SPORTING DE LUTO COM A MORTE DE MARIA JOSÉ VALÉRIO

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Morreu Maria José Valério, voz da «Marcha do Sporting». Tinha 87 anos e faleceu esta quarta-feira vítima de covid-19. Os touros, a música e o «seu Sporting» eram as paixões da cançonetista que protagonizou êxitos como «Olha o Polícia Sinaleiro» e «As Carvoeiras».

A cançonetista Maria José Valério, que deu voz à “Marcha do Sporting”, morreu esta quarta-feira em Lisboa, aos 87 anos, vítima de covid-19. A intérprete de “Menina dos Telefones” (1961) morreu no Hospital de Santa Maria, onde se encontrava internada.

Maria José Valério Dourado nasceu a 3 de maio de 1933, na Amadora, e era uma das adeptas mais conhecidas do Sporting Clube de Portugal. A madeixa verde que sempre tinha no cabelo era já uma imagem de marca. Apesar de nos tempos do Liceu D. João de Castro sonhar em tirar o curso de Direito, Maria José acabou por se deixar levar pela sua grande paixão, a música. Com a ajuda do tio, o maestro Frederico Valério – uma referência da música na altura – conseguiu passar numa audição na Emissora Nacional que lhe deu acesso Centro de Preparação de Artistas da Rádio.

Esse foi o ponto de partida de uma carreira que logo nos anos 50 viveu um período de grande sucesso, participando em vários espetáculos de variedades da Emissora Nacional, mas também nas emissões experimentais da RTP, feitas na Feira Popular, em Lisboa. Foi nesta altura que numa festa de aniversário do «seu» Sporting, que aconteceu no Cinema Tivoli, que estreou a célebre «Marcha do Sporting», canção que desde então nunca mais a descolou do universo verde e branco, acompanhada pela Orquestra Ligeira da Emissora Nacional, dirigida pelo maestro João Nobre.

Em 1962, fez parar Lisboa para assistir ao seu grande casamento com o matador de touros José Trincheira, conhecido pelo «Leão do Alentejo».

Casaram no emblemático Mosteiro dos Jerónimos pela mão do cardeal-patriarca Dom António Ribeiro e «o povo saiu à rua e Lisboa parou para ver um dos maiores casamentos de sempre», relatam os jornais da época, salientando que a «televisão transmitiu em direto e até se fez um pequeno filme deste badalado casamento para passar antes e nos intervalos dos filmes nos cinemas de Lisboa».


Desde o início do surto na Casa do Artista, durante o mês de janeiro, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) registou oito óbitos naquela instituição. Na altura, a ARSLVT salientou à lusa que, «como é habitual, a autoridade de saúde local, em articulação com a direção da Casa do Artista, determinou as medidas de Saúde Pública adequadas à situação, de acordo com as orientações da DGS (Direção-Geral da Saúde), como sejam a avaliação e a ativação do plano de contingência, testagem, confinamento dos casos positivos e separação dos positivos e negativos».

A 19 de fevereiro, a instituição, com cerca de 70 residentes e de 30 funcionários. tinha 33 casos ativos, cinco dos quais estavam internados.

Foto: Portal do Fado

 

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