CÂMARA DE LISBOA VAI MANTER TELETRABALHO

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A oferta da habitação a custos acessíveis, aposta no teletrabalho e manter o investimento no transporte público, são algumas das prioridades da Câmara de Lisboa que, entretanto, criou 30 empregos para pessoas mais vulneráveis.

O presidente da Câmara de Lisboa admitiu que poderá ser possível continuar a optar-se pelo teletrabalho após a pandemia de covid-19 para trabalhadores da autarquia que o considerem uma vantagem, porque – segundo Fernando Medina – «isto é daquelas coisas boas que pode vir para ficar».

O autarca avançou ontem que a possibilidade de teletrabalho passará a estar sempre disponível para um conjunto de trabalhadores da autarquia quando se demonstra uma «vantagem clara para ambos». «Acho que já são claros para todos os benefícios que este método pode trazer», admitiu Fernando Medina numa discussão por videoconferência, promovida pela Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), sobre o impacto da pandemia de covid-19 na vida das cidades.

Para Fernando Medina, o teletrabalho pode ser feito de diferentes formas, como por exemplo, ser adotado uma vez por semana, e reforçou que, pela sua experiência, «em muitas circunstâncias, as videoconferências têm-se demonstrado tão ou mais produtivas do que reuniões presenciais», poupando tempo em deslocações e facilitando a marcação de reuniões «para juntar pessoas de origens diferentes».

Todavia, como fez questão de ressalvar, «é necessário conseguir passar por um período de experiência de teletrabalho com as crianças na escola», admitindo que a experiência atual não é «tão perfeita quanto isso» e não funciona para todos os trabalhadores».

Na perspetiva de Fernando Medina, o regresso à normalidade, depois de encontrada uma vacina ou um tratamento para a covid-19, não deverá ser um regresso à véspera da pandemia, defendendo: «talvez pior do que termos uma pandemia era sairmos da pandemia com uma pandemia com níveis de poluição ainda mais elevados e níveis de congestionamento mais elevados, riscos para a nossa saúde e uma perda da qualidade de vida ainda mais acentuada do que aquela que tínhamos antes».





Por isso, a estratégia da Câmara de Lisboa vai passar por «acelerar o esforço relativamente à oferta da habitação a custos acessíveis para os jovens e para as classes médias, de modo a que mais pessoas vivam na cidade, apostar no teletrabalho, continuar a investir no transporte público, bem como priorizar toda a ação no aumento da rede ciclável».

Para Fernando Medina, «a agenda verde é um grande ativo para nós sairmos melhor desta situação de pandemia».

Sobre a quebra do turismo, um dos setores que estava em pleno desenvolvimento na capital, o edil sublinhou que, neste momento, «é um setor que enfrenta níveis de incerteza mais elevado»., defendendo que a situação é delicada para vários operadores lisboetas numa altura que as empresas estavam a investir «num mercado em expansão e que enfrentam agora uma situação abrupta nunca vivida».

Relativamente à realização da edição deste ano da cimeira tecnológica Web Summit, prevista decorrer entre os dias 02 e 05 de novembro no Parque das Nações, Fernando Medina disse que ainda não foi tomada uma decisão.

Trinta novos empregos

Entretanto, o gabinete do vereador Manuel Grilo, dos Direitos Sociais, informou que a Câmara Municipal de Lisboa conseguiu encontrar emprego para cerca de 30 pessoas consideradas «vulneráveis», nomeadamente a pessoas em situação de sem-abrigo, com deficiência ou imigrantes.

Estes empregos foram conseguidos através do programa RedEmprega, que junta a APEA – Associação Portuguesa de Emprego Apoiado e a Fundação Aga Khan Portugal, e tem como objetivo «reforçar a resposta de empregabilidade para pessoas vulneráveis na cidade», apoiando a inclusão no mercado de trabalho de pessoas e promovendo a inclusão social.

Segundo os dados fornecido por Manuel Grilo, no período compreendido entre o mês de fevereiro e o dia 24 de abril, receberam acompanhamento, através deste programa, 157 pessoas. Na sua maioria imigrantes (79 pessoas), o projeto acompanhou ainda 18 pessoas com deficiência, 17 com doenças mentais, sete com historial de consumo de substâncias e quatro sem abrigo, entre outras.

Deste universo, 46 pessoas foram a entrevistas de emprego, tendo 26 delas conseguido um trabalho a termo incerto ou a termo certo. Dezasseis imigrantes, duas pessoas com doença mental, outras duas sem abrigo, entre outras pessoas, têm agora «uma possibilidade de autonomização», disse o vereador à Lusa, garantindo que estas pessoas terão «acompanhamento social no pré e pós emprego para que a resposta perdure no tempo».

De salientar que estes empregos foram garantidos em plena pandemia da covid-19, uma época em que a perda de emprego se tornou um dos «vários desafios a que temos de dar resposta», designadamente entre «os públicos mais vulneráveis que são os primeiros a sentir este impacto».

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