Lisboa tem desde ontem, dia 3 de julho, uma rua com o nome do coronel António Marques Júnior, o mais jovem militar de abril a participar na revolução dos cravos que implantou a democracia em Portugal.O coronel Marques Júnior, uma das figuras incontornáveis da história recente portuguesa e que desempenhou um papel preponderante da revolução do 25 de Abril de 1974, faria ontem 73 anos de idade e, também por isso, a Câmara Municipal de Lisboa reconhecendo o papel decisivo desse militar de abril na implantação da democracia em Portugal decidiu «inscrever o seu nome na memória da cidade, atribuindo-o a uma rua na freguesia das Av. Novas o seu nome».

Marques Júnior – como lembrou o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues – foi um dos raros militares de abril a enveredar pela carreira política, tendo sido deputado pelo PRD e pelo PS.

Nas palavras do general Ramalho Eanes, primeiro Presidente da República eleito após o 25 de Abril, e do coronel Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril e um dos mentores revolução de Abril, «Marques Júnior era um homem de sentida e profunda responsabilidade social, que sempre se bateu para que o País se pudesse modernizar e democratizar-se, com justiça para todos».

Tanto o general Eanes como o coronel Vasco Lourenço, em declarações aos Olhares de Lisboa, recordam «a sua coerência com os  valores da democracia», salientando as suas «convicções fortes e genuínas».

Já o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, fez questão de referir que «esta é a homenagem ao homem que teve um papel fundamental e importante no 25 de Abril, devolvendo a liberdade aos portugueses».

O autarca defendeu que «não há sociedade com futuro que não honre o seu passado» e, por isso, a Câmara de Lisboa desenvolveu vários projetos, nomeadamente o memorial aos presos políticos, que recordam aos mais novos o que foi a revolução dos cravos e a sua importância na implantação da democracia em Portugal.

Por seu turno, o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, recordou os seus laços de amizade com Marques Júnior, salientando que este oficial de infantaria «foi sempre coerente com a defesa dos valores da liberdade, da democracia, da justiça social e da paz (os principais valores de Abril)», lembrando que este militar de abril foi «um dos expoentes máximos do MFA (Movimento das Forças Armadas), que dignificou com a sua ação».

Na cerimónia de descerramento da placa toponímica no bairro onde viveu, para além da viúva e da filha, respetivamente Luísa e Filipa Marques Júnior, estiveram presentes o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, o antigo Presidente da República, general Ramalho Eanes, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, o presidente da Associação 25 de Abril, coronel Vasco Lourenço, a vereadora Catarina Vaz Pinto e a presidente da Junta de Freguesia das Av. Novas, Ana Gaspar.

Um homem de convicções

Marques Júnior foi um dos intervenientes no 25 de Abril, tendo falecido em 2012, aos 66 anos. Foi membro da Comissão Coordenadora do Movimento das Forças Armadas (MFA), tornando-se no mais jovem elemento do Conselho da Revolução, ele que tinha realizado uma comissão em Angola entre 1971 e 1973.

Foi dirigente do Partido Renovador Democrático (PRD) e deputado por esse partido à Assembleia da República; depois da extinção do partido, foi eleito deputado pelo PS.

Marques Júnior foi o primeiro militar, em representação dos militares do 25 de Abril, a ser distinguido com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, em 1982, entre outras condecorações militares e civis que recebeu ao longo da vida.

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