Ópera com participação do público e entrada livre. Regresso do Teatro Praga. Fritz Lang com música ao vivo. Até Dezembro, a sala lisboeta recebe 19 espetáculos para assinalar o  seu 125º aniversário.Um palco que sobrevive à história. O Teatro São Luiz completa 125 anos de existência, no mês de maio. Pisaram as tábuas figuras históricas do mundo inteiro, das marionetas, ao cinema mudo, da música pop, à dança.

Aliás, a vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, Catarina Vaz Pinto,fez questão de realçar que o “magnífico programa” de aniversário, “revela quão importante é o São Luiz como teatro da cidade”, salientando “a ideia de participação e envolvimento das várias comunidades artísticas, e esta ideia de trazer cada vez mais público ao teatro e envolver os cidadãos na fruição e construção dos espetáculos é uma marca do nosso tempo”.

O Teatro São Luis começou por ser da rainha, Dona Amélia, depois passou para a Republica, foi São Luiz Cine e já nos anos 70 transformou-se em municipal. Na mesma rua da sede nacional da PIDE, na António Maria Cardoso, o Teatro São Luiz atravessou todos os grande momentos da história recente do país, salvou-se de um incêndio, foi remodelado, transformado, adaptado, criado, um sobrevivente, é a pergunta para a atual diretora artística Aida Tavares, um sobrevivente, que passou por muito mas que hoje mantém um brilho de uma programação constante e reconhecível.

A 22 de maio, dia da abertura do Teatro Dona Amélia, o agora Teatro Municipal São Luiz vai fazer a mesma opereta que abriu o Teatro Jacques Offenbach com a “Filha do Tambor Mor”, uma ideia que passa pelos jovens que assumem o futuro e a memória do passado. A Cantar vão estar jovens cantores das escolas de música de Castelo Branco, ou de Aveiro ou do Porto, o estudo da opereta fez parte do programa curricular, os técnicos também vão ser alunos que vão ajudar a encenação de António Pires e a orquestra vai ser a clássica da Orquestra Metropolitana de Lisboa que engloba professores e alunos.

O Teatro São Luiz não foi lugar de conspiração contra o anterior regime, até porque tinha uma traça aristocrática, mas a censura também usou ali o lápis azul, em momentos que marcaram a vida do teatro. O programa da marca dos 125 anos do teatro São Luiz percorre vários momentos também das últimas programações, um longo programa para ver com detalhe, mas podemos agora mesmo sublinhar o primeiro de todos já amanhã, espetáculo guiado, uma ideia encomendada a André Murraças para fazer uma espécie de visita guiada, onde encontra muita gente, incluindo as duas irmãs fantasmas que «vivem mesmo no Teatro São Luiz».

Para todos os gostos

Esta é a ponta do icebergue de uma programação em que cada proposta se relaciona com os 125 anos de História do São Luiz. Desde logo, a partir de Espectáculo Guiado, concebido por André Murraças, numa recuperação de evidentes marcos da sala, e que tanto recupera a actuação de José Cid no primeiro Festival RTP da Canção a cores (‘addio, adieu, auf wiedersehen, goodbye’ há-de ecoar a partir deste sábado pelo teatro) em 1980, à última vez que a coreógrafa e bailarina alemã Pina Bausch dançou publicamente Café Müller, em 2008. Passando também pelo episódio da récita única de A Voz Humana que Maria Barroso levou a palco em 1966, travada nessa noite (que seria a sua despedida como actriz) pela PIDE.

A Voz Humana, de Jean Cocteau, regressará agora à cena na Sala Bernardo Sassetti de 20 a 24 de Novembro, num espectáculo de Lúcia Lemos, João Paulo Santos e Vasco Araújo. A proximidade física do São Luiz e da sede da PIDE estará fatalmente presente na Ocupação que Joana Craveiro e o seu Teatro do Vestido farão do Teatro São Luiz, entre 24 e 30 de Abril, numa série de apresentações que partem de uma reflexão sobre “o papel do teatro na resistência antifascista”, segundo explicou Aida Tavares. Antes, entre 1 e 7 de Abril, Joana Craveiro dirige ainda um espectáculo dirigido às crianças com um título que é já bem revelador do seu conteúdo: Era Uma Vez Um País Assim: Contar Bem Contadas a Ditadura e a Revolução.

A divulgação do programa começou pouco depois das 11 da manhã, com jornalistas e convidados concentrados no átrio do teatro, onde de repente surgiu o ator Francisco Goulão, de fraque, para executar um excerto de “Espetáculo Guiado”, precisamente a proposta que dá arranque ao programa dos 125 anos. “Espetáculo Guiado” é uma criação de André Murraças, estreada em junho do ano passado, então protagonizada por Vítor d’Andrade, e consiste num percurso por vários espaços do São Luiz. Terá apresentações neste fim de semana, dias 9 e 10, e reposição a 13 e 14 de abril.

Marcaram presença Catarina Vaz Pinto, vereadora da Cultura de Lisboa; Joana Gomes Cardoso, presidente da EGEAC (empresa municipal de cultura, que tutela o São Luiz) ; e vários artistas que irão apresentar-se ali nos próximos meses. Os jornalistas foram convidados a subir ao palco, com Aida Tavares como anfitriã, ao lado de Joaquim René, diretor executivo.

Programação

Quer comentar?

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.