Os comerciantes de Alfama declararam guerra aos pilaretes colocados pela EMEL na Rua dos Remédios, alegando que está «a dar cabo do pequeno negócio»O sistema de controlo de trânsito em Alfama, Lisboa, é alvo de fortes críticas, por parte de comerciantes, moradores e familiares destes. Queixam-se da falta de controlo e das dificuldades em aceder ao bairro para assistir idosos. A empresa diz que há cartões próprios para quem queira aceder pontualmente à zona.

Algumas frases «mais aguerridas» denunciam o clima tenso entre quem ali mora ou trabalha e a empresa que gere o estacionamento municipal. “EMEL fora daqui, estas ruas pertencem-nos” ou simplesmente “EMEL rua” são os exemplos visíveis do descontentamento popular, há muito instalado.

São duas as situações que causam maior desconforto: o acesso ao bairro por parte de familiares de idosos que, muitas vezes, têm dificuldades em andar e a falta de controlo do estacionamento já dentro do próprio bairro, um dos mais antigos e típicos da capital.

A casos como estes a EMEL responde com a possibilidade de adquirir um cartão por 25 euros. «O sistema está cada vez mais automático. Basta adquirirem o cartão e passam a entrar quando quiserem. Só podem é ficar 30 minutos, se ficarem mais, pagam», revelou fonte da empresa.Mas este argumento não convence os comerciantes que, na sua maioria, se debatem com graves problemas no abastecimento dos produtos aos seus estabelecimentos. Ermelinda Carapinha, proprietária da florista Maggyflores, é clara: «Os fornecedores não podem entrar no bairro. Se queremos ser abastecidos, temos que nos deslocar ao largo do Chafariz para ‘apanhar’ os produtos. Somos obrigados a fechar a loja ou, então, temos que pedir a um vizinho para tomar conta do estabelecimento».O mesmo argumento é utilizado por Maria Adelina, da Casa de Chás e Cafés, que, conforme relata, utiliza o «cartão pessoal de acesso para facilitar a entrada dos fornecedores para descarregarem mercadorias». Todavia, nem mesmo cartão da EMEL é garantia de entrada. “Mesmo pessoas com cartão eles implicam. Se dá para embirrar não entra ninguém. E isso prejudica o bairro, porque há pessoas novas que vieram para cá morar, mas não acham muita graça a este sistema e não estão para deixar o carro longe e vir a pé, muitas vezes carregadas com compras”. A comerciante diz mesmo que este sistema “foi a pior coisa que puseram aqui”.
Luis Nunes, do restaurante O Tasco do Vigário», apesar de não se sentir afetado por esta situação, mostra-se solidário com os seus colegas. «É necessário arranjar uma forma dos estabelecimentos serem abastecidos», afirma.Fernando Antunes, da Casa Bastão, partilha da mesma opinião, defendendo o fim dos pilaretes no inicio e no fim da Rua dos Remédios. «Este é uma rua de pequeno comércio e, por isso, não é logico estar fechada para as cargas e descargas. Estou de acordo com a decisão de a rua ser condicionada mas, para isso, não é necessário bloquear-se as cargas e descargas dos estabelecimentos. Nós vivemos disto», esclarece.

Estacionamento a Deus dará…

Mas a revolta de muitos moradores e comerciantes direcciona-se também à falta de controlo no interior do próprio bairro. Lembram que o sistema foi criado com o propósito de disciplinar o estacionamento na zona, mas os resultados estão muito longe das expectativas. Com efeito, basta percorrer as apertadas ruas e vielas para encontrar casos flagrantes de carros estacionados anarquicamente, tapando entradas ou obstruindo acessos.

«Nós, moradores, pagamos para entrar no bairro, mas o importante era haver mais controlo. A verdade é que, passando o pilarete, é a anarquia total», sintetiza um morador na Rua dos Remédios.

A empresa garante porém que tem fiscalização e, segundo algumas fontes contactadas, «não é muito costume haver carros em situação irregular. Agora, se deixarem entrar toda a gente, sim, vai acontecer isso», acrescenta a mesma fonte, garantindo que «a EMEL faz a fiscalização, não pode é estar sempre em todo o lado».

 

 

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