Carlos Moedas considera postura do PS na “partidarização” do acidente do Elevador da Glória como atitude “vergonhosa”

À margem da entrega de chaves de novo edifício de renda acessível, em Marvila, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, prestou declarações aos jornalistas sobre o sistema Volta e o “consequente” aumento do consumo de droga em Lisboa. O autarca considera a “politização” acidente do Elevador da Glória como algo “vergonhoso” e diz que o PS de Lisboa se converteu “num partido populista”.

Questionado sobre a polémica das “conversas” levadas a cabo com as vítimas do acidente no Elevador da Glória, o autarca considerou, esta terça-feira, “ofensiva e vergonhosa” a pergunta sobre se, afinal, falou ou não diretamente com as famílias das vítimas do acidente no Elevador de Glória. O autarca esclarece que o contacto foi feito através das embaixadas e voltou a criticar o PS, considerando-o “um partido populista que dramatiza e politiza uma tragédia”.

A concelhia do PS de Lisboa fez circular um vídeo, nas redes sociais, com declarações de Carlos Moedas, no ano passado, a garantir que tinha contactado todas as famílias, e outras afirmações, já este ano, em que o autarca da capital disse que não podia falar com as famílias, porque a lei de proteção de dados não o permite. A vereadora socialista Alexandra Leitão pediu, por isso, ao presidente da Câmara lisboeta para que falasse a verdade.

No mês passado, os familiares das vítimas escreveram uma carta aberta, em inglês, na qual acusavam a autarquia de não dar respostas e não manter o contacto.

No dia 6 de outubro, o autarca foi novamente confrontado com a pergunta: falou ou não diretamente com as famílias? Considerando a questão “ofensiva e vergonhosa”, Carlos Moedas repetiu que a lei não lhe permite ter os dados das famílias e alegou que, desde o primeiro momento, afirmou que o contacto seria feito através das embaixadas.

“Sejamos claros, falámos com as famílias das vítimas, tive muitas delas na Câmara Municipal, mas desde o primeiro dia que disse: através das embaixadas, através daquilo que é a Santa Casa da Misericórdia, porque eu não posso ter os contactos diretos por uma questão de proteção de dados. Todas as famílias que quiseram ser contactadas foram contactadas, aquilo que eu não admito é dizer que não houve esse contacto, porque houve esse contacto, que foi feito por mim mais de 10 vezes por mim”, assegura, criticando a “partidarização e politização de uma tragédia” feita pelo PS de Lisboa, que “chegou a um nível muito triste”.

O autarca dá ainda o exemplo do memorial construído para homenagear as vítimas, que foi feito com a ajuda do “contacto” com os familiares, “para saber se era de acordo com a vontade das famílias”.

Carlos Moedas recorda o caso da família alemã, que foi uma das que se queixou de não ter tido nenhum contacto: “Fui eu próprio que quis contactar a família, tive de contactar a família através da embaixada da Alemanha. A embaixada da Alemanha é que falou com a família, portanto a família sabia que poderia contactar com o presidente da Câmara, como sabiam todos os embaixadores que contactaram com as famílias desde o primeiro dia”.

O presidente da autarquia de Lisboa acusa o Partido Socialista de ser um “partido populista”, que “dramatiza e politiza uma tragédia”. “É a política do grau zero a que chegámos, e eu pergunto: é essa a questão mais importante neste acidente? A questão mais importante não será saber a verdade? Não é isso que deveríamos estar focados? Portanto, isto é o grau zero da vergonha da política em Portugal que estamos a viver, através do Partido Socialista, que se torna aqui num partido populista”, reitera.

O autarca considera ainda a pergunta “ofensiva para as famílias”, criticando “o papel vergonhoso dos comentadores do PS”. E recusou prestar mais declarações sobre o assunto. “A resposta está dada. A minha disponibilidade foi de 24 horas por dia”, atira.

Volta “agravou” problema de toxicodependências

Relativamente à polémica sobre o sistema Volta, o autarca reitera que a CML estava a “tomar medidas” para resolver os problemas de recolha lixo, pondo na rua as equipas da higiene urbana “6 dias por semana”. Contundo, a recolha de embalagens dos ecopontos, “trouxe um problema em cima daquele que estávamos a resolver”, gerando “um drama social” que “fez com que algumas pessoas abandonassem os programas de apoios sociais para apanharem garrafas e continuarem na adição da droga”, tornando a recolha “em dinheiro fácil para os toxicodependentes”.

O presidente da Câmara assume que “foi o primeiro a avisar para o problema da segurança em Lisboa”, registando que o “preços das drogas está muito baixo” e o Volta “agravou este problema” de toxicodependência na cidade.

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