Fernando Medina quer mais competências nas mãos das câmaras municipais. No dia em que tomou posse para o mandato 2017-2021, o presidente da Câmara de Lisboa diz que chegou tempo do Estado Central dar por terminado o dossier da descentralização.

“Há uma reforma política que é urgente concretizar que é a da descentralização da Administração Central”, afirmou Fernando Medina durante o discurso de tomada de posse como presidente eleito para a  Câmara Municipal de Lisboa, depois de vencer sem maioria absoluta as eleições de 1 de outubro.

Para o autarca, por exemplo, “não faz qualquer sentido uma escola do 2º e 3º ciclo dependa do Estado Central para uma pequena ou grande obra de manutenção ou de compra de equipamento”.

Fernando Medina aproveitou para agradecer a “confiança depositada” para presidir ao Conselho Metropolitano nos próximos quatro anos, sublinhando que “este é o tempo do Estado fechar o dossier da descentralização”.

O presidente da autarquia da capital considera prioritário “negociar com a Administração Central o plano estratégico de investimentos ao nível do transporte público”. Isto porque, muitos dos problemas que enfrentamos nas nossas cidades resultam do país ter falhado em algo fundamental: um sistema de transporte público à escala metropolitana que seja moderno, eficaz e acessível a todos”.

MEDIDAS

Perante uma Praça do Município com muitos convidados mas com pouco público a assistir, Fernando Medina apontou várias medidas para 2018.

Em primeiro lugar, a abertura do concurso de aquisição de trinta novos elétricos, que vão permitir a extensão do nº 15 até Santa Apolónia e a recuperação do nº 24 entre o Cais do Sodré e Campolide.

Outra aposta é o acesso a cuidados de saúde primários: “apresentaremos no primeiro semestre de 2018 o concurso para a construção dos primeiros seis centros de saúde de nova geração. Serão centros modernos, como meios de diagnóstico e terapia, capazes de assegurar cuidados de qualidade a todos”, disse.

O emprego também não ficou fora do discurso do socialista. “Até ao final do 1º trimestre de 2018 aprovaremos a unidade de projeto para a rápida ampliação das zonas de escritórios”, revelou, adiantado também que o novo executivo prestará “particular atenção à sustentabilidade do turismo da cidade”.

Para o presidente da Câmara de Lisboa, “o turismo deve ser compatível com a qualidade de vida dos residentes, com a qualidade das infraestruturas básicas, com o acesso à habitação”.

EM NEGOCIAÇÕES

Apesar de afirmar que o Partido Socialista “ganhou de novo a confiança para governar a cidade”, o facto é que Fernando Medina ainda procura acordos com a esquerda para governar a cidade nos próximos quatro anos.

Aos jornalistas, no final da cerimónia, o edil confirmou que continua “a dialogar, a ver se é possível estabelecer uma plataforma mais permanente de entendimentos ao longo do mandato, ou se esses entendimentos terão de ocorrer de forma mais pontual ao longo do mandato.”

Sobre o PCP, Medina lamentou que os comunista não se mostraram disponíveis “para um acordo mais permanente de governação da cidade”.

Já um acordo à direita está afastado do horizonte: “não é viável dadas as diferenças do programa e projetos político”.

POSSE

Para além de Fernando Medida, a presidente da Assembleia Municipal, Helena Roseta deu posse aos restantes 16 vereadores do executivo e aos 75 deputados da Assembleia Municipal.

O executivo socialista será composto por Fernando Medina (presidente), Duarte Cordeiro, Paula Marques, Manuel Salgado, João Paulo Saraiva, Catarina Vaz Pinto, José Sá Fernandes e Miguel Gaspar, mas ainda não são conhecidas as pastas que assumirão.

Pela Coligação Nossa Lisboa (CDS-PP/PPM/MPT) tomaram posse Assunção Cristas, João Gonçalves Pereira, Maria Zagalo e Miguel Moreira da Silva.

Pelo PSD, tomou posse Teresa Leal Coelho, que é reconduzida, e o estreante João Pedro Costa.

A CDU (coligação PCP/PEV) elegeu João Ferreira e Carlos Moura, enquanto o vereador do Bloco de Esquerda (BE) será Ricardo Robles.

Para além dos 51 deputados eleitos diretamente, foram também empossados os 24 presidentes das Juntas de Freguesia, que integram a assembleia por inerência: Jorge Marques (Ajuda), Davide Amado (Alcântara), André Caldas (Alvalade), Fernando Braancamp (Areeiro), Margarida Martins (Arroios), Ana Gaspar (Avenidas Novas), Silvino Correia (Beato), Fernando Ribeiro Rosa (Belém), Inês Drummond (Benfica), Pedro Cegonho (Campo de Ourique), André Couto (Campolide), Fábio Sousa (Carnide), Luís Newton (Estrela), Pedro Delgado Alves (Lumiar), José António Videira (Marvila), Carla Madeira (Misericórdia), Rute Lima (Olivais), Parque das Nações (Mário Patrício), Sofia Dias (Penha de França), Maria da Graça Ferreira (Santa Clara), Miguel Coelho (Santa Maria Maior), Vasco Morgado (Santo António), António Cardoso (São Domingos de Benfica), Natalina Moura (São Vicente).

Em breve, galeria imagens

O discurso de Fernando Medina

A cerimonia de instalação

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