Cerca de um milhão de pessoas, nacionais e estrangeiras, participam em eventos culturais em Oeiras que, desta forma, está a projetar o seu nome, tanto a nível nacional como internacionalmente.Cultura é criação e património de um povo. A responsabilidade do poder público em promover ações de estímulo, fomento, divulgação e proteção é fundamental. Esta é a filosofia adjacente à política cultural da Câmara Municipal de Oeiras que, segundo o seu vice-presidente, Francisco Gonçalves, tem realizado vários eventos e certames culturais para todos os munícipes, projetando a imagem e o nome de Oeiras «aquém e além-fronteiras».

A Constituição Portuguesa consagra, no Capítulo III, o direito de todos os cidadãos terem acesso à educação, cultura e ciência, salientando: «O Estado promove a democratização da cultura, incentivando e assegurando o acesso de todos os cidadãos à fruição e criação cultural».

Este artigo da Lei fundamental da República é levado à letra pelo atual executivo da Câmara que, ao longo deste mandato, tem promovido vários eventos culturais «para todos», independentemente da condição social, étnica ou religiosa.

Como afirma o vice-presidente da Câmara de Oeiras, Francisco Rocha Gonçalves, «o importante para nós, executivo municipal, são as pessoas e, por isso, queremos que todos, mesmo todos, tenham acesso à cultura».

Mas, como Oeiras quer ser uma comunidade de bem-estar e com qualidade de vida, estamos a desenvolver políticas sociais, habitacionais e de saúde que contribuam para manter o concelho na lista dos mais ricos de Portugal, refere Francisco Gonçalves.

Para o vice-presidente, a cultura é o «bastião da democracia» e, é por isso, Oeiras quer «os melhores alunos» e proporcionar aos seus munícipes «o melhor que há em termos de eventos culturais».

Colocar a cultura ao serviço dos munícipes e do concelho é, no fundo, a grande ambição do atual executivo e, parafraseando as palavras da poetisa Natália Correia: «a cultura alimenta o homem», ajudando, como reconhece Francisco Gonçalves, a projetar, a nível nacional e internacional, a imagem de Oeiras, permitindo ao município um maior desenvolvimento turístico.

Do ponto de vista do autarca, todos os grandes eventos (festivais como NOS Alive, o Comic Con) tem como objetivo “voltar” a projetar, tanto a nível nacional como internacional, o nome de Oeiras. Salientando que, os eventos que acontecem no concelho «movimentam» cerca de um milhão de pessoas, tanto nacionais como estrangeiros. E, de certa forma, «conquistar» alguns nichos turísticos.

Olhares de Lisboa – A cultura é uma prioridade para Oeiras?

Francisco Rocha Gonçalves – Para nós, a política cultural radica nos valores e nas realidades de cada um de nós e, por isso, é um bem que deve estar ao alcance de todos os cidadãos, mesmo aqueles que tem menos possibilidades financeiras.

A nossa política cultural não é uma mera repetição de eventos, mas sim de inovação. É o caso das festas de Oeiras que pretendemos que sejam um marco de divulgação cultural, possibilitando a muita gente o acesso à cultura.

As festas de Oeiras, apesar de terem estado centradas no jardim municipal, são um exemplo concreto do trabalho que estamos a desenvolver. “Levamos” eventos a todas as freguesias e uniões de freguesia do concelho. Foram 17 dias que se traduziram em 17 concertos e que tiveram cerca de 200 mil espetadores. As forças de segurança, nomeadamente a PSP, estavam apreensivas, mas, felizmente, nada sucedeu. Aliás, as nossas festas foram exemplares e irrepreensíveis, não houve um simples desacato…

Podemos dizer: as festas de Oeiras são o reflexo da evolução do nosso concelho e da sua população.

Esta ação. assim como os diferentes eventos que promovemos, em parceria com vários promotores, tem como principais objetivos promover a coesão social e levar a cultura a todas as pessoas, mesmo aos mais carenciados.

Em Oeiras, todos os munícipes podem assistir a eventos culturais. A maioria dos espetáculos são gratuitos.

OL – Quais as razões que levam Oeiras a querer megaeventos. O que significa esta necessidade?

FRG – Todos os grandes eventos têm como objetivo voltar a projetar, tanto a nível nacional como internacional, o nome de Oeiras.

Quando chegamos, no terraplano de Algés só existia o Nos Alive. Conseguimos alterar a situação e, hoje, são múltiplos os eventos que aí acontecem.

Mas não é só em Algés que “as coisas” acontecem. A Fábrica da Pólvora e no Parque dos Poetas tem sido outros locais, onde se “vive e respira” cultura no concelho.

Uma das preocupações que tivemos, quando fomos eleitos, foi estabilizar o calendário dos eventos. Hoje, podemos dizer que esse objetivo está conseguido.

OL – A estabilização do calendário de eventos significa que se pretende angariar mais turistas para Oeiras?

FRG – Sim, pode ser uma forma de atrair mais visitantes ao concelho e, ao mesmo tempo, promover a economia local.

O atual executivo está empenhado em voltar a projetar o nome de Oeiras, a nível nacional e internacional. E, é óbvio, que essa projeção pode e deve significar um aumento de receitas originadas pelo turismo. Temos de encontrar eventos que permitam criar mais riqueza para o concelho.

Por exemplo, durante o Nós Alive, as unidades hoteleiras, situadas entre Alcântara e Cascais, estão sempre cheias. O mesmo se passa com a restauração em Algés. Perante isto, Oeiras vai ter, a curto/médio prazo, 14 novos hotéis.

Num mundo altamente competitivo, Oeiras tem de procurar formas de se distinguir dos seus demais concorrentes, apoiando-se em novos produtos turísticos e elementos diferenciadores. Os grandes e megaeventos são uma das formas que podemos usar a nosso favor, procurando, assim, alargar e diversificar o mercado turístico, criar dinâmicas económicas sustentáveis e projetar internacionalmente uma imagem atrativa e competitiva.

O sector dos eventos tem vindo a ganhar importância e um papel fundamental no que diz respeito ao reforço da competitividade e atratividade dos destinos turísticos, contribuindo, em simultâneo, para a emergência de novos produtos turísticos e como instrumento de afirmação nacional e internacional do concelho.

OL – Um dos próximos eventos no Passeio Marítimo de Algés tem como tema o Natal. É possível desvendar o que vai suceder…

FRG – Vamos transformar Oeiras na “capital do Natal”. Mas, para que isso seja um sucesso, o Passeio Marítimo de Algés vai mudar de cara para receber um parque temático, com 72 mil metros quadrados, cheio de neve e gelo, onde se quer recriar o imaginário e o espírito da aldeia do Pai Natal na Lapónia.

O Christmas Fun Park, organizado por uma empresa especializada na gestão de projetos de consultoria e investimento, vai abrir em final de novembro até 12 de janeiro de 2020.

A ideia é estender a época natalícia e dedicá-la às famílias – e a todas as gerações -, às instituições sociais, às escolas e às empresas. Além de divertimentos, haverá espetáculos temáticos, um mercado de Natal, praça de restauração.

Se se confirmarem as contas da organização, esperamos receber meio milhão de visitantes, uma média de 20 mil por dia. Parte das receitas de venda dos ingressos, estimamos que seja um euro por cada bilhete, reverterá para associações com trabalho social.

Para nós, executivo da Câmara, este parque vai ser uma referência a nível europeu, conjugando os valores e princípios do espírito de Natal, com fortes componentes de diversão e de responsabilidade social.

OL – A Comic Con também foi um sucesso…

FRG – Sim. Repetiu-se o sucesso do ano passado. Esta edição teve mais de 100 mil visitantes.

A Comic Con Portugal, como todos os fãs da cultura pop sabem, realizou-se pela primeira vez em 2013, na Exponor, em Matosinhos, onde decorreram as primeiras quatro edições. No ano passado, conseguimos trazer este evento – o maior que se realiza internacionalmente ao ar livre – para Oeiras, para  o Passeio Marítimo de Algés, demonstrando que o concelho reúne todas as condições, nomeadamente em termos da capacidade da Câmara e de todos os seus trabalhadores para responderem a todas as necessidade logísticas que eventos deste tipo necessitam.

OL – Até os homens do futebol já se reúnem em Oeiras!!!

FRG – Conseguimos trazer para Oeiras, em setembro, um dos maiores eventos do mundo dedicado à indústria do Futebol, a Soccerex Europe. Temos garantido que, nos próximos três anos, este evento vai continuar a realizar-se no concelho.

Na primeira edição, que decorreu em setembro, a Soccerex trouxe mais de 1.500 oradores e mais de 70 expositores de todo o mundo para aprender, partilhar ideias e criar oportunidades de negócio, num debate centrado no futuro do Futebol na Europa.

Não podemos omitir que este evento mundial sobre a indústria do futebol já realizou mais de 45 eventos em 20 cidades de todo o Mundo, incluindo Paris, Londres, Los Angeles, Manchester, Dubai, Rio de Janeiro, Johannesburg e Miami.

Para nós, executivo municipal, receber o Soccerex Europe insere-se na nossa estratégia de atrair grandes eventos internacionais. Podemos dizer que Oeiras está no centro da Europa no que respeita à indústria do Futebol, pois aqui estiveram os grandes líderes mundiais de negócio a criar novas oportunidades de investimento. Além disso, este evento permitiu a Oeiras apresentar-se como “a casa do Futebol português”, aprofundando o seu ‘cluster’ desta modalidade.

OL – Independentemente da grande projeção internacional de um certame como a Soccerex. Podemos afirmar que o NOS Alive também projeta a imagem internacional de Oeiras…

FRG – Claro. O festival Alive “marcou a genética deste território”. Este é, talvez, o evento mais mediático de Oeiras, com uma grande projeção internacional.

Por outro lado, não podemos esquecer que, em colaboração com o Instituto Gulbenkian de Ciências, o Nos Alive atribui bolsas de estudo a jovens licenciados portugueses que pretendem iniciar uma carreira científica.

Dezoito licenciados já beneficiaram destas Bolsas de Investigação que  pretendem, essencialmente, aproximar a ciência da sociedade, motivar a persecução de carreiras de investigação cientifica e envolver empresas no financiamento deste tipo de projetos.

OL – Para os mais novos, a Câmara promoveu o festival Panda…

FRG – Insere-se na nossa forma de gerir o município. Queremos que Oeiras seja uma comunidade de bem-estar, onde os mais novos tenham condições para explorar as suas potencialidades e criatividade.

Todas as crianças do concelho tiveram acesso ao festival Panda, mesmo as mais carenciadas. Desta forma, contribuímos para uma maior coesão social e demos cultura.

Conseguimos dizer às crianças que todas tem os mesmos direitos. Costumo dizer que, em Oeiras, praticamos plenamente a Constituição Portuguesa ao dignificarmos a vida humana e a dar as mesmas oportunidades a todos.

Além de “Trolls”, “Hey Duggee” e “Porquinha Peppa”, também as “Super Wings” e “Abelha Maia” estiveram em Oeiras, no Parque dos Poetas.

Este ano o festival foi dedicado à sustentabilidade ambiental e preservação da natureza, com o tema “Planeta Feliz”. Quisemos transmitir aos mais novos que o Panda está preocupado com a sustentabilidade do Planeta e que, como não consegue mudar o mundo sozinho, necessita de um trabalho de equipe para atingir esse fim.

Esta foi a mensagem ambientalista que o Festival Panda transmitiu aos mais novos.

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