A Rodoviária de Lisboa, operador da Carris Metropolitana na Área 2, apresentou, no dia 15 de outubro, 37 novos autocarros 100% elétricos. As novas viaturas vão reforçar a frota que serve os municípios de Loures, Mafra, Odivelas e Vila Franca de Xira. Em declarações ao “OL”, o presidente da Câmara de Loures, Ricardo Leão, elogiou a medida, mas lembrou que Loures precisa de mais transportes públicos internos a nível concelhio. O autarca comprometeu-se a não deixar cair em saco roto esta reivindicação antiga dos lourenses.
A Rodoviária de Lisboa, operador da Carris Metropolitana na Área 2, apresentou esta quinta 37 novos autocarros 100% elétricos. As novas viaturas vão reforçar a frota que serve os municípios de Loures, Mafra, Odivelas e Vila Franca de Xira.
Com a chegada destes veículos, conclui-se uma segunda fase de eletrificação da operação da Rodoviária de Lisboa, que passa a ter 77 autocarros elétricos em circulação, representando cerca de 14,5% da frota afeta à Área 2.
Carlos Humberto de Carvalho, presidente da Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML), destacou a evolução do serviço: “A chegada de novos veículos elétricos na Área 2 desde 2023 evidencia uma evolução muito concreta, numa operação que transportou 63,4 milhões de passageiros só em 2025. Enquanto a frota em 2023 contava com 5% de veículos amigos do ambiente, em 2026, o número já se encontra próximo dos 15%”.
“Precisamos de mais transporte. E temos que oferecer mais transporte”, afirmou Carlos Humberto, defendendo o reforço da oferta de transporte público para responder às necessidades da população.
Os novos autocarros contam com autonomias estimadas de até 300 e 400 quilómetros, consoante o modelo, permitindo assegurar diferentes trajetos sem interromper a operação.
Além disso, a tecnologia integrada permite recuperar energia durante a travagem e desaceleração, reduzir custos e exigências de manutenção no motor e caixa de velocidades, e proporcionar uma condução mais suave e silenciosa, diminuindo o ruído nas zonas urbanas.
O anúncio foi feito durante uma cerimónia de apresentação da nova frota da Carris Metropolitana nas instalações da Rodoviária de Lisboa, em Santa Iria de Azóia, no concelho de Loures, que incluiu uma viagem experimental numa das viaturas.
Falta espaço nos terminais rodoviários
O responsável sublinhou ainda que a entrada de mais viaturas nas rotas vai contribuir para aumentar a capacidade da operação e para reduzir o impacto ambiental dos transportes públicos. Ainda assim, o presidente da TML alertou para as dificuldades em aumentar a oferta devido à falta de espaço nos terminais rodoviários de Lisboa, apontando os casos do Oriente, de Sete Rios e de Entrecampos.
“Todos os terminais estão com dificuldades e nós hoje não estamos a fazer algumas carreiras e alguns horários porque não temos sítio onde parar. Não é seguro”, criticou.
Carlos Humberto indicou ainda que a TML está a procurar autorização do Tribunal de Contas para aumentar a oferta, uma vez que os limites previstos no concurso inicial já não são suficientes para responder às necessidades identificadas.
O responsável prevê que a oferta possa continuar a crescer durante este ano e em 2027, através das alterações na rede, da criação de serviços e do reforço de horários, embora a dimensão desse crescimento dependa das condições de circulação, da disponibilidade de terminais e da existência de motoristas.
O presidente da TML defendeu igualmente a criação de corredores dedicados ao transporte público e a adoção de soluções que permitam melhorar a circulação dos autocarros, incluindo sistemas de prioridade semafórica.
No que respeita à transição energética, Carlos Humberto de Carvalho indicou que os autocarros elétricos representam atualmente cerca de 15% da frota da Carris Metropolitana, uma proporção superior à registada no início da operação. O responsável apontou como objetivo a eletrificação integral da frota até 2030, reconhecendo, contudo, que a concretização dessa meta depende da capacidade de investimento.
A secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias, enquadrou os 37 autocarros num investimento de 16 milhões de euros, integrado num montante de 45 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) destinado à renovação da frota de transporte público na Área Metropolitana de Lisboa.
A governante destacou ainda a importância da renovação da frota para a descarbonização dos transportes, considerando que “cada novo autocarro significa uma viagem limpa”. Cristina Pinto Dias sublinhou que o objetivo passa por aumentar a quota de utilização do transporte público para mais de 20% em 2031, no quadro das metas de mobilidade sustentável e de neutralidade climática.
Leão aplaude, mas critica falta de transportes que liguem internamente o concelho
Ricardo Leão, presidente da Câmara Municipal de Loures, marcou presença na cerimónia. Em declarações ao “OL”, o autarca considerou que a vinda de mais autocarros elétricos traduz uma resposta para a descarbonização do território, representando, também, a presença de mais frota de autocarros que irá permitir a possibilidade “de mais pessoas aderirem aos transportes públicos”, um dos “grandes objetivos da criação dos transportes metropolitanos de Lisboa”.
“Em Loures, já melhorámos muito a oferta de transportes públicos. Estes 37 autocarros vão servir uma zona muito em particular, sendo muito impactante esta nova oferta de transporte público para os moradores”, afiança.
Ricardo Leão defende, por outro lado, que a redução substancial do preço do passe navegante já estará a surtir efeito nas políticas de promoção do transporte público como verdadeira alternativa ao transporte individual. “O facto de as pessoas pagarem 20 euros e poderem andar de autocarro, metro ou no comboio representou um alívio para a carteira das pessoas. O passe gratuito para estudantes – a minha filha estuda numa escola do concelho e já usa o passe da Carris Metropolitana – foi um descanso para os pais e os próprios alunos”.
Segundo o autarca, o concelho de Loures tem hoje uma rede de transportes que responde à demanda dos moradores. “Temos vários autocarros de Loures para Lisboa e vice-versa para as pessoas irem para os seus trabalhos e regressarem a casa no final do dia. De facto, havia uma grande lacuna na oferta de transportes aos fins de semana e durante a madrugada, porque há muitas pessoas que trabalham por turnos e não tinham forma de voltarem para as suas casas. Mas conseguimos aumentar a oferta e resolvemos esse problema, conseguindo inclusive aumentar a procura”.
Pese embora a melhoria da oferta de transporte público para a cidade de Lisboa, o autarca reconhece que concelho de Loures ainda não conseguiu resolver a falta de oferta para as deslocações dentro do concelho. Mas mantém-se otimista e diz que vai continuar a batalhar pelo aumento da oferta de mais transportes internos no território de Loures.
“Bem sei que a Carris Metropolitana diz que a procura não justifica o investimento. Porém, em bom português, digo: Quem come a carne também tem de roer os ossos…”, atira.


