Nos dias 8 e 9 de outubro, o Mosteiro de Odivelas acolhe o Congresso Internacional “O rei D. Dinis nos 700 anos da sua morte”, que reúne investigadores de vários países para uma reflexão multidisciplinar acerca dos estudos realizados ao túmulo, espada e espólio funerário do rei D. Dinis (1261-1325).
Este congresso insere-se no programa comemorativo do Sétimo Centenário da morte do monarca, iniciado em janeiro de 2025 com a apresentação pública da reconstituição facial do soberano, resultado de investigação científica pioneira em Portugal.
A investigação multidisciplinar realizada ao túmulo de D. Dinis tem contribuído para novos conhecimentos históricos e científicos, com o congresso a promover um debate profundo, envolvendo áreas como arqueologia, antropologia, história da arte, conservação, restauro e entomologia. O evento organiza-se em cinco painéis e uma mesa-redonda final.
Marcam presença instituições estrangeiras prestigiadas, incluindo a Universidade de Girona, Universidade Autónoma de Barcelona, Universidade de Leicester, Universidade John Moores de Liverpool, assim como entidades do Património Nacional de Espanha, como a Armaria Real do Palácio Real de Madrid e responsáveis pelas Coleções Reais do Palácio Real de Madrid.
O congresso abordará também outras investigações significativas, nomeadamente a pesquisa antropológica e forense de Pedro III de Aragão, em Espanha, e a identificação dos restos mortais de Ricardo III, no Reino Unido, enquadrando a investigação sobre D. Dinis num movimento internacional que valoriza os vestígios materiais de figuras históricas ligadas ao poder real.
A sessão de abertura, às 9h30 do dia 8 de outubro, contará com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Odivelas, Hugo Martins, do Presidente do Conselho Diretivo do Património Cultural, I.P., João Soalheiro, e do Presidente do Conselho de Administração da Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E., Alexandre Pais.
O projeto de conservação e restauro do túmulo de D. Dinis teve início em 2016, por iniciativa da extinta Direção-Geral do Património Cultural, em parceria com a Câmara Municipal de Odivelas. A arca tumular foi aberta em 2019 no Mosteiro de Odivelas, local escolhido pelo monarca para ser sepultado.
Em 2022, foi descoberta a espada do rei, descoberta inesperada no âmbito da investigação. Em 28 de junho de 2023, o túmulo foi encerrado após uma operação cuidadosamente preparada, tendo os restos mortais sido colocados numa cápsula de acrílico, acompanhados por uma caixa com pequenos fragmentos ósseos para futuras pesquisas, evitando o descerramento da arca tumular.
O estudo forense desenvolvido foi pioneiro em Portugal, envolvendo uma equipa multidisciplinar com destaque para o Laboratório de Arqueociências do Património Cultural, I.P., e o Laboratório José de Figueiredo da Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E.
A reconstituição facial do rei D. Dinis, apresentada em 7 de janeiro de 2025, baseia-se nas investigações arqueológicas e antropológicas realizadas sob a coordenação científica da antropóloga Eugénia Cunha, da Universidade de Coimbra. Esta imagem é a primeira cientificamente fundamentada de um monarca português da primeira dinastia, retratando-o no final da sua vida.
Informações e inscrições para o congresso encontram-se disponíveis no site do Mosteiro de Odivelas e através do email inscrições.congresso@cm-odivelas.pt.




