O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, deu as boas-vindas a Greta Thunberg, a adolescente ambientalista que tem colocado os poderosos deste mundo em sentido e que hoje, por volta das 13 horas, atracou na doca de Santo Amaro, em Lisboa.Greta Thunberg, que disse estar feliz por regressar à Europa, prometeu não parar de lutar contra as alterações climáticas e deixou um alerta: «Todos têm de fazer a sua parte, no sentido certo. Para mudar, precisamos de todos». No mesmo sentido, foi o discurso de Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa, que voltou a dizer de forma muito clara que ela é bem-vinda a Lisboa, que é uma cidade que está empenhada na mesma luta.

A cara mais jovem dos movimentos mundiais de combate às alterações climáticas, a adolescente sueca de 16 anos Greta Thunberg, desembarcou esta manhã na doca de Santo Amaro, em Alcântara. À sua espera tinha o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina e deputados de quase todos os partidos com assento parlamentar, exceptuando o CDS, Chega e Iniciativa Liberal, responsáveis de associações relacionados com a defesa do clima.

A jovem ambientalista Greta Thunberg, ao contrário do que tem sido noticiado, vai passar uns dias em Lisboa para descansar. «Vou ficar em Lisboa alguns dias, tenho estado isolada, preciso de descansar, de me organizar para saber o que se passa e depois irei para Madrid», onde participará na grande manifestação pelo clima marcada para a capital espanhola. O Natal será passado na Suécia, com a família, mas a jovem não revelou como será feita a viagem.

A adolescente sueca, símbolo mundial da luta pela preservação do planeta, viajou dos EUA para a Europa a bordo do catamarã La Vagabonde, para evitar os aviões e a sua forte carga poluente.

No entanto, na conferência de imprensa em Lisboa, admitiu que é impossível que o seu exemplo seja seguido por todos. «Não estou a viajar assim para que todos o façam. Estou a viajar assim como símbolo», declarou, sublinhando que ela e os outros ativistas pelo clima não vão parar. «’vamos continuar a nossa luta. Vamos fazer todos os possíveis para viajar pelo mundo de forma a pressionar os responsáveis para colocarem esta luta em primeiro plano».

A ativista sueca, de 16 anos, começou por agradecer o acolhimento na capital portuguesa e a ajuda da tripulação do catamarã “La Vagabonde” ao longo da difícil travessia no Atlântico. «Estou muito grata pela viagem que fiz, pela experiência, e é, ao mesmo tempo, para mim uma honra ter chegado a esta linda Lisboa. Por isso, quero agradecer também esta receção, afirmou Greta.

Garantindo que irá alertar na Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (COP25), em Madrid, para a necessidade de se fazer mais em prol do Planeta, a jovem ativista prometeu que irá lutar sempre para que as vozes do presente e do futuro sejam ouvidas: «Estamos a exigir que os responsáveis políticos ouçam a ciência. Enfrentamos uma emergência climática e precisamos de abordar este problema do ponto de vista global para assegurar que garantimos condições de vida para o futuro, não só para nós, mas para os nossos filhos, netos, e para todos os que vão viver na Terra. Todos têm que fazer a sua parte, no sentido certo. Para mudar, precisamos de todos».

Miúdos zangados

Lamentando que «as pessoas subestimem a força dos miúdos zangados», Greta Thunberg defendeu que essa postura se justifica por uma «boa causa» para que as preocupações dos mais jovens sejam ouvidas. «Há quem diga que a COP25 não vai dar em nada. Talvez, mas isso não é razão para não tentarmos fazer o possível para atingir os resultados.»

Na perspetiva da ativista sueca, os jovens têm de pedir aos dirigentes mundiais que «ouçam os cientistas e os especialistas que tem defendido a tomada de medidas concretas no combate às alterações climáticas».

A adolescente sueca, numa referência direta a Donald Trump e a Jair Bolsonaro, que tem lançado «farpas envenenadas» ao movimento liderado por Greta Thunberg, salientou que «quando os poderosos nos criticam é sinal de que a nossa luta está a ter resultados muito positivos»

No discurso de boas vindas, o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, afirmou que a cidade está de «portas abertas» para receber a ativista sueca Greta Thunberg, que vai ficar uns dias em Lisboa.

«Ela é muito bem-vinda na cidade de Lisboa. É uma cidade que está de portas abertas e de braços abertos para a receber», disse o autarca na doca de Santo Amaro, Lisboa, tendo salientado que é um «gosto grande» que a ativista tenha escolhido passar por Lisboa antes de partir para a Cimeira do Clima em Madrid.

Fernando Medina considerou, «de uma forma inequívoca», que a adolescente sueca é a grande protagonista das lutas em defesa do meio ambiente, apesar de ser alvo de «muita crítica e de muita incompreensão».

Fernando Medina deu também os parabéns pela liderança que Greta tem tido na batalha mais decisiva das nossas vidas, o combate às alterações climáticas. «É um prazer ter-te em Lisboa, entre nós, sendo tu uma das vozes mais notáveis na luta contra as alterações climáticas», afirmou o autarca. O presidente da câmara de Lisboa revelou também as medidas que a cidade está a fazer em termos ambientais, sendo no próximo ano a Capital Verde Europeia 2020. Mas admitiu que é preciso ir mais além: «Temos consciência de que temos que fazer mais, ações imediatas e concretas», acrescentou.

Fernando Medina transmitiu à ativista que a consciência que existe «é a de que o mundo, no seu global, não está neste momento, com uma estratégia de vencer as alterações climáticas», conforme alertou António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas.

«Temos de fazer mais, mais rápido, porque se não o fizermos corremos o risco de entrar numa situação incontrolável», concluiu o autarca.

Fernando Medina, recorde-se, tem sido um dos políticos portugueses que tem assumido, ao longo dos seus mandatos à frente da Câmara de Lisboa, várias medidas que, aos poucos e poucos, tem contribuído para diminuir a «pegada» ambiental da capital portuguesa.

Greta Thunberg cruzou o Atlântico de barco para participar numa cimeira prévia da ONU em Nova Iorque (convocada pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, em setembro passado) e na COP25 no Chile, mas a alteração inesperada do local obrigou-a a voltar a embarcar, desta vez num catamarã, para fazer a viagem ao contrário e chegar a tempo a Madrid, sem ter de apanhar um avião, e com passagem por Lisboa.

Entretanto, o ministro do Ambiente, João Pedro Matos, em carta enviada à ativista que esta só recebeu à chegada a Lisboa, salientou: «Bem-vinda a Portugal, o primeiro país do mundo a assumir a meta de atingir a neutralidade carbónica em 2050».

Na carta, o ministro destaca os avanços feitos em Portugal, referindo que «54% do consumo de eletricidade no nosso país provém de fontes renováveis e que estão em curso projetos para encerrar as duas centrais a carvão, a do Pego e Sines».

Na carta o ministro salienta: «em 2030, teremos reduzido as nossas emissões em 50% e 47% de todo o consumo de energia virá de fontes renováveis», lembrando à ativista sueca que Portugal «não tem energia nuclear».

Cimeira de Madrid

A COP25, que arrancou segunda-feira e termina em 13 de dezembro em Madrid, depois de o Chile ter anunciado que renunciava à sua organização, devido a um movimento de contestação social sem precedentes no país.

Principal rosto do movimento global pró-clima, a jovem sueca saiu a 13 de novembro de Hampton, no estado de Virgínia (EUA), onde tinha estado a participar na Cimeira do Clima de Nova Iorque e onde havia chegado também a bordo de um veleiro. A ideia era que depois, além da visita ao Canadá, descesse a costa oeste norte-americana rumo a Santiago do Chile, para onde estava prevista a COP-25, a Cimeira do Clima. No entanto, o local do encontro foi alterado para Madrid, capital espanhola, devido à convulsão social e política que se vive no Chile.

Uma «guerra» que veio para ficar

A história da jovem adolescente sueca começou a 20 de agosto de 2018, quando Greta Thunberg, então com 15 anos e a iniciar a frequência do 9.º ano de escolaridade, decidiu fazer greve às aulas até às eleições legislativas de 9 de setembro (o ano escolar sueco), em sinal de protesto contra a inação do governo sueco face às alterações climáticas.

Em vez de ir às aulas, Greta passou os dias seguintes frente ao parlamento sueco com um cartaz onde se lia «Skolstrejk för klimatet, o que traduzido para português significa: «Greve às aulas pelo clima». Chegado o dia 9 de setembro, Greta anunciou nova forma de luta: não queria comprometer a sua educação, mas não desistiria da luta: passaria a fazer greve pelo clima todas as sextas-feiras. O carácter inédito da iniciativa levou a que tivesse alguma divulgação, mas houve quem pensasse que a determinação da rapariga fraquejaria logo. Hoje, passado um ano, a luta da adolescente sueca ultrapassou fronteiras e incomoda muitos «poderosos mundiais», nomeadamente os presidentes brasileiro e americano que a consideram uma «perigosa ativista» pelas causas ambientais.

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