Isaltino Morais e Fernando Medina voltaram a estar juntos na apresentação de um projeto de interesse para os concelhos de Lisboa e Oeiras: o «Campus do Mar», onde está incluída um troço de percurso que irá ligar Oeiras ao Parque das Nações, a Ciclovia do Mar.

A zona ocidental de Lisboa, onde funcionavam os antigos armazéns da Docapesca, vai ser requalificada e já lhe chamam a «nova Expo». Esta manhã foi apresentado o projeto que inclui um troço do percurso que irá ligar o Parque das Nações a Oeiras e que recebeu o nome de «Ciclovia do Mar» e consiste em um quilómetro e meio de um trajeto entre Pedrouços e Cruz Quebrada que se encontrava interdito ao público.

O intuito é reabilitar uma área «abandonada há décadas», como lembrou a Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, na apresentação do projeto do «Campus do Mar», que representa um investimento de 300 milhões de euros, a maior parte de iniciativa privada.

É uma zona «adiada há anos», admite Fernando Medina. Para ela foram pensados vários projetos, mas todos caíram por terra. Agora, é o mar que vai dominar a requalificação da zona ribeirinha que liga Pedrouços, em Lisboa, à Cruz Quebrada, já no concelho de Oeiras. O projeto Ocean Campus, que foi apresentado esta segunda-feira na antiga Docapesca, vai transformar 64 hectares num «grande ecossistema da economia azul». Num esforço de convergência entre o Governo, a Administração do Porto de Lisboa e as autarquias de Lisboa e Oeiras, foi desenhado um projeto, já apelidado de «nova Expo», a ser construído em três fases. A primeira estará concluída até 2022 e inclui a adaptação de antigos armazéns, incluindo a Docapesca, a edifícios de escritórios para empresas e startups ligadas ao mar. Serão ainda criadas residências temporárias para investigadores, um Ocean Lab e a futura Marina de Pedrouços, cujo concurso público foi lançado hoje pela ministra Ana Paula Vitorino.

Requalificação da praia de Algés

A praia de Algés também será requalificada e haverá restaurantes e outros espaços para usufruto público. O investimento na primeira fase ascende a 118 milhões de euros. Até 2026 estará fechada a segunda fase. Aqui espera-se a construção de uma Blue Business School, uma escola de estudos superiores ligados ao mar, mais edifícios para empresas, um centro de investigação, um hotel e outra marina, desta vez no Jamor. No espaço funcionará um projeto de limpeza do oceano e de aproveitamento do lixo recolhido. O investimento será de 152 milhões de euros.

Na terceira fase serão investidos 30 milhões de euros em arranjos exteriores e acessos, que estarão prontos até ao final de 2030. O investimento no Ocean Campus será maioritariamente privado, adiantou Ana Paula Vitorino. No total, 73% será financiado por privados, 25% serão parcerias público-privadas e 2% do capital será público. Algumas das parcerias já estão garantidas, revelou a ministra.

«Temos algumas parcerias garantidas relativas a várias instalações. Temos procura para vários tipos de instalações por parte de empresas que estão à procura de sítios onde se instalar. Também há interessados privados para os alojamentos temporários. Nomeadamente a Fundação Champalimaud e a Gulbenkian estão interessadas neste projeto. Tudo foi ponderado no estudo de viabilidade económica e financeira do campus», explicou a ministra. Segundo a governante, a Fundação Gulbenkian manifestou interesse em localizar o seu Instituto da Ciência, atualmente situado em Oeiras, no Ocean Campus, abrindo a possibilidade a uma reafetação das áreas que hoje ocupa em Oeiras. Já o hotel, que ficará situado junto à Marina do Jamor, está a ser objeto de uma avaliação de impacto ambiental. O concurso público será lançado após ser emitida a declaração de conformidade.

Ana Paula Vitorino rejeita que venha a ser construída uma torre. «Todos os edifícios terão mais ou menos a altura do Ministério do Mar ou da Fundação Champalimaud. Este espaço não é para fazer torres nem para haver uma apropriação. E não é para fazer resorts. Temos um espaço público que assim continuará, como sendo de domínio público. Interessa-nos desenvolver atividades económicas que promovam o uso sustentável do mar», sublinhou a ministra. Prevista está a construção de uma Blue School, uma escola de ensino superior cujos programas vão ser definidos com a ajuda das universidades portuguesas, mas também haverá cooperação de outros países. «Existem contactos a nível internacional para a escola ser gerida e a formação ser ministrada por redes internacionais. Não queremos uma escola que seja concorrente das que já existem, queremos concentrar os saberes e projetos que já estão a ser desenvolvidos por universidades públicas e privadas portuguesas e instalar redes de parcerias com estrangeiros. Já falámos com a Noruega, temos uma abordagem interessante com o Canadá. A China também está interessada, bem como os países da CPLP e os Estados Unidos. Agora vai depender das negociações».

Durante a apresentação do projeto, que contou com a presença dos presidentes da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, e de Oeiras, Isaltino Morais, foi inaugurado um troço da Ciclovia do Mar, um caminho que, quando estiver concluído, ligará de forma quase contínua a zona da Expo a Cascais. Ambos os autarcas salientaram que o Ocean Campus é o arranque de um «tempo novo para o Tejo e para o Mar português», que vai mudar para sempre a ligação entre Lisboa e Oeiras.

A Ministra do Mar aproveitou ainda para deixar um apelo aos líderes das autarquias. «Que este seja um espaço quase livre de carros. Pode haver uma interface onde as pessoas podem deixar o carro, mas fora deste espaço. Aqui quer-se o uso de bicicletas, trotinetas e outros transportes próprios não poluidores»”. O Ocean Campus gerará uma receita anual de 6,8 milhões de euros, segundo as previsões.

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