Está tudo no papel no que diz respeito às regras do concurso das marchas de Lisboa até 2018, mas há ainda algumas dúvidas e contestação em relação às alterações introduzidas em fevereiro deste ano. 

A maioria das coletividades reuniram-se na Voz do Operário mas não houve fumo branco no final do encontro.

As alterações ao regulamento das Marchas Populares continuam a dar que falar. A grande maioria das coletividades participantes na edição de 2017 reuniram-se em setembro na Voz do Operário para debater e estudar a possibilidade de se alterar as novas regras, já definem o concurso de 2018, e que são determinadas pela Câmara Municipal de Lisboa, e não pela EGEAC, empresa municipal que organiza os desfiles.

Durante e no final deste encontro, nenhum elemento presente quis prestar qualquer declaração ao Olhares de Lisboa, mas sabemos que um dos pontos abordados foi a questão levantada pelas Marchas do Bairro Alto, Alcântara, Bica e Penha de França em relação à edição do passado mês de junho.

Estas quatro marchas utilizaram o mecanismo legal previsto no regulamento e apresentaram oposição escrita junto da EGEAC. Em causa estão as penalizações que sofreram no desfile no Meo Arena, consideradas despropositas, e que para as coletividades visadas, podem ter sido determinantes para o quadro de classificação final.

Nenhuma das marchas presentes nesta reunião na Voz do Operário quis adiantar qualquer decisão sobre esta matéria, remetendo qualquer declaração para a EGEAC, tendo também sido recusada qualquer captação de imagem do encontro.

Apenas Bruno Santos falou no início: “hoje é um dia histórico para as marchas de Lisboa”, disse o coordenador da Marcha de São Vicente. “Esta é a primeira vez que por iniciativa própria as marchas se reúnem”.

Publicado em fevereiro deste ano, o novo regulamento não poderá à partida ser alterado antes da edição de junho do próximo ano.

Uma das principais novidades é o facto de “cada freguesia apenas pode ser representada por uma marcha”. Contudo, garante-se a participação das marchas que se candidataram nas últimas cinco edições.

Alguns responsáveis das entidades organizadoras já comentaram que este ponto poderá criar alguma polémica, até porque algumas da marchas da mesma freguesia são rivais de longa data, sendo pouco plausível qualquer fusão.

Em entrevista ao Olhares de Lisboa, publicada em junho, Pedro Franco, presidente da Associação de Coletividades do Concelho de Lisboa tinha já sublinhado que “são muitas as críticas das coletividades ao regulamento das marchas, mas são as próprias coletividades que definem e aprovam esse mesmo regulamento”.

Pedro Franco adiantou ainda que, embora os organizadores e participantes das marchas mostrarem nunca estar satisfeitos com as regras, nas reuniões, os autores dessas críticas “nunca colocam questões de fundo”, isto é, “dizem sempre mal do júri e do regulamento mas nunca apresentam propostas concretas”.

ALFAMA DOMINA

A Marcha de Alfama foi a grande vencedora das Marchas Populares de Lisboa de 2017. Pelo segundo ano consecutivo, o desfile organizado pelo Centro Cultural Dr. Magalhães Lima conquistou a preferência dos jurados, remetendo as marchas do Bairro Alto e da Madragoa para o segundo e terceiro lugar, respetivamente.

A 85ª edição das Marchas Populares de Lisboa, voltou a encher de público a Avenida da Liberdade. Para além das 20 marchas a concurso, mais três participaram extra-concurso: a Marcha Infantil “A Voz do Operário”, a Marcha dos Mercados e a Marcha da Santa Casa (uma estreia no evento).

A desfilar na Avenida da Liberdade até aos Restauradores, houve ainda mais três agrupamentos convidados: a Marcha do Bairro dos Anjos, de Leiria, a Marcha da Rua da Cabine, de Quarteira, e a Marcha Verde Gaio de Lordosa, de Viseu.

Como habitual, os Noivos de Santo António também tiveram direito a desfilar pela avenida.

As marchas em competição foram avaliadas com uma pontuação entre 0 a 20 valores, tanto na exibição no  Meo Areno, como no desfile na Avenida da Liberdade.

As categorias sujeitas a avaliação são a Coreografia, a Cenografia, o Figurino, a Melhor Letra, a Musicalidade, a Melhor Composição Original e o Desfile da Avenida.

Ponto a ponto

Marcha de Alfama – 247

Marcha do Bairro Alto – 237

Marcha da Madragoa – 236

Alcântara – 232

Bica – 229

Carnide – 223

Graça – 219

Castelo – 209

São Vicente – 208

10º
Penha de França – 205

10º

Mouraria – 205

12º

Ajuda – 202

13º

Olivais – 200

14º

Bela Flor | Campolide – 195

15º

Marvila – 191

16º

Campo de Ourique – 181

17º

Belém – 180

17º

Alto do Pina – 180

19º

Benfica – 170

20º

Santa Engrácia – 163

Por categoria…

Melhor Coreografia

Madragoa

Melhor Cenografia

Carnide

Melhor Figurino

Alfama

Melhor Musicalidade

Alfama

Melhor Letra

Bica

 

Melhor Composição Original

“Piratas on the Rock” | Marcha da Bela Flor – Campolide

Melhor Desfile da Avenida

Bairro Alto

E os jurados foram…

Presidente do Júri

Pedro Santos Franco

Apreciação da Coreografia

André Teodósio

Apreciação da Cenografia

Ana Pérez-Quiroga

Apreciação do Figurino

José António Tenente

Apreciação da Letra

Jorge Fernando

Apreciação da Música

Carlos Mendes

Apreciação Global

Marta Sobreira e Paulina Santos

VEJA AQUI O REGULAMENTO APROVADO PARA AS MARCHAS POPULARES DE LISBOA 2018

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