JÁ ESTÁ A FUNCIONAR HOSPITAL DE CAMPANHA NA CIDADE UNIVERSITÁRIA

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Hospital de campanha aberto na Cidade Universitária, em Lisboa. Pode receber até 58 doentes. Nesta primeira fase, o novo hospital de campanha vai receber doentes ligeiros ou em recuperação da Covid-19. Os primeiros dez doentes chegaram este sábado à unidade.

O hospital de campanha montado no Estádio Universitário de Lisboa começou a receber os primeiros doentes este sábado de manhã. Segundo António Diniz, coordenador da Estrutura Hospitalar de Contingência de Lisboa, já recebeu os primeiros doentes. No entanto, nas últimas horas foi necessário acertar escalas, devido ao facto de alguns dos profissionais mobilizados terem ficado, entretanto em isolamento. «Não são assim tão poucos, foram cerca de uma dezena, o que mostra a situação em que estamos», refere.

Uma das dificuldades na organização da estrutura de apoio aos hospitais da região, instalada desde março na cidade universitária e que agora foi ativado, tem sido precisamente a mobilização de profissionais. O corpo inclui enfermeiros dos centros de saúde, médicos de família e internos de medicina geral e familiar e médicos hospitalares, que coordenarão cada uma das equipas que vai garantir os turnos sete dias por semana, 24 horas por dia.

A unidade vai ajudar a gerir a pressão crescente sobre os hospitais da região, explica António Diniz, recebendo doentes estabilizados, mas que não reúnem ainda condições para ter alta clínica. «São doentes estabilizados, que já não têm critérios de gravidade que impliquem que fiquem numa unidade tão diferenciada como um hospital, mas não podem ter ainda alta clínica. Nessas situações, o hospital pede a transferência e os doentes poderão terminar o seu tratamento nesta estrutura e depois ter alta. Em princípio teremos os doentes connosco quatro ou cinco dias, não mais tempo», adianta.

«A partir de hoje (sábado), recebemos 10 doentes provenientes de hospitais da região de Lisboa. Amanhã, receberemos mais dez doentes e, durante a próxima semana, iremos receber doentes, até atingir a lotação máxima de 58 semanas», adiantou António Diniz, acrescentando que este fim de semana será ainda de teste para perceber como funciona toda a estrutura e equipas em ambiente real. «Temos de perceber se funciona tudo bem, mesmo a parte dos sistemas informáticos. A partir daí iremos encher, em função dos pedidos dos hospitais, até chegar à capacidade máxima do pavilhão que são 58 camas», explica o coordenador.

Face à situação epidemiológica, ao mesmo tempo que entra em funcionamento a primeira estrutura, está já a ser preparada a abertura de um segundo pavilhão, revela António Diniz. «Precisamos de 15 dias para que fique completamente operacional, tal como está este. Vamos ver se temos esse tempo», revela.





“Animados mas cansados”

A organização das equipas tem sido a preocupação nas últimas semanas. António Diniz explica que para ter as 58 camas com doentes são necessários 20 enfermeiros, 19 médicos, 15 assistentes operacionais e dois a três assistentes administrativos.

Os colegas vêm de várias unidades da região e António Diniz sublinha que os turnos no hospital de campanha serão um esforço adicional além do serviço habitual e ao mesmo tempo implicará também mais trabalho para os colegas que ficam nas respetivas unidades.

Segundo o coordenador desta estrutura, todos os profissionais «estão animados, mas estão cansados», salientando que é «um grande esforço que está a ser pedido a todos».

De acordo com o médico, este hospital de campanha vai aliviar a pressão nos hospitais de referência, mantendo sob vigilância doentes que ainda não podem ter alta e regressar a casa.

«A situação nos hospitais, nomeadamente em Lisboa, está a tornar-se muito complicada ou mesmo de rutura. Nesse sentido, esta estrutura foi desenhada para poder receber doentes provenientes do hospital que apresentem ainda alguma alteração, mas que não tenham gravidade suficiente para ficar numa unidade tão diferenciada como as dessas unidades hospitalares, mas que, por outro lado, ainda não têm condições de ter alta clínica», explicou António Diniz.

«Este é o grande objetivo: ao libertarmos um doente com essas características – que ainda fica aqui quatro ou cinco dias -, a verdade é que libertamos uma cama nos hospitais por quatro ou cinco dias, onde pode entrar outra pessoa que tenha critérios de maior gravidade», frisou.

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