Em Belém, os moradores pagam «bem caro» o facto de viverem numa zona super-turística e «recheada» de monumentos nacionais. «Tudo é caro nesta freguesia», desabafam.

A freguesia de Belém, zona turística de excelência da capital, enfrenta «um grande problema» na recolha de lixo que, nos últimos tempos, tem sido «irregular», levando à sua acumulação em alguns espaços públicos.

No entanto, apesar desse inconveniente, alguns moradores referem, como positivo, o novo sistema de contentores subterrâneos.

Mas, como salientam, viver em Belém pode ser um privilégio para muitos. Contudo, apesar de ser a única freguesia de Lisboa que não tem bairros sociais – para além de ser tipicamente associada a uma classe social mais favorecida – em Belém também há «pobreza envergonhada».

Muitos defendem que os dois maiores problemas da freguesia são a pobreza escondida e o isolamento dos idosos. Existem muitas famílias que «não eram ricas, mas viviam razoavelmente bem e que, por vários motivos, acabaram por ficar em situações difíceis», revelam.

Mas ser a zona mais turística da capital, com diversos monumentos nacionais, a proximidade do rio e a localização, tem custos bastante elevados. Por exemplo, o preço das habitações, que atingem aqui valores muito elevados.

Independentemente dos custos financeiros, a maioria dos moradores consideram que esta freguesia, que não se circunscreve apenas à zona monumental, tem locais onde impera o sossego e a calma. Algo que privilegiam.

Além de estarem bem servidos por transportes e terem uma zona comercial relativamente desenvolvida, os habitantes reclamam, no entanto, alguma atenção dos poderes públicos para algumas faltas: inexistência de parques infantis na proximidade e falhas na limpeza urbana.

Próximo de tudo e de todos…

Jorge Costa, de 22 anos, comerciante e morador na Rua dos Jerónimos, está a viver em Belém há cinco anos por Belém e não está nada arrependido. Já mudou de residência diversas vezes: “Já morei em Oeiras, Cascais e Arruda do Vinhos, e sinto que esta é a zona que mais gosto de viver”. As razões que aponta para esta preferência são “a proximidade com o centro da cidade e, ao mesmo tempo, não deixa de ser um local calmo para estar e viver”.

As vantagens que aponta são várias: “Há transportes, há comércio, há centros comerciais, há cinema. Nós temos tudo aqui perto e isso é uma vantagem fascinante, porque moramos num sítio próximo de tudo”.

Mas nem tudo é um mar de rosas. Para Jorge Costa “a aposta na cultura é fraca. Não há um teatro que possamos utilizar. A área cultural podia ser mais ativa.”

A mesma opinião é partilhada por António Queiroz, 38 anos, engenheiro, da Rua João Bastos, que também considera que Belém “é um ótimo sítio para viver, muito bem localizado e é muito calmo”.

Segundo António Queiroz, o bairro tem todos os serviços “que são essenciais. Mas diria que, às vezes, é um pouco mal servido ao fim do dia. À noite, a nível de vida noturna, tem pouca oferta aqui nesta zona». No entender deste morador esse é o preço a pagar para ter a calma que desfruta.

Todavia, considera que há algumas coisas que poderiam melhorar e que estão em falta, como “parques infantis. «Tenho dois miúdos pequenos e, às vezes, termos que sair daqui para ter parques com condições”, salienta.

Sossego é de ouro

Para Maria de Carvalho, 70 anos, reformada, da Rua de Pedrouços, é um bom bairro para viver, “porque é sossegado”. Apesar de se queixar do elevado custo de vida para quem vive no bairro, adora «viver no bairro”. Mas, «o mais complicado é o dinheiro», sublinha, elogiando a «fartura» de cafés e restaurantes, que lhe possibilitam conviver com as amigas.Já António Santos, de 82 anos, reformado, morador no Largo da Princesa há muitos anos e criado desde a sua infância em Belém, não poupa nos adjetivos para qualificar o bairro: “É a melhor zona para se viver em Lisboa”. E adianta essas razões de uso: “Tem a Torre de Belém, podemos ir a pé até à Junqueira, os Jerónimos”.

Quanto a carências este morador sublinha a necessidade de existir uma casa de banho pública e também maior limpeza urbana nas ruas.

Arrendamentos supercaros

A facilidade de ter tudo o que precisa para o seu dia-a-dia num curto raio de distância, leva Otília Martins, doméstica, a morar na Rua Bartolomeu Dias, a considerar um ótimo sítio para viver. “Tem supermercados, tem transportes, tem o Tejo”. Estes são os aspetos positivos.

Mas que trazem consigo o outro lado da moeda, que é o preço da habitação “que ´muito cara”, sublinha esta habitante de Belém.

Para Otília Martins não há nenhum serviço que esteja em falta no bairro. Todavia, contesta as obras que interrompem a Rua Bartolomeu Dias e que a impedem de utilizar os transportes públicos.

A freguesia

A Freguesia de Belém, que já foi concelho autónomo entre 1852 e 1885, foi criada no âmbito da reorganização administrativa de Lisboa de 2012 que entrou em vigor após as eleições autárquicas de 2013, resultando da agregação da antiga freguesia de Santa Maria de Belém com a quase totalidade do território da antiga freguesia de São Francisco Xavier, esta última após ajustes nos limites com a vizinha freguesia da Ajuda.

Entre os vários monumentos e locais de interesse a visitar, o destaque vai para: Mosteiro dos Jerónimos; Torre de Belém; Museu da Marinha; Planetário; Centro Cultural de Belém; Palácio de Belém; Monumento aos Descobrimentos; Monumento aos Combatentes do Ultramar.

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