“É daqui que são as varinas!”

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Apresenta-se sem calçado há 80 anos e não gosta que imitem a marca que distingue a sua marcha.

Este ano a Madragoa vai ter como padrinhos Bruno Cabrerizo e Teresa Guilherme, uma aposta de Rui Ferreira. É por marcharem descalços desde sempre que alguns contam histórias de noites em que dançaram sobre pionaises e chegaram a casa com os pés em sangue… Marchar sem sapatos é uma tradição que a Madragoa vai manter para sempre. Sempre que os outros copiam essa atitude, “é uma homenagem estrondosa que nos fazem, ao mostrarem que querem ser como nós”, afirma Rui Ferreira, Presidente do Esperança Atlético Clube e coordenador da marcha.

“Nenhum bairro tem tantas varinas como nós, nem nenhum tem uma rua dedicada em Ovar, como nós. A grande maioria das varinas de Lisboa estava na Madragoa. A nossa tradição das marchas de pé descalço e com varinas não é assim só porque sim. É porque elas estavam mesmo concentradas aqui. Isso está documentado. Todos os fados, músicas e documentários que falam de varinas falam da Madragoa”, acrescenta o Vice-Presidente, João Medeiros.

A direcção do Esperança sublinha que foi a Madragoa que introduziu nas marchas o pé descalço e o vira, desde 1932. É por isso que lhes custam os roubos de tradições, embora não façam nada contra isso. “Mas isso mexe connosco e afecta os nossos sentimentos”.

Mesmo com pés descalços e feridos, esta marcha tem nove títulos: 1932, 1935, 1940, 1950, 1964, 1965, 1966, 1991 e 1994. Apesar de todo o esforço e sacrifício, os marchantes garantem que “entrar no pavilhão a marchar é uma sensação única”.





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