As festas de Lisboa não se vão realizar na data tradicional, podendo ser adiadas para outubro ou setembro. As coletividades com marchas populares só têm uma certeza: vão ser ressarcidas do dinheiro que já investiram nas marchas.O adiamento ou cancelamento das Festas de Lisboa e, consequentemente, do concurso das Marchas Populares esteve em cima da mesa, desde que a pandemia de covid-19 atingiu em larga escala a Europa e outros continentes. Este mês, com o aumento brutal de casos em Portugal e no resto do mundo, existe já uma certeza: as festas não se vão realizar em junho, podendo ser adiadas ou, pura e simplesmente, canceladas.

A decisão final tem estado a ser adiada, enquanto não se conhecer a evolução da pandemia, afirmou a Olhares de Lisboa um assessor da Câmara Municipal de Lisboa

Por seu turno, Pedro Franco, da Associação de Coletividades do Concelho de Lisboa, defende que «as festas de Lisboa e as marchas populares devem ser adiadas para o próximo ano», lembrando que, «mesmo que esta situação do Covid-19 esteja resolvida, não existem condições para realizar as marchas em junho, até porque não tem sido realizado ensaios».

Contudo, como lembra a Associação de Coletividades, o presidente da Câmara de Lisboa já deu resposta a uma das questões que preocupava as coletividades: o pagamento das despesas já efetuadas.

João Ramos, do «Movimento Marchas Unidas», confirma: «o presidente da Câmara de Lisboa já assumiu a posição de pagar os acordos que estão firmados com as coletividades. Por isso, essa questão é uma não questão». Independentemente disso. João Ramos considera, a Câmara só deve pagar as despesas entretanto realizadas, desde que estejam devidamente comprovadas».

Segundo esse responsável associativo, «ainda é cedo para se tomar uma posição sobre o adiamento ou cancelamento das festas. Perante essa possibilidade, João Ramos afirma: «as marchas populares estão disponíveis para fazer as apresentações em qualquer altura».

Todavia, como João Ramos reconhece: «nenhum de nós tem a noção do que vai acontecer. Ainda é cedo para tomarmos uma posição». Mas, mesmo assim, faz questão de salientar que «existe disponibilidade das ‘marchas populares’ de participarem nas festas de Lisboa, seja em que mês for».

A mesma posição é assumida pela marcha do Alto Pina que já informou «as restantes colectividades que se encontra disponível para cooperar com a Câmara Municipal de Lisboa e com a EGEAC – Empresa de Gestão e Equipamentos e Animação Cultural, em qualquer momento que o Município solicite.»

Segundo Pedro Jesus, presidente da Assembleia Geral do Ginásio do Alto Pina, «caso o panorama melhore, as Festas de Lisboa têm condições para ainda se realizarem este ano.

Aliás, na perspetiva deste responsável, caso as festas se realizem este ano, «poder-se-ia encarar a hipótese de as efetuar em outubro, 21 anos passados sobre a morte de Amália Rodrigues que, como é do conhecimento geral, era o tema das festas de Lisboa de 2020». Essa ideia, da autoria de Paulo Julião, tem sido «anunciada» através das redes sociais.

«As Festas de Lisboa e as Marchas Populares são o momento de maior alegria e de exaltação da cidade», por isso defende: «achamos que as marchas devem realizar-se este ano, mesmo que seja em setembro».

Por seu turno, a EGEAC confirmou a Olhares de Lisboa que a «Câmara Municipal de Lisboa continua a analisar a situação (adiamento ou cancelamento) face ao desenvolvimento da pandemia de Covid-19».

Concurso das sardinhas

 Entretanto, a EGEAC decidiu prolongar por mais um mês o Concurso Sardinhas Festas de Lisboa’20. Assim, em tempo de quarentena, que podemos e devemos ficar em casa, a EGEAC prolongou até 30 de abril este concurso, aconselhando os participantes a «aproveitarem a sala, o quarto, o escritório e até mesmo a cozinha ou a despensa lá de casa para desenhar uma sardinha. A liberdade para criar é total, não há um tema e não há desculpas: Desenha uma sardinha. Sem espinhas!… em casa».

Tiago_Galo_ 2016

Nesta 10.ª edição vamos distinguir 10 sardinhas e desta vez as vencedoras serão eleitas pelo artista plástico Ricardo Ramos (que assina como Xico Gaivota e tem desenvolvido obras com lixo recolhido nas praias), pela radialista e apresentadora de televisão Inês Lopes Gonçalves e pelo escritor, realizador, ilustrador e músico Afonso Cruz que se juntam a Jorge Silva (o Pai da Sardinha) para eleger os vencedores do concurso geral.

Os vencedores recebem um prémio no valor de 1.500€.