PORTUGUESES DÃO NOTA POSITIVA A MARCELO REBELO DE SOUSA

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Como esperado, os portugueses deram nota positiva a Marcelo Rebelo de Sousa ao reelegerem-no, neste domingo, o Presidente de todos os portugueses. Marcelo Rebelo de Sousa, de 72 anos, que ocupará a Presidência da República por um último mandato de cinco anos, elegeu, no seu discurso de vitória, o combate à pandemia como a sua grande prioridade.

Marcelo Rebelo de Sousa foi, por esmagadora maioria, o vencedor das eleições presidenciais, marcadas desta vez por uma pandemia que arrastou o país para uma crise económica e social. No discurso de vitória, Marcelo, reeleito à primeira volta com vitória esmagadora em todos os distritos, elegeu como principal missão desta presidência o combate à pandemia, mas não esqueceu a luta contra a radicalização e o extremismo, defendendo que «é necessário esquecer as xenofobias, as exclusões, os medos instalados».

Apesar de uma abstenção recorde, o Presidente alcançou nestas eleições  60,70 por cento dos votos, sendo seguido por Ana Gomes, com 12,97 por cento dos votos, e André Ventura, com 11,90. Em quarto lugar nestas eleições ficou João Ferreira, o candidato apoiado pelo PCP, com 4,32 por cento dos votos, seguido por Marisa Matias, apoiada pelo Bloco de Esquerda, com 3,95, por cento, Tiago Mayan (Iniciativa Liberal), com 3,22, e Vitorino Silva (independente), com 2,94.

O Presidente reeleito dirigiu as suas primeiras palavras a todas as vítimas da pandemia de Covid-19 em Portugal, sublinhando: «a 2 de novembro, dia da evocação das vítimas da pandemia no Palácio de Belém, havia 2590 mortos. São agora 10469. Para eles, assim como para os mortos não Covid, destes quase 11 meses de provação, vai o meu, o nosso primeiro emocionado pensamento».

O Presidente da República disse ter retirado duas mensagens «muito claras» dos resultados eleitorais desta noite. A primeira é que os portugueses «querem mais e melhor em proximidade, em convergência e na gestão da pandemia». A segunda é que deve «tudo fazer para persuadir quem pode elaborar leis a ponderar a revisão, antes de novas eleições, daquilo que se concluiu dever ser revisto para ajustar situações como a vivida nesta pandemia».

Ainda com base nos resultados, Marcelo Rebelo de Sousa acredita que os portugueses «não querem uma pandemia infindável, uma crise económica sem termo à vista, um empobrecimento agravado, um recuo na comparação com outras sociedades, nem uma radicalização e um extremismo nas pessoas, nas atitudes, na vida social e política». Querem, antes, «uma pandemia dominada o mais rápido possível, uma recuperação de emprego e rendimentos», assim como o «combate à pobreza e à exclusão e um sistema político estável com governação forte, sustentável e credível». «Querem que a democracia constitucional responda aos dramas e angústias dos portugueses, mas uma democracia que respeite a Constituição, uma democracia democrática, não uma democracia iliberal, ou seja, não democrática».





Ainda no seu discurso de vitória, Marcelo Rebelo de Sousa relembrou que «dentro de três anos estaremos no meio século do 25 de Abril», considerando «inconcebível que se não possa dizer então que somos não só muito mais livres, mas também muito mais desenvolvidos, muito mais iguais, muito mais justos, muito mais solidários do que éramos no início da caminhada».

Antes desses três anos, «temos de reencontrar o que perdemos na pandemia, refazer os laços desfeitos, quebrar as barreiras erguidas, ultrapassar as solidões multiplicadas, fazer esquecer as xenofobias, as exclusões, os medos instalados», defendeu o Presidente, salientando que «temos de recuperar e valorizar todos os dias as inclusões, as partilhas, os afetos, as cidadanias esvaziadas pela pobreza, pela dependência, pela distância».

Para Marcelo Rebelo de Sousa, tudo isto começa no combate à pandemia. «Se a pandemia durar mais e for mais profunda, tudo o resto que queremos tanto correrá pior e durará mais», explicou. Por essa razão, «o mais urgente do urgente chama-se agora combate à pandemia», acrescentando «temos de fazer tudo o que de nós dependa, mas mesmo tudo, para travar e depois inverter um processo que está a pressionar em termos dramáticos as nossas estruturas de saúde».

Mas, para que este combate à pandemia seja sólido, Marcelo Rebelo de Sousa garante a sua «solidariedade institucional total com a Assembleia da República e o Governo, tentando envolver o maior número de partidos e parceiros económicos e sociais numa desejável conjugação coletiva».

«Não deixa de ser uma desafiante ironia do destino que essa missão, que é minha, que é vossa, que é nossa, possa continuar a contar como Presidente reeleito, com alguém que pertence a um grupo de risco, simbolizando que estamos todos unidos, os mais novos e os menos novos», declarou o vencedor destas eleições.

 

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