Há cinco anos, um dos mercados mais antigos de Lisboa, o Mercado de Campo de Ourique,  foi completamente renovado.

Com influências no mercado San Miguel, em Madrid, o Mercado de Campo de Ourique combina modernidade e tradição. Por um lado, oferece o peixe, a carne e os legumes do dia e, por outro, um conceito gourmet, com várias lojas especializadas onde se podem escolher os produtos para levar ou para preparar e comer no momento.

Inaugurado em 1934 e remodelado em 2013, o «novo» Mercado de Campo de Ourique – segundo Frederico Lebre, administrador da empresa concessionária da nova zona de restauração – conseguiu combinar conceitos inovadores na área da restauração com a tradição dos clássicos mercados de bairro ao oferecer duas vertentes: o peixe, a carne e os legumes do dia e, por outro lado, os restaurantes que confecionam as refeições com os ingredientes frescos que ali encontram.

Em 2013, após concurso público lançado pela CML, a nova zona de restauração abriu com toda a pompa e circunstância. Notícias em jornais e na TV, artigos em muitos blogs de restauração, muito “word-of-mouth”, porque a promessa de se tornar algo do género do Mercado de San Miguel, em Madrid, era muito aliciante, principalmente para um target mais jovem e urbano. Hoje, passados 5 anos, pode-se afirmar: «ganhou a aposta e, anualmente, é visitado por cerca de dois milhões de utentes, 30 por cento dos quais são turistas».A primeira coisa que se pode dizer é que, a nível arquitetónico, há ali um trabalho muito interessante. Porque, mais do que a nova zona de restauração, tudo o resto está muito bem recuperado e organizado. Os comerciantes que ali estavam há uma “vida inteira” podem agora voltar a vender mas em bancas muito mais contemporâneas.As opções são muitas e, entre as lojas e as bancas de frutas e legumes, peixaria e talho há espaços especializados em sushi, hambúrgueres, pastelaria, massas, pizzas, carne, vinhos e até cocktails. No Mercado de Campo de Ourique é possível desfrutar de uma refeição completa e comprar, ainda, os ingredientes necessários para confecionar um almoço/jantar.

Diogo Sousa Coutinho foi o empresário que acreditou nas grandes potencialidades de juntar a tradição de um mercado de bairro e os novos conceitos de restauração. Aliou-se à Central de Cervejas e aos cafés Tofa e meteu mãos à obra, implementando um novo conceito de exploração dos mercados de bairro, revitalizando um espaço que caminhava, a passos largos, para a falência, num mercado de sucesso que, de certa forma, trouxe nova vida ao comércio e aos habitantes do bairro de Campo de Ourique.

O administrador Frederico Lebre é peremptório: «o nosso sucesso cresce com o sucesso dos feirantes. Este espaço estava sem vida. Investimos 800 mil euros (350 mil euros estavam consignados no caderno de encargos) para dar uma nova vida ao mercado e ao bairro de Campo de Ourique. Optamos por privilegiar a especialização dos comerciantes em áreas. Desta forma, conseguimos atingir, anualmente, os 2 milhões de utentes deste espaço».

Do ponto de vista de Frederico Lebre, o sucesso deste Mercado também se deve ao facto de a administração ter «optado por manter as características bairrista desta zona residencial de Lisboa». Só assim, o mercado conseguiu recuperar antigos clientes e criar novos utentes, mudando também «o estilo e a forma de vida» em Campo de Ourique e beneficiando, também, o comércio local que começou a ser visitado por milhares de pessoas.

Melhoramentos

No entanto, como explica Frederico Lebre, é necessário continuar nesta senda de desenvolvimento e, por isso, «vamos continuar a dinamizar, vamos avançar com a manutenção das fachadas, vamos fazer alterações a nível de design e temos, ainda, um projeto inovador para uma loja, numa das esquinas».

«Podemos sublinhar – adianta o administrador – que este é um caso de sucesso de integração e de interação entre populares, comerciantes, e público de diversas idades e extratos sociais».Por último, Frederico Lebre, sublinha: «o mercado de Campo de Ourique é um mercado eclético, em que a tradição e a sofisticação trabalham em conjunto para dar a conhecer os grandes prazeres dos sabores e cultura».

Aliás, como refere, uma das grandes apostas da administração deste espaço passa pela realização de eventos culturais: concertos, exposições de pintura e fotografia e certames especializados de gastronomia, vinhos e cerveja.

Hoje, o mercado de Campo de Ourique é já um ponto de encontro de lisboetas e estrangeiros que conjuga na perfeição a receita tradicional portuguesa com as vantagens dos tempos modernos.

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Leia e descarregue a edição: OLHARES DE LISBOA Nº 5

 

 

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