Odivelas está a celebrar os 21 anos de elevação a concelho, tendo os festejos principais ocorrido no Pavilhão Multiusos. Para todos, a luta por «Odivelas a Concelho» valeu a pena. Passadas duas décadas, o concelho mudou radicalmente.

O município de Odivelas comemorou o seu 21º aniversário com as melhores contas de sempre, tendo aliado o rigor financeiro ao investimento, referiu o presidente da Câmara Municipal de Odivelas, Hugo Martins, no decorrer das cerimónias comemorativas de mais este aniversário, destacando que o concelho é «muito atrativo para jovens casais».

Miguel Cabrita, presidente da Assembleia Municipal de Odivelas, que abriu a sessão solene comemorativa de mais este aniversário, considerou que «este é um momento de reflexão sobre o passado, mas é também, um momento de se pensar o futuro».

Na perspetiva do autarca, é «inegável o progresso económico e social do território», com benefícios reais «para a população», lembrando que esses progressos são demonstrados com a qualidade das «infraestruturas, com os transportes mais rápidos, com o ordenamento e a requalificação do território.

Miguel Cabrita, que saudou todos os que estiveram na elevação de Odivelas a concelho, salientou que o município «tem contribuído para uma maior e melhor centralidade da Área Metropolitana de Lisboa»

Passados 21 anos, todas as forças políticas e económicas estão de acordo: «valeu a pena lutar pela elevação a concelho». Manuel Varges, primeiro presidente eleito da Câmara de Odivelas pelo PS, dá o tom: «colocamos Odivelas na via do desenvolvimento, tanto económico como social».

Domingos Cabaço, do PSD, é da mesma opinião, afirmando: «já temos várias empresas de serviços sediadas no concelho». No entanto, lamenta a existência de várias lacunas no setor da higiene urbana nas quatro uniões de freguesias do concelho. A única voz discordante é a da CDU.

Painho Ferreira, que foi candidato a presidente de Câmara pela CDU, considera que existem atrasos no sistema de infraestruturas rodoviárias, continuando-se a «fomentar» a construção desenfreada e pouco se faz a nível social, sublinhando que não existe «um único lar para a terceira idade no concelho».

Por seu turno, Hugo Martins, presidente da Câmara, salienta: «Após duas décadas de profundas transformações e de um desenvolvimento assinalável, o concelho de Odivelas conquistou uma nova centralidade na Área Metropolitana de Lisboa».

O autarca, que utilizou figuras da mitologia romana para explicar o seu ponto de vista, salienta: «Odivelas é, agora, um território mais moderno, mais qualificado e com maior coesão. Estamos, hoje, dotados de excelentes acessibilidades e de modernos equipamentos e infraestruturas de âmbito educativo, desportivo, cultural e social». Para Hugo Martins, «todo este visível progresso motivou a atratividade de muitas famílias, que aqui têm vindo a fixar-se, tornando-nos no município com a maior taxa de natalidade de Portugal continental e o segundo município do país com a maior diferença entre o número de nascimentos e de óbitos».

É, por isso, que Hugo Martins afirma convictamente: «o caminho percorrido demonstra que, com a participação de todos, foi possível colocar Odivelas no rumo do progresso e do desenvolvimento», lembrando que «Odivelas foi eleita Cidade Europeia do Desporto em 2020, um desafio que assumimos com elevada responsabilidade e compromisso, tendo em vista continuar a apostar na atividade física como um importante mecanismo promotor de saúde, bem-estar e inclusão social».

Mais arrojo

O discurso de Hugo Martins é, de certa forma, contrariado pelo vereador Marcos Pina, do PSD.  Apesar de reconhecer algumas diferenças entre o que era Odivelas antes de ser concelho e o presente, o vereador carregou nas críticas ao executivo camarário: “Na ótica do PSD, a evolução podia ser muito mais acentuada. A gestão socialista precisava de ser um pouco mais eficaz, audaz e arrojada, e não tem sido.”

Por exemplo, refere que “estamos num concelho onde encontramos um espaço público completamente degradado. Onde a recolha dos resíduos, na forma que está, continua a haver lixo por todo o território. Esta é uma das lacunas identificadas por todos os munícipes do concelho”.

Noutra vertente, Marco Pina identifica várias potencialidades num “concelho que tem um vasto património cultural. Temos o D. Dinis sepultado em Odivelas. Aquele património, neste momento, é gestão municipal, e não sabemos qual é a gestão que o PS quer dar a este património.  Aquele local poderá catapultar Odivelas para outra dimensão. Ganhar uma centralidade que Odivelas ainda não tem”.

No âmbito social, o vereador do PSD identifica diversas “assimetrias municipais”: “Odivelas continua a não ter uma rede de acolhimento para idosos. Não há um único equipamento residencial para idosos em Odivelas. Não temos um centro de dia a funcionar os sete dias da semana, com refeições, para os nossos idosos”.

Outra situação que considera preocupante são “os bairros sociais como, por exemplo, o Barruncho. Aquele aglomerado habitacional de barracas, continua a existir na Póvoa de Santo Adrião e há muitos anos é prometido uma resposta de habitação social para aquelas pessoas”.  E, também, “os bairros sociais do antigo Governo Civil da Pontinha: o bairro Mário Madeira, o bairro Santa Maria, o bairro da Urmeira, todo aquele território continua completamente degradado. E aquelas pessoas precisam de dignidade para viver e, neste momento, ainda não há respostas para aquelas pessoas”.

Para Sandra Pereira, deputada municipal e deputada á Assembleia da República pelo PSD, Odivelas “é um jovem concelho às portas de Lisboa e que ganhou alguma identidade própria”.

No entanto, refere esta deputada, “em 21 anos as grandes questões estratégicas ficaram todas por resolver. Por exemplo, o estacionamento face ao Metro, os problemas da habitação, nomeadamente o bairro do Barruncho, que é um bairro problemático”.

Mas, Sandra Pereira, identifica “novos desafios, como os mosteiros de D. Dinis e S. Bernardo, que podiam ser um fator estratégico, impulsionador do turismo”.

“Há 21 anos, quando pertencíamos a Loures, o único investimento que existia no território de Odivelas resumia-se a uma piscina municipal, inaugurada uma década antes, e uma biblioteca municipal inaugurada um ano antes da elevação a concelho”, recorda Edgar Valles, vice-presidente da câmara.

No seu entender “21 anos depois este concelho mudou radicalmente, desde logo nas acessibilidades. Hoje estamos rodeados de autoestradas a toda à volta do nosso concelho”.

Restauro do Mosteiro

Responsável pelo pelouro da cultura, o vice-presidente da Câmara de Odivelas, Edgar Valles, sublinha que tem sido feito neste âmbito. “Tem havido um esforço deste executivo no que respeita à conservação e restauro do património histórico edificado”. Por exemplo, “estamos a meio da ação de restauro do túmulo do rei D. Dinis, que está sepultado em Odivelas. Agora que a câmara assumiu a gestão do Convento, vão ser lá instalados alguns serviços municipais”.

Também “os painéis do Senhor Roubado, quer o Cruzeiro, vão iniciar obras de restauro”, revela o autarca.

Na área da saúde, Edgar Valles revela que “gostávamos de receber as novas competências na área da saúde, já em janeiro de 2020. Infelizmente, e por divergência de números dos dados da ARS e dos nossos, não conseguimos fazer esses acertos e, portanto, deveremos assumir essas competências só em 2021”.

Sublinha que “o pessoal médico e de enfermagem não passará para as autarquias. Vão passar os assistentes operacionais, bem como tudo o que é conservação e manutenção dos edifícios”.

No entender do vice-presidente da câmara “vai ser um trabalho fácil, porque os nossos centros de saúde são todos novos. Os centros de saúde da Póvoa de Santo Adrião e da Ramada foram inaugurados há sete anos. No centro de saúde de Odivelas, inaugurado este ano, pagámos um terço da obra. E, brevemente, vamos iniciar a construção do novo centro de saúde em Famões”.

Valeu a pena…

Já Manuel Varges, o primeiro presidente de Câmara de Odivelas, considera que «valeu a pena a luta que se travou, há mais de 20 anos, para elevar a freguesia de Odivelas a concelho. «Na altura nada se fazia ou se investia no desenvolvimento de Odivelas. Éramos um simples dormitório de Lisboa. Hoje, tudo se alterou. Aos poucos e poucos, estamos a ter vida própria», afirma Manuel Varges.

Durante oito anos à frente do executivo odivelense, lembra que, ao fim destes anos, 80 % dos bairros de génese ilegal «já estão legalizados» e recorda que, quando receberam Odivelas, herdaram da Câmara Municipal de Loures uma dívida de 60 milhões de euros, mas, durante os seus mandatos, essa dívida foi sendo solucionado.

Manuel Varges, que considera importante a existência de laços fortes e coesos com a Câmara de Loures, salienta que Odivelas cumpriu grande parte dos objetivos que levaram à sua criação e que, aos poucos e poucos, está a entrar na «via do desenvolvimento económico, cultural e social», o que irá proporcionar melhores condições de vida aos seus habitantes.

Após defender que, nos seus mandatos, foram criados mais de trinta «piquetes de emergência dos bombeiros» e lançadas as bases para a criação de condições de desenvolvimento, Manuel Varge refere que o «atual e o anterior executivo odivelense estão a continuar a obra iniciada» durante a sua permanência à frente dos destinos do jovem concelho de Odivelas.

Identidade própria

Ligado à vida da autarquia odivelense desde o seu início, Domingos Cabaço, do PSD, antigo presidente de junta, partilha a mesma opinião que Manuel Varges, lembrando que «Odivelas sempre padeceu do componente betão, tendo sido um grande dormitório de Lisboa».

Mas, hoje, como reconhece: «Odivelas já tem espaços verdes e zonas de lazer, começando a construir uma identidade própria».

Do ponto de vista de Domingos Cabaço, os «objetivos e anseios que surgiram com a criação do concelho estão a ser cumpridos».  Contudo, como acrescenta, ainda existem «algumas lacunas na recolha de lixo e no abastecimento de água».

Mas, como adianta, o desenvolvimento socioeconómico do concelho é evidente e, por causa disso, várias empresas de serviços estão a instalar-se, promovendo o emprego dos residentes.

Já para Painho Ferreira, vereador da CDU, nem tudo é «um mar de rosas» em Odivelas. Apesar de considerar que «valeu a pena» a luta pela elevação a concelho, o vereador da CDU lamenta que, num concelho com 160 mil habitantes, não exista um lar público para a terceira idade.

Painho Pereira, que está insatisfeito com a atual política social do executivo municipal, adianta que não existem equipamentos direcionados para a infância.

Ler inquéritos de freguesia: 

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