JUNTOS VAMOS VENCER

0

As Câmaras Municipais têm desenvolvido várias ações de combate ao Covid-19. Hoje, por exemplo, Lisboa avançou com a montagem de um hospital de campanha, Oeiras criou dois centros de rastreio e Almada abriu espaço para acolher os sem-abrigo.

No dia em que a Autoridade Nacional de Proteção colocou em alerta laranja o distrito de Lisboa faz todo o sentido o slogan «Todos somos importantes para vencer este momento. Juntos vamos conseguir». Dando corpo a esta «palavra de ordem» criada pela Guarda Nacional Republicana, as Câmaras Municipais (entidades que desde o primeiro dia tomaram medidas importantes no combate ao Covid 19) estão a criar espaços para instalarem centros de rastreio (Lisboa foi o primeiro município da Área Metropolitana de Lisboa a montar centros de rastreio), acolherem pessoas sem-abrigo e a montarem hospitais de campanha.
Em Lisboa, no Estádio Universitário, junto ao Hospital Santa Maria, está a ser instalado o Hospital de Campanha COVID-19 que, a partir de sábado, terá capacidade para mais de 500 camas para acudir eventuais necessidades decorrentes da pandemia de Covid-19.
Com capacidade para 500 camas, o hospital ficará instalado em três pavilhões do complexo desportivo. Num dos relvados será ainda montada uma tenda com capacidade adicional para cem camas, precisou o reitor da Universidade de Lisboa, Cruz Serra, que afiança que o hospital de campanha estará apto a funcionar a partir de sábado, podendo receber, conforme as necessidades, doentes com Covid-19 ou com outras patologias, uma vez que se distribui por espaços independentes uns dos outros.
Hoje, o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, o presidente da Autoridade Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, Luís Pisco, o reitor da Universidade de Lisboa, Cruz Serra, e os administradores dos hospitais de Santa Maria, São José e São Francisco Xavier, estiveram no Estádio Universitário de Lisboa para acompanhar os trabalhos de montagem deste hospital de campanha.
Oeiras abre centro de testes
Por outro lado e, como agora, a ordem é «testar, testar, testar», como recomendou na segunda-feira o director-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), a Câmara de Oeiras abriu, hoje, centros de rastreio locais em Algés e Paço de Arcos. Recorde-se que, a Câmara de Lisboa foi a primeira, na Área Metropolitana de Lisboa, a criar dois centros de rastreio do Covid-19: um está no Parque das Nações, o outro no Lumiar. O primeiro pode fazer até 150 testes por dia, o segundo faz 200, podendo, eventualmente, chegar aos 300.
Em comunicado, a edilidade presidida por Isaltino Morais revela que, foram abertos, em conjunto com a Administração Regional de Saúde a Tenda de Triagem COVID-19 do ACES, junto ao Centro de Saúde de Paço de Arcos e uma área dedicada para Avaliação e Tratamento de Doentes (ADC) em Algés, no Palácio Anjos.
O Centro de Testes – ainda segundo o comunicado da edilidade – «conta com a parceria da Clínica Joaquim Chaves, sendo que os testes são gratuitos, mas condicionados a prescrição médica, pelos médicos de família do Agrupamento de Centros de Saúde de Lisboa Ocidental e Oeiras (ACESLOO)».
Refira-se que Oeiras dispõe também de um centro de testes COVID 19 destinado exclusivamente aos funcionários do Município de Oeiras e aos técnicos que se encontram na linha da frente, a funcionar na antiga Fundição de Oeiras.
Almada activa Plano de Emergência  e cria espaço de acolhimento em Almada
Já em Almada, onde também existem zonas de rastreio, as atenções estão centradas nos grupos de risco. E, por isso, foi aberto, também hoje, um espaço de acolhimento para pessoas em situação de sem abrigo.
Situado no Pavilhão do Liberdade Futebol Clube, na Cova da Piedade, este espaço de acolhimento vai receber, durante todo o Estado de Emergência, pessoas em situação de sem abrigo.
Com capacidade para 20 pessoas, esta resposta funcionará das 18 horas da tarde às 09 horas da manhã, oferecendo dormida, higiene, jantar, alimentação e acesso a banco de roupa.
O funcionamento será assegurado pela Câmara Municipal de Almada e por uma equipa de voluntários da Associação Gerações Sorrisos e ACEDA – Associação Cristã Evangélica de Apoio Social. As refeições serão fornecidas pelo Centro Paroquial Padre Ricardo Gameiro (jantar) e pela AMI (pequeno almoço).
As pessoas são encaminhadas para este espaço através das equipas de rua noturnas, que continuam a realizar o seu apoio diário à população sem abrigo, e também através das entidades do concelho que acompanham pessoas nesta condição.
Por outro lado, a presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês Medeiros, acionou o Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil (PMEPC), com efeitos a partir das 16 horas, do dia 25 de março de 2020.
Em comunicado, a autarca almadense afirmou que «esta é uma medida excecional, para tempos excecionais, sendo a primeira vez na história deste Município que tal acontece.»
A ativação do PMEPC «permite a centralização de toda gestão e coordenação no combate a esta situação pandémica, de forma a providenciar as condições e meios indispensáveis através de uma resposta mais rápida e mais eficiente.»
Inês de Medeiros lembrou que «os almadenses têm, na sua globalidade, cumprido com as recomendações e as regras definidas pelas entidades competentes», mas que ainda existem «demasiados casos do não cumprimento das normas decorrentes da declaração do Estado de Emergência – estabelecimentos abertos que não deveriam estar, munícipes que deviam estar recolhidos e não estão, e ajuntamentos que não deveriam acontecer e acontecem».
A autarca salienta que «não podemos esquecer qual é a principal arma nesta guerra: cada um de nós. E ninguém está dispensado das suas responsabilidades. Fique em casa. Cumpra as recomendações. Por si e pelos seus».
Rastreio do Covid-19 na Universidade Aveiro
Entretanto, a Universidade de Aveiro (UA) anunciou que vai realizar testes de rastreio à covid-19 em amostras biológicas recolhidas nos hospitais da região de Aveiro. Com capacidade para realizar até 200 rastreios por dia ao material biológico recolhido nos estabelecimentos de saúde e enviado para a Academia, a Universidade de Aveiro informa que os primeiros rastreios vão começar dia 30 de março no Instituto de Biomedicina (iBiMED), uma das unidades de investigação da UA.
«Estão reunidas na UA as condições ideais para ajudar a região na monitorização da covid-19», garante Artur Silva, Vice-reitor da UA para a área da Investigação.
Nos últimos 6 anos, a UA criou um conjunto de novos laboratórios de Medicina Molecular, incluindo laboratórios para o estudo de vírus respiratórios, tendo recentemente obtido um importante projeto da União Europeia no valor de 900 mil euros, na área da virologia, em parceria com as Universidade de Leiden e de Munique.
Os novos laboratórios do Departamento de Ciências Médicas (DCM), criados no âmbito do plano de desenvolvimento do iBiMED, assegura Artur Silva, Vice-reitor da UA para a área da Investigação, «reúnem as condições recomendadas pela Organização Mundial de Saúde para a realização de testes de rastreio do SARS-CoV-2».
Os testes serão realizados em quatro laboratórios com nível de biossegurança elevado (BSL2), com pressão negativa, ar filtrado com filtros HEPA, câmaras de fluxo laminar de nível de segurança BSL2 e sistemas de esterilização por UV. «Estes laboratórios têm ainda um sistema de esterilização térmica de material biológico que garante a destruição dos consumíveis, reagentes e amostras biológicas usadas no laboratório», refere o responsável.
ALERTA LARANJA PARA LISBOA, PORTO E AVEIRO
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) colocou em alerta laranja, o segundo mais grave da escala, os distritos de Lisboa, Porto e Aveiro. Os restantes distritos continuam em alerta amarelo. Recorde-se que, desde ontem, foi acionado o plano nacional de emergência de proteção civil, devido à pandemia do novo coronavírus, anunciou a secretária de Estado da Administração Interna, Patrícia Gaspar.
Em conferência de imprensa, o comandante nacional da Proteção Civil, Duarte Costa, disse que a decisão de elevar o estado de alerta deve-se ao facto de aqueles distritos serem os que apresentam mais riscos e mais casos de infeções.
A medida, prosseguiu, pretende mitigar os efeitos da pandemia e implica maior prontidão e disponibilidade dos meios da Proteção Civil.
«Fiquem em casa. Fiquem definitivamente em casa». É, no fundo, a grande mensagem deixada pelo comandante Nacional da Proteção Civil, no dia em que Portugal registou 2995 infetados e 43 mortos pelo novo coronavírus.
O responsável frisou «quando digo fiquem em casa é: fiquem definitivamente em casa. Havendo menos pessoas infetadas porque ficámos em casa significa que menos portugueses ficam doentes e menos portugueses vão morrer por Covid-19».
Nesta altura, dos 18 planos possíveis de ativar em território nacional continental, a Proteção Civil tem 10 planos ativos, nomeadamente Plano Distrital de Aveiro, Bragança, Coimbra, Faro, Guarda, Leiria, Porto, Santarém, Vila Real e Viseu. «Esta contabilidade não é final, pode modificar-se a qualquer momento. Há uma necessidade de ativar planos distritais que é avaliada a cada momento», adiantou esta quarta-feira na conferência de imprensa.
Na terça-feira, as autoridades já tinham ativado o plano nacional de emergência de proteção civil, numa reunião que decorreu na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, e que foi presidida pela secretária de Estado.
A secretária de Estado precisou que o plano nacional de emergência de proteção civil «está ativo neste momento». Este plano, explicou, é «um instrumento de gestão operacional fundamental para o sistema» de proteção civil e vai permitir «avançar naquilo que são os mecanismos de coordenação institucional e gestão operacional de uma forma mais concertada do que seria possível antes».
Patrícia Gaspar frisou que, neste momento, há uma situação de «absoluta exceção» que têm implicações «muito expressivas para a área da proteção civil», existindo já cerca de 50 planos municipais de emergência e proteção civil ativos e nove planos distritais.
Todo o sistema está a funcionar
De acordo com a governante, todo o sistema da proteção civil está a funcionar no âmbito da coordenação política e da coordenação operacional, onde existe ao nível local as comissões municipais, o empenhamento dos corpos de bombeiros e dos serviços municipais de proteção civil, além dos centros de coordenação operacional distrital estarem a funcionar e o centro de coordenação operacional nacional estar a reunir-se diariamente desde o início desta situação.
Segundo a página da internet da ANEPC, o plano nacional de emergência de proteção civil é um instrumento de suporte às operações de proteção civil em caso de iminência ou ocorrência de um acidente grave ou catástrofe que abranja o território de Portugal Continental, possibilitando a unidade de direção das ações a desenvolver, a coordenação técnica e operacional dos meios a empenhar e a adequação das medidas de caráter excecional a adotar.
A ativação do plano garante às autoridades, em caso de emergência, uma gestão mais eficiente e eficaz dos serviços e agentes de proteção civil.