Miguel Coelho, presidente da junta de freguesia de Santa Maria Maior, denuncia a existência «no centro histórico há algum tráfico de droga e marginalidade, o que assusta as pessoas» e, inclusivamente, afasta os visitantes a partir de determinada hora

Na freguesia de Santa Maria Maior, situada em pleno coração do centro histórico de Lisboa, existem problemas associados a uma zona fortemente turística, nomeadamente tráfico de droga e alguma insegurança que essa situação transmite às pessoas. Quem o diz é o presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho que, em entrevista ao «Olhares de Lisboa», fala ainda da manutenção da calçada e de algumas obras que vão avançar na freguesia.

Miguel Coelho lembra que a rua do Remédios é, agora, uma rua segura, devido   à intervenção total feita pela junta, aproveitando a ocasião para anunciar uma reabilitação profunda dos passeios da rua da Madalena para os tornar mais seguros.

Olhares de Lisboa (OL) – Qual tem sido a política da freguesia em relação aos espaços verdes?

Miguel Coelho (MC) – Infelizmente, não temos uma grande área de espaços verdes na freguesia. Estamos num território com muito edificado, em pleno centro histórico de Lisboa. E, os únicos espaços verdes que temos é na zona da Ribeira das Naus e o Campo das Cebolas, que estão em razoáveis condições. Depois, há um terceiro jardim – parque infantil e de lazer – que criámos no largo do Recolhimento, no Castelo, elogiado por todos.

O nosso grande objetivo, neste momento, é que no Martim Moniz seja implementado um espaço verde/jardim.

OL – Alguns habitantes queixam de falta de manutenção, o que origina alguns incidentes.

MC – Fazemos manutenção da calçada. Temos equipas específicas para isso. Por natureza, a calçada por si só representa um perigo para os peões, porque é muito escorregadia, sobretudo quando chove.

Atualmente, existe um grande debate na cidade, nos pensadores políticos de Lisboa, sobre a permanência ou não permanência da calçada à portuguesa. Sou a favor quando for calçada à portuguesa. Quando não for calçada à portuguesa e for mera pedra, deveria ser recondicionada por um piso mais seguro.

A própria manutenção da calçada é muito precária, porque nós arranjamos hoje, mas amanhã está levantada outra vez.

A rua do Remédios é, agora, uma rua segura e foi uma intervenção total da junta. Também fizemos algumas intervenções de fundo no Chiado. E, agora, vamos fazer uma reabilitação profunda dos passeios da rua da Madalena para os tornar mais seguros.

OL – Vários habitantes mostram-se preocupados em relação aos despejos, designadamente da população idosa. A junta de freguesia tem sensibilizado a câmara para esta situação?

MC – Se não fosse a freguesia de Santa Maria Maior, e eu próprio, estávamos numa situação muito pior. Fui o primeiro deputado, quando estava na Assembleia da República, a levantar o problema da habitação, denunciando a iniquidade da lei Cristas e o perigo do alojamento local.

Tivemos um percurso de ano e meio, onde quase todos os dias se falava sobre este assunto. Tivemos uma iniciativa, a que chamámos os rostos dos despejos, onde mostramos as pessoas que iam ser despejadas. E foi isso que propiciou uma alteração da política do Governo, do grupo parlamentar do PS e dos outros grupos parlamentares que apoiavam a geringonça, para surgir um conjunto de legislação. Como, por exemplo, a moratória, proposta por mim, e que durou quase um ano, e que impediu o despejo das pessoas, até a lei Cristas ser expurgada das partes mais complicadas.

OL – Quais as principais prioridades até ao final do mandato?

MC – A prioridade constante é a defesa da qualidade de vida das pessoas. Temos um problema de ruído noturno constante, que não está nas nossas competências, mas pudemos chamar a atenção que temos esse problema.

Lisboa é uma cidade muito segura, mas concentra-se no centro histórico algum tráfico de droga e alguma marginalidade, o que assusta as pessoas.

A manutenção da nossa intervenção social, o nosso programa de obras de salvaguarda do espaço público são para continuar e tem tido resultados, permitindo uma melhor qualidade de vida. Já moram poucas pessoas no centro histórico. Se não lhes dermos qualidade de vida, vão-se embora.

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