MORREU AUTOR DO MONUMENTO AO 25 DE ABRIL NO PARQUE EDUARDO VII

0

«Ele incendiou o mundo, incendiava a arte», salientam os admiradores do escultor João Cutileiro que, hoje, morreu num hospital de Lisboa, vítima de complicações derivadas de um enfisema pulmonar.

Morreu o escultor e ceramista João Cutileiro, de 83 anos, autor do monumento ao 25 de Abril, instalado no topo do Parque Eduardo VII, em Lisboa. A causa da morte do artista terá sido complicações causadas por um enfisema pulmonar. Cutileiro estava internado no Hospital Pulido Valente, em Lisboa.

Escultor e ceramista português, João Cutileiro nasceu a 26 de junho de 1937, em Lisboa e, entre as várias obras que criou, o destaque vai para o Monumento ao 25 de Abril, no Parque Eduardo VII, em Lisboa, criado a convite da Câmara Municipal de Lisboa, numa altura em que João Soares era presidente da autarquia.

O antigo presidente da Câmara de Lisboa e ex-ministro da Cultura, João Soares, que «encomendou» o monumento ao 25 de Abril a João Cutileiro, já lamentou a morte do escultor, aos 83 anos, considerando a sua obra como «uma das mais interessantes na escultura portuguesa contemporânea».

«Houve quem não gostasse do monumento, mas eu gostei, e outros também gostaram. Para homenagear os Capitães de Abril tinha de ser alguém que fosse uma grande referência da escultura e com uma grande identificação com o 25 de Abril», defende o ex-autarca, recordando ainda que já os seus pais – Mário Soares e Maria Barroso – se «davam muito bem com Cutileiro, e havia convivência no atelier em sua casa».

«Era um homem com uma grande paixão pelo seu trabalho e frugalidade de vida. Muito culto, e com sentido de humor», descreveu.




João Cutileiro, nascido em 1937, em Lisboa, viveu e trabalhou em Évora desde 1985 e era irmão do diplomata e antropólogo José Cutileiro, que morreu há menos de um ano, em maio de 2020.

Entre as inúmeras obras que criou o longo de 60 anos de carreira destacam-se algumas mais polémicas como o Monumento ao 25 de Abril, instalado no Parque Eduardo VII, Lisboa, e o célebre Dom Sebastião que apresentou em Lagos, em 1970, em claro desafio aos canons conservadores do Estado Novo. A escultura em mármore de corrente figurativa foi uma das suas imagens de marca.

 

Quer comentar a notícia que leu?