EM CARNAXIDE, EMPRESA IMOBILIÁRIA RENASCE DA CRISE

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Mesmo com a crise do coronavírus a atingir em força o imobiliário, o setor adaptou-se e criou alternativas para continuar a fechar negócios e a vender, dentro do possível, casas. Mas tudo virtualmente através de um ecrã. 

O surto de coronavírus está a afetar o setor imobiliário, mas os empresários olham para esta pandemia com um «otimismo cauteloso». É certo que começaram a realizar visitas presenciais a imóveis com todas as medidas de proteção recomendadas pela DGS, e que já se podem fazer assinaturas de contratos de promessa compra e venda ou de arrendamento e escrituras, mas isso, como refere Paulo Meneses, da Área Bruta Imobiliária, sediada em Carnaxide, não colmata o resfriamento na oferta e procura de imóveis.

O mercado imobiliário, nos últimos anos, «vivia» muito da venda aos estrangeiros, principalmente na região metropolitana de Lisboa, o que provocou especulação imobiliária.

Nas imobiliárias já se começam a sentir as consequências diretas desse desinvestimento por causa do coronavírus. «Alguns clientes estrangeiros, por dificuldade em viajar, adiaram as assinaturas dos contratos de promessa compra e venda. Temos estado em contacto com potenciais clientes estrangeiros e estamos confiantes que, a médio prazo, recuperem a confiança no mercado português e voltem a comprar imóveis em Portugal.

Lentamente começaram as vendas.

Ainda assim, dado que a curto prazo o impacto será «muitíssimo negativo» para as empresas, Paulo Meneses, que este mês já conseguiu realizar alguns contratos de venda, considera que o Governo, para minorar a crise no sector, deveria adotar um conjunto de medidas para evitar o estrangulamento financeiro das empresas.





Este empresário considera importante a «suspensão imediata na moratória de todos impostos e a suspensão na contagem do prazo da compra para revenda», defendendo ainda que o Estado deve ter uma ação efetiva junto do sector financeiro, para que a banca tenha um papel de apoio às empresas, e não de aproveitamento perante eventuais situações de incumprimento motivados pelas dificuldades de faturação que as empresas estão a enfrentar neste período de crise».

Esta é uma situação inédita e, por isso, exige medidas inéditas», refere.Paulo Meneses que, durante todo o estado de emergência manteve as instalações encerradas, manteve sempre interações online com potenciais clientes, que o consultavam, e salienta que já se começou a assistir a uma quebra nos preços das casas, o que significa que o mercado «está a reajustar-se» à nova realidade.

Apesar de considerar que o investimento no imobiliário «é sempre um ativo seguro», Paulo Meneses revela que, no seu caso, existem hipóteses de «concluir várias transações por meio digital e visitas virtuais», admitindo que houve «um adiamento da conclusão dos negócios», mas não uma desistência.

«A procura mantém-se, o interesse na aquisição e no arrendamento está ativo», diz, explicando que a diminuição da procura se irá manter enquanto «se mantiver este estado de incertezas e de expetativa sobre o que vai acontecer».

Mercado congelado

Paulo Meneses partilha a opinião de vários especialistas de que vai haver uma quebra na procura e um reajustamento dos preços nos próximos meses, possivelmente até ao final do ano. Mas, segundo este empresário, é «difícil de antecipar o futuro, porque vai depender de muita coisa».

Isso vai acontecer, naturalmente, como em qualquer recessão imobiliária».

Mas, em contrapartida, vai-se assistir há necessidade de «empresas, famílias e alguns investidores terem de vender para fazer face às dificuldades» e, por isso, «vai haver reajustamento dos preços», salientando: «muitas pessoas vão necessitar de gerar liquidez com a venda de imóveis porque vão estar em situações debilitadas economicamente».

A crise económica consequente à crise sanitária terá um impacto natural nos valores dos imóveis, afirma, prevendo que exista um ajuste genérico de preços, na ordem dos 10 a 20 por cento.

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