LOURES APROVA MAIOR ORÇAMENTO DE SEMPRE

A Câmara de Loures aprovou, por maioria, o orçamento para 2022 no valor de 190 milhões de euros, o maior da história do município com prioridades na área da Saúde, Educação e Acessibilidades. No entanto, a CDU considera que este documento é pouco credível e perigoso, adiando importantes e urgentes investimentos.

O novo orçamento e as Grandes Opções do Plano (2022/2026) da Câmara Municipal de Loures foram aprovados em reunião do executivo, liderado por Ricardo Leão, com os votos favoráveis do PS e PSD, abstenção da CDU e contra do eleito do Chega. Durante a apresentação do documento, Ricardo Leão ressalvou que este orçamento «foi desenhado num contexto ainda muito marcado pela atual conjuntura pandémica, não refletindo na plenitude as nossas opções, prioridades de investimento, que segue um caminho alternativo ao anterior executivo».

O autarca explicou que o orçamento do município de Loures para 2022 vai ter um valor de 190 milhões de euros, o que representa um aumento de 14 milhões face ao de 2021, com uma receita corrente prevista de 155 milhões de euros e despesa corrente de 125 milhões, dando conta também que o município «pretende propor durante o primeiro trimestre uma proposta para a contração de um empréstimo bancário que permita a realização de alguns investimentos.

Em traços gerais, o autarca socialista explicou que o orçamento prevê fazer face a despesas extraordinárias (15 milhões), que «condicionam as opções de investimento», nomeadamente apoios ao comércio local, à empresa Intermunicipal de Águas e Resíduos (SIMAR), às empresas municipais GesLoures (equipamentos desportivos) e da Loures Parque (estacionamento) e também no apoio à realização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

Na Saúde, o orçamento prevê verbas para reforçar o processo de vacinação e para a construção de centros de Saúde nas localidades de Santa Iria da Azoia, Catujal, Santo Antão do Tojal, Camarate e Bobadela.

Já na área da Educação destaca-se a alocação de verbas para a realização de intervenções em equipamentos escolares, nomeadamente nas escolas básicas da Flamenga (Santo António dos Cavaleiros), na n. º 3 de Sacavém, n. º 3 de Unhos e no pavilhão João Villaret (Loures).





Nesta área prevê-se ainda o lançamento de concursos para intervenção em escolas secundárias do concelho, nomeadamente a Maria Veleda (Santo António dos Cavaleiros), Gaspar Correia (Portela), Camarate, José Afonso (Loures) e Santa Iria da Azoia e a construção de nova escola Básica e Jardim de Infância da Portela da Azoia (São João da Talha).

A área das Acessibilidades é outra das prioridades deste orçamento, que prevê verbas para a conclusão da rotunda de Á-das-Lebres e o lançamento dos projetos para a ligação de Sacavém à 2.º circular, da saída da A1 em São João da Talha e para a construção das variantes de Loures e Bucelas.

No anúncio das linhas gerais do orçamento, Ricardo Leão salientou ainda que, na área da Segurança, pretende dar início ao processo de instalação de videovigilância e ao reforço dos efetivos da polícia municipal, sublinhando que passarão a efetuar um policiamento de proximidade, em articulação com a PSP.

Durante a discussão do documento, que durou cerca de cinco horas, o eleito do Chega, Bruno Nunes, o primeiro a intervir, justificou o voto contra com o facto que se tratar de «um orçamento de continuidade e de refletir a lógica de mais estado e menos privado».

CDU aponta falhas

Já os eleitos da CDU, apesar de não pretenderem «obstaculizar a aprovação do documento», que agora será agora apreciado e votado pela Assembleia Municipal de Loures, consideram que «o Orçamento apresentado por PS e PSD é pouco credível e perigoso, adiando importantes e urgentes investimentos, contendo um empolamento da receita na ordem dos 19 milhões de euros e com cerca de 45 milhões de em “verbas a definir”, ou seja, verbas que ainda não estão garantidas».

Para a CDU, este «é um Orçamento que demonstra que o PS tem duas faces, pois apesar de ser o maior orçamento de sempre da Câmara Municipal, as promessas eleitorais avançadas pelo PS na campanha eleitoral, como o desportajamento da CREL, da A8 ou extensão dos elétricos rápidos não têm qualquer expressão orçamental e outras promessas como a saída da A1 em São João da Talha, a ligação de Sacavém à 2ª Circular, entre outras, não têm perspetiva de concretização».

Do ponto de vista dos comunistas, este é um orçamento que «passa ao lado de importantes problemas, não prevendo verbas ou ações para a resolução de projetos como a extensão do Metro, a concretização do Plano Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas, os investimentos em Parques Verdes, na requalificação de espaços públicos, no Centro Cultural de Loures, Escolas, Habitação e Rede Viária, entre outras».

O executivo de Loures é composto por quatro eleitos do PS, incluindo o presidente, quatro da CDU, dois do PSD e um do Chega. O PS e o PSD estabeleceram um acordo para garantir a estabilidade governativa da Câmara Municipal, ganha em setembro do ano passado pelo socialista Ricardo Leão sem maioria absoluta.

Quer comentar a notícia que leu?