercial do Chiado terá surgido mais por razões próprias do(s) vários mercado(s) ali existentes – imobiliário, arrendamento, etc…, etc…, ou seja, da dicotomia entre oferta(s) e procura(s), do que propriamente pela existência de uma estratégia comercial (seja dos comerciantes, seja da autarquia), que a bem da verdade nunca terá existido.

O argumento, talvez algo “estafado” para alguns, do “centro comercial a céu aberto”, a que a maioria dos atores, ainda, hoje recorre, não chegou a afirmar-se, uma vez que os centros comerciais planeiam-se, organizam-se e gerem-se, coisa que não ocorreu, não ocorre e, dificilmente (?), ocorrerá no Chiado, e verdade seja dita, em qualquer outra zona da cidade.

É certo que a “experimentação” levada a efeito num passado, mais ou menos, recente não resultou – leia-se Agência para a promoção da Baixa-Chiado (ABC), no entanto, tenho para mim que nem os mais crentes terão desistido, nem os mais cépticos poderão estar demasiado tranquilos.





É que nas grandes capitais europeias, o Comércio e as zonas nobres onde o mesmo se instala, planeiam-se, ordenam-se, gerem-se, pelo que continua a fazer sentido … mais do que falar do Centro Comercial a Céu Aberto Chiado, pensá-lo, ordená-lo, dotá-lo e geri-lo.

Hoje, por força do contexto peculiar que vivemos, porque não se ponderar, de forma séria, um … “centro comercial aberto … digital”?

Ex-Diretor Municipal das Atividades Económicas da Câmara Municipal de Lisboa

 

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