O Governo admite recorrer à requisição civil, caso os serviços mínimos não sejam cumpridos durante a greve dos motoristas de matérias perigosas, tendo já divulgado a lista dos postos da rede de emergência.

Depois da falta de entendimento entre patrões e sindicatos, os serviços mínimos para greve dos motoristas vão ser decretados pelo Governo, que está também a preparar um plano de emergência. A Entidade Nacional para o Setor Energético já assegurou que Portugal tem reservas de combustíveis para 90 dias.

Os serviços mínimos vão ser decretados, através de um despacho conjunto do ministro do Trabalho, Vieira da Silva, e do ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos.

Pedro Nuno Santos assegura que estes serviços mínimos serão numa dimensão satisfatória e que o governo está preparado para lidar com a greve de 12 de agosto. Recorde-se que o ministro das Infraestruturas aconselhou os portugueses a abastecer os veículos de véspera. «Temos todos de nos preparar. O governo está a fazer o seu trabalho para evitar a greve, mas todos podíamos começar a precaver-nos, em vez de esperarmos pelo dia 12, que não sabemos se vai acontecer a paralisação», afirmou.

Com a ameaça de greve dos motoristas de matérias perigosas marcada para 12 de agosto, a Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE) definiu 325 locais onde vai poder abastecer caso a paralisação avance, tendo já divulgado a lista de postos disponíveis em caso de uma crise de combustíveis, apesar de ainda não terem sido divulgados os serviços mínimos para a greve dos motoristas agendada.

A Rede Estratégica de Postos de Abastecimento (REPA) é composta por 325 postos, dos quais 56 para viaturas prioritárias. São mais 16 postos do que na greve de abril. A lista é liderada pelo distrito de Lisboa com 48 postos, seguida do Porto com 41

Assim, os veículos em geral, na zona da Área Metropolitana de Lisboa podem abastecer na:

Amadora -Avenida Carlos Cumbre Tavares; Parque Neudel – Damaia e JUMBO Amadora  Av Lima de Freitas Parcela;  Azambuja Estrada Nacional nº 1 km 57,3 – Alcoentre , A.E.1 Km 44,000, EN 3, km 8,966 (Sentido Azambuja-Lisboa), Cascais – Estrada Mata da Torre; Lgar da Abuxarda, Pai do Vento; Av. Bombeiros Voluntários, n.º 48-A, Rua Florêncio Freire – Três Cantos, Trajouce; Lisboa – Posto De abastecimento BP Estrada da Luz; Avenida das Descobertas, posto BP ; Praça José Queirós, 2ª Circular sentido Sul/Norte Avenida Marechal Craveiro Lopes; Nova Rotunda Aeroporto de Lisboa – Av. de Berlim; Avenida do Santo Condestável – Bairro dos Loios; Av. Almirante Gago Coutinho; Av Eng. Duarte Pacheco; Avª Marechal Craveiro Lopes; Rua Frederico George – Eixo N/S – Sentido S/N; Loures – Estrada Nacional 115 Olival da Qta. Nova; Rua José Malhoa,1- Paradela; E. N. 10 – Km 138,4; Rua da Republica 4; Rua José Malhoa nº1; Lourinhã Rua Ildo Hermogenes da Silva Marques,1; Mafra Rua da Lagoa, 27 – Edifício Intermarché Malveira; Av. 25 de Abril – EN 116, km 35,650; Odivelas – Avenida Miguel Torga, Lote 2, Casal da Troca; Rua Sara Afonso, Lote AE10 (Cruzamento Avenida das Acacias); Quinta do Cebolim; Oeiras – Rua da Quinta do Salrego – Lote 12; Avenida Marginal – Largo de St. Amaro de Oeiras – (EN 6 Km 8,200); A 5 A. E. Lisboa/Cascais Km 9.6; Sintra – Gaveto da Av Gil Eanes e Av das Descobertas – Rinchoa; IC 19 (EN 249) Estrada Sintra-Lisboa – São Marcos;  A 16 – IC16 – km 2,600 a 3,100; JUMBO Rua Francisco Lyon de Castro; A16, km 9,500 – Sintra (lanço Lourel/Ranholas); A16, km 9,500 – Sintra (lanço Ranholas/Lourel); Sobral de Monte Agraço – Av. Marquês de Pombal Nº30; Torres Vedras – Rua António Alves Ferreira, Nº 2; Estrada de Nó de Ligação à A8; EN 9 – km 65,500; A 8 Km 12.07; Vila Franca de Xira – Qta. Drogas da Verdelha E.N.10; Estrada Nacional 1 – KM 25,5- Povos; EN 10 Km 131+200, Freguesia Forte da Casa; Setúbal – A. E. Sul A. 2 Km 68; Alcochete – Acesso Sul da Ponte Vasco da Gama Km 13.6; Almada – Estrada Vale Mourelos nº 20 Qta. Espadeiros; Av. Bento Goncalves; Via Rápida da Costa da Caparica – Casquilho;Lugar da Regateira, Via L-3 / A33 Montijo/Almada; Barreiro – E.N. Nº 10 Km18,5; E.S. Repsol Vila Chã; EN 378 Nº38 – Fernão Ferro; Moita – Largo da Estação – Rotunda da E. N. 11; Montijo – EN 5 km 3,700 a 3,900 (Apeadeiro de Sarilhos); Zona Industrial Pau Queimado – Rua da Azinheira; Palmela – E. N. 379 Bombas Lage-S.Julião; A2 – Km 31,200; Seixal – Rua Oliveira Martins; A2 – Km 12; Sesimbra – Est. Nacional 378; EN 378 – KM 23,700; Setúbal – Rua Engº Ferreira Dias; EN nº 10 km 24; Avenida Dr. António Rodrigues Manito; EN 10 – KM 47 PONTES

Ver mais locais de abastecimento para veículos em geral no site da ENSE

Racionamento de meio alimentares

Com o cenário de paralisação cada vez mais sério, acentuaram-se os apelos das associações da distribuição e da área alimentar. A APED – Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição quer que os supermercados e os hipermercados sejam incluídos nos serviços mínimos.

São vários os setores em alerta, desde que foi entregue, em meados de julho, o pré-aviso de greve dos dois sindicatos independentes de motoristas. A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) foi uma das primeiras a reagir à possibilidade de paralisação. Em declarações à Lusa, o presidente da CAP, Eduardo Oliveira e Sousa, afirmou que uma greve em pleno mês de agosto, altura da colheita de vários produtos, como por exemplo o tomate, a pêra-rocha e a uva para o vinho, pode constituir um desastre e não sabe se o Governo está consciente quanto à sua gravidade.

O dirigente da CAP considerou ainda que a rede de emergência para abastecimento dos postos de combustíveis anunciada pelo Governo não contempla as zonas rurais, esclarecendo que os seguros agrícolas não contemplam este tipo de situações e que a perda de uma colheita, fruto do trabalho de um ano inteiro, pode levar «milhares de pessoas à falência concreta».

Também a indústria farmacêutica solicitou ao Governo, no final do mês de julho, que inclua a distribuição de medicamentos nos hospitais e farmácias e a assistência técnica a equipamentos de análises clínica nos serviços mínimos decretados para a greve dos transportes de matérias perigosas e mercadorias.

Já o diretor da Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares (FIPA) alertou, na passada sexta-feira, para a possibilidade de racionamento de alguns alimentos, se a greve dos motoristas se prolongar.

«Não se pode negar que se houver perturbações na logística haverá também perturbação nas lojas», revelou Gonçalo Lobo de Xavier ao DN. A APED representa cadeias como o Continente, a Jerónimo Martins ou o Lidl.

Do lado das petrolíferas, a Apetro assegura que está a preparar «ações que possam mitigar os efeitos da greve», referiu António Comprido, secretário-geral.

A Anarec, a associação dos revendedores de combustíveis, considera “premente que seja garantida a segurança, no acesso aos postos de abastecimento, e às plataformas logísticas, dos motoristas que não adiram à greve, bem como daqueles que vão ser incumbidos de cumprir os serviços mínimos”, entende o presidente, Francisco Albuquerque.

Por outro lado, a ENSE avisa que irá proceder a uma monitorização aprofundada da forma de evolução do preço de venda ao público dos combustíveis a partir do próximo dia 12 de agosto, data para que está agendada a greve de motoristas de sindicatos de matérias perigosas filiados em três sindicatos.

«Tendo em conta o pré-aviso de greve, que prevê a paralisação dos motoristas de matérias perigosas a partir de dia 12 de agosto p.f., a Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE), no âmbito das suas funções de fiscalização e supervisão do setor petrolífero nacional, nas próximas semanas efetuará a monitorização de forma aprofundada da evolução dos preços médios de venda ao público dos combustíveis rodoviários registados junto do balcão único», garante um comunicado da entidade reguladora divulgado há minutos.

Segundo esse comunicado, assinado pelo presidente da ENSE, Filipe Meirinho, «apesar de estarmos num setor que se caracteriza por ser um mercado livre e onde a fixação de preços é da responsabilidade de cada operador, o certo é que, decretada a crise energética, tal implica a implementação de condições excecionais para abastecimento dos postos de combustível em território nacional».

O regulador adianta ainda que, além de continuar a ser disponibilizada diariamente no seu ‘site’ a evolução do preço médio diário comparando com o preço de referência da ENSE, «esta entidade publica procederá, adicionalmente, à monitorização dos preços médios por distrito e uma avaliação diária dos preços praticados pelos postos de Portugal continental, e, ainda, à identificação (no site oficial) dos postos de abastecimento que procedem ao aumento dos preços, sem qualquer justificação que não sejam as condições de mercado».

 

Quer comentar?

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.