A Junta de Freguesia de Santo António, que deve o seu nome ao santo mais popular dos lisboetas, o Santo António, declarou guerra às beatas no chão, distribuindo 200 cinzeiros de parede.É uma das zonas mais nobres da cidade, que se estende desde as Amoreiras até à Avenida da Liberdade, passando por dois «números de polícia» do Príncipe Real. É, também um dos locais mais na moda de Lisboa, frequentada por muitos turistas, que aí procuram os bares e restaurantes da moda, assim como algum comércio mais selecionado.

Por ser um dos locais «mais in» de Lisboa, com milhares de pessoas a passearem-se pelas ruas e vielas da freguesia, a junta de Santo António decidiu distribuir 200 cinzeiros de parede para evitar que as pessoas deitem «as beatas para o chão».

Intitulada ‘Porque o mar começa aqui, bem no coração de Lisboa’, a campanha de sensibilização pretende “contribuir para mudar comportamentos” e proteger o ambiente e melhorar as condições de limpeza do espaço urbano.

A freguesia tem todos os ingredientes que permitem aos lisboetas e visitantes passarem bons momentos em algumas das suas esplanadas, como no jardim das Amoreiras, muito frequentado pelas famílias ou no jardim do Príncipe Real.

Só para alguns

Com uma localização privilegiada, a freguesia é procurada por quem quer qualidade de vida, sem olhar a custos. Esta situação originou um aumento substancial dos preços das habitações e, conforme alguns relatos, também está na origem das tentativas dos senhorios de despejarem os habitantes mais antigos.

O facto de ser uma freguesia composta maioritariamente por uma classe social média-alta, veio trazer outros problemas. Como é o caso da falta de segurança, existindo registos de vários assaltos na zona nos últimos meses, em especial a estabelecimentos comerciais.

Também a falta de civismo de algumas pessoas é mencionada, porque deixam resíduos espalhados junto aos ecopontos.

Os pavimentos das ruas próximas à Praça da Alegria também deixam a desejar, sendo visíveis os buracos em alguns arruamentos, que já provocarem alguns acidentes a moradores e turistas. Algo que é condenado pelos comerciantes e moradores, pela má imagem que transmite.

Alguns dos monumentos e locais de interesse a visitar são: Aqueduto das Águas Livres; Jardim das Amoreiras, Jardim do Príncipe Real; antigo colégio dos Nobres; Avenida da Liberdade; Casa de Almada Negreiros; Cinemateca Portuguesa; Elevador do Lavra; Igreja de São Mamede; Igreja do Convento de Santo António dos Capuchos; Jardim Botânico; Mãe de Água das Amoreiras.

População envelhecida

Para Paulo Afonso, de 42 anos, comerciante, “as Amoreiras são uma zona tranquila e segura para viver. O comércio é que está um pouco mal. Mas isso é igual um pouco por todo o lado”.

Há uma situação que este morador da Rua São Filipe Néri considera um pouco preocupante: “o envelhecimento da população”.

Como atrativo desta zona, Paulo Afonso refere a existência de “algum turismo e alguns hostels”, além de “um espaço verde, que é o Jardim das Amoreiras”.

“A zona das Amoreiras é ótima para viver e sossegada. Aqui ninguém se mete na vida dos outros”, assegura Ricardina da Cunha, de 73 anos, considerando ser um sítio seguro porque não se verificam “nem roubos nem assaltos”.

A abertura recente de supermercados na zona foi “das melhores coisas que aconteceram neste bairro, porque tinha que ir lá acima às Amoreiras”, refere esta moradora na Rua de João Penha

E deixa um elogio direto “às pessoas da junta ou da câmara que fizeram as obras no jardim das Amoreiras. «Antes estava muito destruída e agora está muito arranjado e, felizmente, proibiram os cães de andarem nos canteiros e destruírem aquilo”, assegura.

Mais policias para o Largo do Rato

Apesar de só viver em Lisboa há quatro anos, o transmontano Pedro Montenegro, de 23 anos, empregado de balcão e morador na Rua Nova de São Mamede, já conhece bem o bairro. Segundo ele, “é um bairro bastante bom, com boa vizinhança, bons restaurantes e boas lojas. Existe um ambiente agradável que me leva a passear por aqui e fazer o percurso entre a Estrela e o Príncipe Real”.

Este empregado de mesa de um restaurante de produtos transmontanos considera que “a situação do estacionamento é das mais difíceis na zona. Temos clientes portugueses que dizem ser difícil encontrar estacionamento”.

Mas a questão mais importante tem a ver com a falta de segurança: “Nesta rua, no último mês, tem havido vários assaltos. Nós fomos assaltados recentemente. Era uma da manhã e havia pessoas a passar. Já antes tinham acontecido mais quatro assaltos nesta rua. Nós temos uma esquadra no Largo do Rato, que é muito fraca. Acho que deveriam começar a melhor essa segurança aqui na zona, que está um pouco esquecida”.

Falta de civismo de alguns …

Para AIda Basílio, de 78 anos, reformada e moradora na Praça da Alegria existem várias situações na freguesia que merecem a sua critica. A título exemplificativo refere: “Na rua de Santo António à Glória levantaram o chão todo. Aquilo está uma vergonha. Ouvi dizer que a câmara já entregou o dinheiro à junta de freguesia para arranjar a rua. É uma autêntica lixeira que está ali”.Mas também distribui críticas a algumas pessoas que despejam ali os seus resíduos: “As pessoas podiam telefonar para a câmara para recolherem grandes objetos que querem deitar fora. Eles dizem a que horas nós havemos de pôr e vem buscar. Mas (as pessoas) vem de outros lados por ali o lixo”.

No entanto, considera positivos os arranjos que fizeram na Praça da Alegria, mas “já começaram a roubar algumas plantas que tinham sido aqui postas. E a cidade não está limpa porque as pessoas não querem. Às vezes em vez de porem o lixo dentro dos contentores põe no chão”.

Mais espaços verdes

“Ultimamente anda muita coisa a mudar por aqui”, refere Ana Paula, dona de um restaurante vegetariano há mais de 15 anos. “Antes a vizinhança ajudava-se uns aos outros, velhos e novos ajudavam-se mutuamente. Agora sobraram dois idosos na rua”.

Ana Paula, de 50 anos, comerciante na Rua da Mãe de Água, afirma não ter razões de queixa, mas ainda assim faz alguns reparos: “não há lugares de estacionamento suficientes, a reciclagem é lá em baixo e as pessoas metem fora do vidrão. Mas se calhar é muita gente para aquele ecoponto”.

Ana Paula também considera que deveria haver mais árvores e espaços verdes na freguesia.

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