Lisboa abriu hoje os dois primeiros centros de rastreio. Mas, a Grande Lisboa vai ter 20 centros de rastreio e 35 áreas de diagnóstico em centros de saúde. Em breve, poderão ser realizados até 2.500 testes por dia para despistar infeções.

A cidade de Lisboa inaugurou esta segunda-feira, 23 de março, os dois primeiros centros de rastreio no combate ao surto do coronavírus. As instalações ficam localizadas na Escola Básica Quinta dos Frades, no Lumiar, com capacidade para realizar entre 300 e 400 testes e um centro de rastreio móvel instalado no parque de estacionamento no Parque das Nações, junto à Rua Vitorino Magalhães Godinho, com possibilidade de realizar 150 análises diárias, podendo este número aumentar de acordo com as necessidades.

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, que se encontrava acompanhado pelo presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, Luís Pisco, esteve na abertura destas duas novas unidades de saúde, fazendo questão de confirmar que, «apenas as pessoas com prescrição médica vão ser atendidas nestes centros». Fernando Medina explicou o «protocolo de acesso»: «só por indicação médica e por marcação, as pessoas são encaminhadas para estes centros. Depois de feita a recolha e as análises, nos casos em que se confirme que o resultado é negativo mantêm-se as regras de isolamento social, mas, quando o resultado for positivo, os doentes são encaminhados para unidades hospitalares».

O autarca lisboeta, após referir que estes centros vão permitir uma resposta à pandemia do coronavírus, revelou que «a Câmara está a trabalhar com a Universidade de Lisboa, nomeadamente com a Faculdade de Farmácia, para se conseguir realizar 700 análises por dia».

Estes dois centros complementam os restantes existentes na AML e inserem-se na rede de 10 unidades, a serem instaladas nos concelhos da Área Metropolitana de Lisboa, no âmbito da rede partilhada de recursos entre os seus 18 municípios, revelou Fernando Medina.

«Vamos procurar instalar, em toda a AML, 10 unidades de rastreio e de diagnostico do vírus. Já temos duas programadas em Cascais e vamos trabalhar em conjunto para que, no global da AML, haja uma cobertura para responder às necessidades do serviço de saúde, dos cidadãos, para providenciar os meios de diagnóstico e de triagem aos nossos munícipes, e fazendo isto em conjunto de forma integrada para aproveitar os nossos recursos», afirmou o presidente da Câmara de Lisboa e também da AML.

«Estes centros terão instalações próprias, zonas de bom acesso, funcionarão com pré-marcação, sempre com indicação médica e funcionarão para o coletivo da Área Metropolitana de Lisboa», acrescentou Fernando Medina.

«São centros novos, vão ser criados ao longo dos próximos dias. Onde, com marcação e sempre por indicação médica e do sistema de saúde, poderá ser feito o diagnóstico e uma primeira triagem», afirmou.

«Este sistema ajuda muito o serviço de saúde, a sinalizar casos positivos, a confinar contactos dessas pessoas, e decidir se terá tratamento em casa ou se precisa de intervenção hospitalar».

O presidente da Câmara de Lisboa aproveitou a ocasião para criticar atitudes de grupos de pessoas que se juntam em espaços públicos para conviver. «Essas pessoas, essencialmente jovens, além de colocarem em risco a sua própria saúde, estão a contribuir para a proliferação da pandemia», alerta.

Fernando Medina, após elogiar os milhares trabalhadores da edilidade que, diariamente, andam na rua a «contribuir para o combate à pandemia», apresentou, ainda, um conjunto de medidas de segunda linha que estão a ser tomadas pela autarquia para ajudar a minimizar os riscos de contágio, nomeadamente a criação de centros para alojamento e fornecimentos aos sem-abrigo, criação da rede solidária para as pessoas se inscreverem como voluntárias. Neste momento, essa rede já conta com 400 voluntários que vão dar apoio na distribuição de alimentação a sem-abrigo, a famílias mais carenciadas e a idosos, divulgou Fernando Medina.

Mais 35 centros de rastreio

Por seu turno, o presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), Luís Pisco, anunciou a abertura de 35 áreas de diagnóstico da Covid-19, dentro de centros de saúde e de unidades familiares, como forma de complemento à rede hospitalar. Estes centros irão ter uma área exclusiva para o atendimento aos utentes com sintomas provocados pelo novo coronavírus.

«Até aqui a luta tem sido, basicamente, travada pelos hospitais. Face ao número de casos que irão surgir, os cuidados de saúde primários terão um papel muito mais relevante», afirmou o presidente da ARSLVT, em declarações à TSF.

«Vão abrir locais específicos, em centros de saúde, para atender doentes suspeitos – iremos separar as pessoas com queixas respiratórias de todas as outras queixas. Irão abrir na região 35 dessas áreas de diagnóstico», adiantou Luís Pisco que defendeu: «com estas medidas estamos a contribuir para minimizar os riscos de contágio».

O mapa com a rede das Áreas de Diagnóstico Covid-19 será divulgado em breve.