No próximo ano, Lisboa vai ter um «novo cais» na zona do Terreiro do Paço, fruto das obras de requalificação e reabilitação da zona ribeirinha do Tejo, na zona da Estação Sul e Sueste, no Terreiro do Paço, e que implicam um investimento de 27 milhões de euros.A recuperação do icónico edifício da Estação Sul e Sueste, junto ao Terreiro do Paço, da autoria do arquiteto Cottinelli Telmo, já começou e, curiosamente, é uma sua neta, a arquiteta Ana Costa, a autora do projeto de reabilitação deste edifício inaugurado em 1929.

Hoje, a Câmara Municipal de Lisboa e a Associação de Turismo de Lisboa (ATL) apresentaram, na estação fluvial do Terreiro do Paço, o projeto de reabilitação ribeirinha, tendo revelado que «os dois pontões da Transtejo/Soflusa serão reforçados e, no quadro da reabilitação, serão instalados três novos pontões com passadiços.

Esses novos pontões, conforme explicou Vítor Costa, diretor geral da ATL, tem como principal missão «acolher as embarcações dos diversos operadores turísticos, num sistema de slots por toque que possibilita uma atividade regular e eficaz e uma utilização partilhada».

Para além da reabilitação do pontão da Doca da Marinha, com o objetivo de dinamizar «novas propostas de transporte fluvial». O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, fez questão de sublinhar que, no interior da Estação, «vai nascer o Centro Tejo. Um espaço de promoção da oferta cultural e turística dos municípios ribeirinhos do Tejo, servindo também como um espaço de valorização do rio e consciencialização ambiental».

Para José Luís Arnaut, presidente adjunto da ATL, a reabilitação desta zona ribeirinha, «é a maior operação de valorização do rio das últimas décadas e vai permitir tornar Lisboa mais atrativa e inovadora para os lisboetas e para quem visita a cidade».

Fernando Medina e José Luís Arnaut estiveram em sintonia ao referirem que «estas obras só são possíveis devido à criação da taxa turística», que permitiram angariar dinheiro para este investimento.

Na praça, a intervenção urbanística vai permitir recuperar os espaços públicos junto ao rio e ligar os percursos pedonais e cicláveis ao longo da frente ribeirinha.

Segundo Fernando Medina, «este é um grandioso projeto que permite dotar a cidade de condições únicas para a atividade marítima-turística, o transporte fluvial entre as duas margens do rio e a criação de espaços de lazer e equipamentos».

Do ponto de vista do autarca, «o novo cais de Lisboa devolve o rio aos lisboetas e permite a fruição plena do estuário do Tejo», sendo, sem dúvida, «um passo importante na valorização da cidade e na capacidade de inovação e diferenciação da sua oferta».

A jóia da coroa…

A data para a conclusão da empreitada, já iniciada, está prevista para o segundo semestre de 2019. No final, a joia da coroa, ou seja, a antiga estação, que durante décadas assegurou o acesso à estação de caminhos-de-ferro do Barreiro – de onde partia a ligação ferroviária para o sul do país – voltará às linhas originais projetadas em 1929 pelo arquiteto Cottinelli Telmo.

O projeto prevê a reinstalação dos azulejos que foram, entretanto, retirados das paredes, bem como a remoção de elementos que foram sendo acrescentados ao desenho original. Há anos em avançado estado de degradação, a estação do Sul e Sueste vai, assim, transformar-se num terminal de atividade marítimo-turística, de onde partirão os barcos para passeios no Tejo.

Da autoria de Ana Costa (neta de Cottinelli Telmo), o projeto prevê a instalação no edifício das bilheteiras de apoio às atividades náuticas de recreio, incluindo a substituição dos pontões já existentes por estruturas mais leves, bem como a introdução de um novo cais para embarcações turísticas. Prevista está também a edificação de uma área para cafetaria e outra para restauração, bem como uma Lisboa Shop, uma loja dedicada a produtos regionais da cidade. Por outro lado, vai ser criada a Bacalhau Story (uma homenagem a um símbolo da culinária, da cultura e da história da pesca do bacalhau), o Centro Tejo e um cais de Apoio à Atividade Náutica.

Além do edifício, também a zona envolvente está a ser reabilitada, o que passará por um aumento dos espaços verdes, pela aposta em percursos pedonais e cicláveis que facilitem a ligação do Terreiro do Paço ao Cais das Cebolas, e pela reconstrução do muro das namoradeiras, com os dois assentos que lhe são característicos, completando assim a reabilitação na zona lateral ao Cais das Colunas. A Praça em frente à estação vai também ter esplanadas.

«Nódoa negra» em Lisboa

Inaugurada em 1932, a estação Sul e Sueste foi classificada em 2012 como Monumento de Interesse Público. A reabilitação da gare fluvial, que foi desativada em 2011, é uma história que leva anos, e várias versões – chegou a ser admitida a instalação de uma Loja do Cidadão naquele espaço.

Em 2014, o então presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, referia-se ao estado do edifício como «uma vergonha para a cidade», uma «nódoa negra no Terreiro do Paço». Em setembro de 2016, a estação (que até então era propriedade da CP) passou para as mãos da autarquia, já com Fernando Medina a liderar a Câmara. O autarca, na altura, afirmou, como agora, que o estado de degradação da estação era «uma nódoa, uma ferida» na cidade, salientando que a reabilitação da estação Sul e Sueste como «a última peça do programa de requalificação da frente ribeirinha».

Com um investimento previsto de 27 milhões de euros, o custo das obras – quer da recuperação do edifício, quer do espaço exterior envolvente – será suportado pela Associação de Turismo de Lisboa, com 11 milhões de euros, entidade que ficará responsável pela futura gestão do espaço, e pelo Fundo de Turismo (criado pela cobrança da taxa turística), com 16 milhões de euros.

Vídeo oficial

Quer comentar?

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.