Centro de Dia da Sagrada Família da Pontinha supera dificuldades e reabre portas

O Centro de Dia da Sagrada Família, na freguesia da Pontinha, Odivelas, abriu hoje portas após obras de requalificação. A cerimónia contou com a presença dos responsáveis da AOASSVP, a vereadora Susana Santos, o presidente de Junta, Jorge Nunes e figuras da sociedade civil. A vice-presidente da Associação, Sónia Vaca Santos, que tutela este Centro de Dia, destaca que as obras transformaram o espaço num lugar “de dignidade” para os utentes e os funcionários. A vereadora Susana Santos diz que a reabertura do espaço representa o reconhecimento do papel daqueles que ajudaram a construír o país e que, agora, precisam de ser cuidados.

Após uma série de dificuldades financeiras, as instalações do Centro de Dia da Sagrada Família, na Pontinha, foram hoje inauguradas. Com 52 anos de vida, este centro de dia esteve em risco de fechar portas. Mas a comunidade da freguesia uniu-se e a direção da AOASSVP e do próprio Centro articularam esforços, conseguindo resistir aos fantasmas da insolvência.

Em declarações ao “OL”, Sónia Vaca Santos, vice-presidente da Associação das Obras Assistenciais da Sociedade de São Vicente de Paulo (AOASSVP), reconhece que o Centro passou por momentos delicados, tendo “estado quase a encerrar” por falta de verbas, mas a Associação “fez um esforço extra” para manter a porta aberta do Centro de Dia, conseguindo reunir as verbas necessárias para as obras de requalificação de um espaço contruído há mais de meio século –abrangeu a renovação das condições gerais do edifício, designadamente isolamento térmico e acústico do edifício.

Para a responsável, a requalificação teve um impacto significativo na melhoria geral das condições do imóvel. “Neste momento, temos um Centro com condições de dignidade para os nossos utentes. Temos um edifício quente, limpo, acolhedor, que oferece mais espaços interiores e exteriores para atividades. Com esta intervenção, o Centro de Dia ganhou uma nova vida”, defende.

Sónia Vaca Santos salienta o envolvimento e apoio da Câmara de Odivelas e da Junta da União de Freguesias da Pontinha e Famões, “que são sempre fantásticos no seu apoio”, mas também com muitas parcerias da sociedade civil.

O Centro de Dia serve de “segunda casa” para 60 utentes e mais de 40 em regime de apoio domiciliário.

Sónia Vaca Santos sustenta que o próximo desta associação passa por prestar apoio aos cuidadores que tratam de pessoas em casa.

Retribuir a quem já muito deu

A vereadora da Câmara de Odivelas, Susana Santos, usou da palavra para enaltecer, em especial, aos utentes que procuram “conforto e cuidado” na instituição, reconhecendo que “nem sempre” se dá o valor devido aos trabalhadores deste setor, cuja importância “é fundamental” para preservar o ciclo de solidariedade social entre gerações.

Dirigindo-se aos utentes, a autarca sublinhou que a inauguração representa um ato de fraternidade intergeracional para com aqueles que ajudaram a construir o país num passado recente. “Estamos aqui a retribuir aquilo que vocês já fizeram por nós, que cuidaram deste país e desta geração, vindos de um tempo muito diferente daquilo que é hoje”, transformando o país “num lugar, que não é perfeito, mas é certamente muito melhor do que no vosso tempo de juventude”.

Susana Santos destacou ainda a presença das entidades presentes na iniciativa, salientando a presença das forças vivas “de toda a comunidade”, nomeadamente o Clube Motard da Pontinha, lembrando que, para educar uma criança “é precisa toda uma aldeia”, tal como “é necessária uma cidade inteira para cuidar de quem mais precisa”, destacando que esta conjugação união “reforça o elo para quem necessita de ser cuidado”.

Em nome da Câmara de Odivelas, a vereadora reconheceu “não ter sido possível” fazer um edifício “novo e de raiz” conforme o pretendido pela autarquia. Mas manifestou disponibilidade para continuar a apoiar “toda a atividade que aqui é feita”, pois “é assim que se constrói uma cidade mais justa e coesa”.

O diretor do Centro, Gonçalo Carvalho, considerou que a inauguração celebra, também, “52 anos de afetos e dedicação à nossa comunidade”. “Ao longo destes anos, através das nossas respostas sociais para a comunidade, temos procurado fazer a diferença na vida de quem mais precisa, proporcionando cuidados, conforto, e acima de tudo, dignidade”.

Para o diretor, esta nova etapa na vida da instituição “representa a vontade de continuar a crescer e de oferecer melhores condições aos nossos utentes e colaboradores, sem nunca perder a proximidade, o carinho e o espírito de família. Porque são os nossos utentes que, com as suas histórias, os seus sorrisos, as suas experiências e a sua sabedoria a verdadeira razão da nossa existência”.

Agradecendo a presença e a colaboração da Câmara, Junta de Freguesia e o Moto Clube da Pontinha, Gonçalo Carvalho fez votos para que a instituição continue a ser lugar de encontro, partilha, mas sobretudo “de muito amor”, cumprindo, assim, a missão para a qual levantou paredes há 52 anos.

O presidente da União de Freguesias da Pontinha e Famões, Jorge Nunes (PS), salientou que “esta grande instituição” tem desempenhado um papel de “grande relevo social” no território ao longo da sua história.

E manifestou gratidão para com aqueles que continuam a executar a missão mais nobre que existe: “Cuidar daqueles que mais precisam e que, muitas vezes, permanecem invisíveis numa sociedade cada vez mais egoísta”, afiançou, acrescentando que a autarquia vai continuar a apoiar o Centro com parcerias em prol do bem-estar dos utentes.

Homenagem ao “general de coração de ouro”

No discurso oficial, Sónia Vaca Santos considera que a intervenção no espaço resultou da melhoria da qualidade de vida dos utentes, mas também as condições de trabalho de quem cuida dos utentes.

A dirigente lembrou ainda as dificuldades que têm ensombrecido a instituição nos últimos anos, reiterando, porém, que a Associação fez das tripas coração para manter em atividade o Centro de Dia Sagrado Família.

“Para muitos dos nossos utentes, é muito mais do que lugar onde passam o tempo, esta casa é família. Há tempos, uma das nossas utentes de um lar disse-me estas palavras: ‘Eu sabia que, um dia, iria esquecer de tudo, mas não sabia que todos se iriam esquecer de mim’. Uma semana depois, esta senhora morreu, mas não morreu sozinha porque estávamos com ela no momento da partida”.  Para Sónia Vaca Santos, uma das missões mais importantes da Associação é justamente combater um dos grandes males da sociedade atual: a solidão.

Em declaração final emotiva, a responsável agradeceu as ajudas institucionais para o Centro continuar de portas abertas, relevando a “energia inesgotável e resiliência de Gonçalo Carvalho, um general de coração de ouro e verdadeiro líder” apontando-o como força motriz e sustentáculo maior de uma causa social que continua a ser o porto de abrigo de cerca de 100 idosos da Pontinha.

A inauguração contou com a bênção do edifício, feita pelo pároco local, mas também com um momento inusitado: os elementos do Moto Clube da Pontinha transportaram alguns utentes e funcionários no “dorso” dos seus motociclos, pondo os “penduras” de cabelo ao vento por alguns instantes.

 

Quer comentar a notícia que leu?