O «Santo de Lisboa» percorreu as ruas de Alfama sob o olhar de milhares de devotos, cumprindo-se assim uma das maiores demonstrações católicas da cidade: a procissão de Santo António.

Na passada quinta-feira, feriado em Lisboa, foi cumprida uma das maiores demonstrações católicas da cidade: a procissão de Santo António. Milhares de pessoas acompanharam o momento solene e até houve quem se emocionasse. Com a relíquia de Santo António na mão e junto ao peito, seguiu D. Américo Aguiar, o bispo auxiliar de Lisboa, que na chegada junto à Sé de Lisboa lembrou o exemplo de Santo António e dos franciscanos.

A imagem foi brindada com flores, enquanto alguns metros atrás seguiam as autoridades civis, entre elas Fernando Medina, o presidente da Câmara de Lisboa.

«Hoje é claramente o símbolo de Lisboa. Embora o padroeiro seja São Vicente, verdadeiramente, Santo António é o ícone da cidade de Lisboa e vamos ver hoje dezenas e dezenas de milhares de pessoas pelas ruas da cidade», disse o autarca.

Já o bispo auxiliar de Lisboa lembrou: «que também nós sejamos tocados por esse testemunho sempre, na simplicidade da nossa vida. Não temos de ter tudo para nós, à custa de menos para os outros. Deus providencia e providenciou tudo para todos, o problema é que alguns acham que é tudo para eles e mais nada para os outros. O nosso papel é sermos capazes de cativar no coração de todos para termos consciência disso mesmo».

O bispo auxiliar de Lisboa, aproveitou a ocasião, para deixar outro recado: Santo António é português, mas também temos de fazer por isso.

«Podemos ir a qualquer ponto do mundo, ao país mais estranho, que vamos encontrar uma imagem, uma capela ou um oratório dedicado a Santo António de Lisboa. Mas nós temos de fazer por isso. Ficamos chateados dizem Santo António de Pádua, mas nós temos de fazer por isso, todos nós, a cidade. Temos de ter orgulho de testemunhar que o António é nosso, não é só que a taça é nossa, é que o António é nosso», salientou D. Américo Aguiar, que se estreou na procissão de Santo António em Lisboa.

A Procissão de Santo António fez a primeira de seis paragens da procissão perto na Sé de Lisboa, onde se junta à procissão uma relíquia de Santo António e o Patriarca de Lisboa, seguindo a Rua de São João da Praça chega-se ao largo da Igreja de São João Baptista onde haverá nova paragem. Aqui, um andor com este santo entra na procissão. Já no Largo de São Miguel, junta o andor de São Miguel, o Arcanjo, «comandante supremo do exército de Deus e, por isso mesmo, sempre representado vestido com uma armadura, com espada e lança. Seguindo pela Rua da Regueira, nova pausa, nas traseiras da Igreja de Santo Estêvão onde o andor com a imagem deste diácono toma a dianteira da procissão. Seguindo pela Rua das Escolas Gerais, o atual percurso poupa a multidão à subida ao Mosteiro de São Vicente de Fora e é a imagem deste santo, do século IV, cujos restos mortais foram trazidos para Lisboa por D. Afonso Henriques, que também integra o cortejo. Que segue em direção às Portas do Sol e começa a descer a Rua do Limoeiro, parando logo a seguir à Igreja e Miradouro de Santa Luzia (à esquerda) para se concentrar na Igreja de Santiago Maior, no lado contrário da rua. É aí que a procissão fica completa, com o sexto andor, também este, como a maioria, "carregados por mulheres".

Cortejo completo, é tempo de todos os santos ajudarem na descida até à Igreja de Santo António, onde há sempre quem afirme que assiste ao milagre do sol.

 

Descarregue ( clique no azul)  e leia no seu computador, tablet ou telemóvel  Olhares de Lisboa | Edição de junho

 

Quer comentar?

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.