Os moradores da União de Freguesias de Olival Basto e Póvoa de Santo Adrião, queixam-se dos cuidados de saúde e da recolha do lixo, mostrando inclusivamente o lixo que cobre, literalmente, a Rua Tenente-coronel Salgueiro Maia – um dos capitães de Abril.São armazéns e grandes lojas que marcam a entrada na freguesia da Póvoa de Santo Adrião e Olival Basto. Quem percorre esta freguesia, vê zonas mais escondidas, praticamente ao abandono, como é o caso da Quinta da Várzea, no Olival Basto. Ou o mercado da Póvoa de Santo Adrião, quase sem comerciantes e onde existe um restaurante anima um pouco aquele espaço.

Alguns habitantes resignam-se a este estado de coisas. Mas outros ainda reclamam. É o caso de Aurora Silva, 73 anos, que aguarda, impacientemente, a sua vez de ser atendida à porta do Centro de Saúde da Póvoa de Santo Adrião. É uma rotina a que já está habituada.

Mas, nem por isso, deixa de expressar a sua revolta por lhe terem dito “que tinha de vir para aqui às 6 da manhã, só para ter uma senha para apanhar a vacina. Isso é inadmissível nos dias de hoje, recusei-me a fazer isso”. Refere que este é, infelizmente, uma situação normal “as pessoas virem para aqui muito cedo para terem médico ou tomarem as vacinas”.

Por outro lado, esta moradora no Olival Basto, critica ainda o facto de: “A junta de freguesia ter dito que o nosso mercado vai encerrar até ao final do ano, porque vão construir prédios naquele sítio. E é lá que está o único multibanco do Olival Basto. Os reformados deixam de ter sítio para ir levantar dinheiro ou levantar as reformas, embora algumas pessoas ainda vão aos correios”, acuda esta moradora.

A situação do mercado do Olival basto foi discutida numa reunião da Câmara de Odivelas, realizada a 20 de março, tendo na altura o vereador Paulo César informado que nada estava ainda decidido. Deolinda Martins, vereadora do PSD e moradora no Olival Basto, informou que o presidente da junta e freguesia, Rogério Breia, lhe mostrou o projeto do que está pensado para o local, uma contradição em relação ao afirmado pelo vereador Paulo César, responsável pelo urbanismo da CMO, ao afirmar que nada está decidido.

Lixeira a céu aberto

A Quinta da Várzea, no Olival Basto, é um daqueles locais esquecidos do mundo, onde habitam poucas pessoas, na sua maioria em casas com poucas condições de habitabilidade. Encostada à ribeira que divide o território entre a Póvoa de Santo Adrião e o Olival Basto, os moradores deste pequeno bairro têm de conviver com uma “paisagem” composta pelo lixo espalhado, por viaturas abandonadas e enferrujadas e o risco de cheias, sempre que chove mais intensamente.

É Carla quem o confirma, enquanto toma conta dos dois filhos pequenos, junto à sua habitação. “Quando chove muito, entra água para dentro de casa por causa dos esgotos. O ano passado fiquei com tudo estragado dentro de casa. Tivemos que que tirar água com os baldes”.

Para além desta situação, Carla fala com revolta do estado em que está a rua. “Esta rua está uma miséria, cheia de buracos. Cada morador pagou 50 euros à senhoria para melhorarem isto e ficou esta miséria. Deviam alcatroar a rua, que está toda esburacada”, acusa esta moradora, ao mesmo tempo que recorda a promessa eleitoral do presidente da junta de freguesia de “alcatroar a estrada, mas, até agora, nada aconteceu”.

Um «reca quda» que também manda aos serviços camarários de recolha dos resíduos urbanos: “O lixo também se amontoa aqui e não vêm recolher”. Por isso, pede que resolvam a situação de insalubridade que tem junto a casa, bem como os riscos de inundação que tem na sua casa.

Uma queixa partilhada por Simões dos Santos, que mora mesmo no centro da Póvoa de Santo Adrião. “Aqui o problema principal é o da recolha do lixo. Muitas vezes demoram a despejar os caixotes do lixo”, refere, salientando que “existem dias certos para virem recolher o lixo, mas as pessoas não respeitam muito isso. E, depois, demoram muito tempo a fazer a recolha”.

Outra situação que também incomoda este morador tem a ver com os monos que são abandonados pelos moradores na rua. “As pessoas também deitam os móveis e outras coisas que não querem em casa, porque compraram coisas novas. Como a recolha dos monos é só às quintas-feiras, ficam ali os moveis ou os eletrodomésticos na rua junto aos caixotes do lixo”.

Aliás, o problema dos resíduos e da sujidade das ruas parece ser um dos assuntos que mais preocupa os habitantes desta freguesia. Como é o caso de Benilde Soares, que vive na rua Horta da Nogueira Grande.

Refere “nunca ter visto esta rua tão suja como está agora. No fim da rua as pessoas despejam lá os monos, que ninguém quer. Toda a gente manda lixo aqui para dentro do rio”.

E diz uma coisa óbvia: “Se pagamos os impostos, está na hora de eles (responsáveis autárquicos) tomarem uma atitude”.

Numa estranha ironia da história, há uma rua que “homenageia” um dos capitães de Abril mais conhecidos. A rua tenente-coronel Salgueiro Maia, que ladeia a autoestrada nº 8 no território do Olival Basto, está bloqueada de todo o tipo de lixo e entulho. Ao longo de toda a rua, de ambos os lados, e às vezes no meio da estrada, estão entulhos de obras, eletrodomésticos, colchões e tudo o mais que a imaginação alcança.

Num sítio onde estão alguns armazéns de empresas, a fiscalização é inexistente.

Ler declarações da Junta de freguesia da Póvoa de Santo Adrião e Olival Basto

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