PARQUE DOS POETAS: O MAIOR MUSEU AO AR LIVRE DE ARTE ESCULTÓRICA DA EUROPA

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Idealizado há 20 anos, o maior parque urbano do concelho de Oeiras, o Parque dos Poetas, é fruto do sonho de Isaltino Morais que, agora, o pretende ligar à antiga Estação Agronómica. Mas essa é uma ambição para os próximos anos. O Parque dos Poetas é um museu ao ar livre da arte escultórica. O único em Portugal e o maior da Europa. Aqui, paisagismo e escultura incorporam a poesia.

Um poeta, um escultor e um político uniram-se em torno de um sonho comum. Os paisagistas deram-lhe corpo e nome – Parque dos Poetas. Nasceram poemas, jardins, lagos, muros e alamedas; as árvores cresceram e acolheram os poetas. Com uma área de 22,5 hectares, no Parque dos Poetas estão representados 60 poetas: 50 portugueses e 10 de países ou territórios de expressão portuguesa.

Foi um projeto da Câmara Municipal de Oeiras, sonhado por Isaltino Morais, que fez nascer o Parque dos Poetas. O tecido empresarial do concelho envolveu-se no seu desenvolvimento colaborando com a câmara municipal na concretização do parque, doando algumas das esculturas, investindo em peças de arte e uma parte contribuindo na construção propriamente dita de todo o parque. A ideia inicial foi concebida pelo poeta e escritor David Mourão-Ferreira e pelo escultor Francisco Simões, aos quais se juntou o paisagista Francisco Caldeira Cabral e a arquiteta Elsa Severino com a sua equipa.

Após dezoitos anos da inauguração da primeira fase em 2003. Seguiram-se outras importantes datas, 2013 e 2015, relacionadas com a abertura da segunda e terceira fases, completando-se assim um parque com 22 hectares de área, que antes, era um campo agrícola abandonado.

David Mourão-Ferreira (falecido em1996) lançou a primeira semente de ‘uma alameda dos poetas’ e os paisagistas ‘transformam-na’ em Parque dos Poetas, com uma forte componente paisagística e botânica. Desde a sua génese, aqui se cruzaram várias artes: a poesia, a botânica e a escultura, mas também a música, o teatro e a dança, pois o jardim é a grande síntese.

Ladeada por pequenos jardins temáticos com as esculturas e as respetivas homenagens a poetas da língua portuguesa, a Alameda dos Poetas é o percurso central do parque, onde se caminha sobre lajes com poemas.




A poesia tem autores e o parque acolhe-os em jardins, marcados pela diversidade de épocas e estilos; as esculturas retratam os poetas e a vegetação estabelece o diálogo entre as várias artes e a ciência botânica. Encontram-se aqui as esculturas de: Álvaro Carneiro, Álvaro Raposo de França, António Matos, António Vidigal, Armindo Alípio Pinto, Carlos Marreiros, Clara Menéres, Cristina Ataíde, Dódo das Máscaras, Fernando Conduto, Flávio Miranda, Francisco Brennand, Francisco Menezes, Francisco Simões, Graça Costa Cabral, Gonçalo Bastos, Hélder Coelho Batista, Irene Vilar, João Antero, João Cutileiro, João Jorge Duarte, João Oom, José Aurélio, José João Brito, José Rodrigues, Lagoa Henriques, Laranjeira Santos, Leão Lopes, Luísa Perienes, Mário Cravo Júnior, Moisés Preto Paulo, Pedro Cabrita Reis, Pedro Campos Rosado, Rui Matos, Susana Piteira e Zulmiro de Carvalho.

Da alameda do parque, nos seus mil metros de extensão, somos convocados para a poesia de língua portuguesa dos séculos XII ao XX; 20 poetas portugueses do século XX constituem o âmago da 1ª fase do parque, inaugurada em 2003; a sul deste planalto, descobrimos outros 30 poetas, do século XII aos finais do século XIX, do trovadorismo ao romantismo, incluindo os períodos do neoclassicismo, do barroco e do renascimento.

Luís de Camões está largamente representado em poemas gravados na pedra; a Gruta e a Ilha dos Amores no grande lago, a sul do parque, evocam o grande poeta português (a reabilitação e restauro da mãe d´água pombalina possibilitou a alimentação deste lago e do riacho a montante). A ‘flora d´Os Lusíadas’ cresce nos jardins do poeta, numa importante relação entre literatura e botânica.

Os poetas do século XX, além de Camões e as catorze ninfas do imaginário de Os Lusíadas, são da autoria do escultor Francisco Simões.

Os restantes poetas dos séculos XIII ao XIX foram representados por trinta e cinco escultoras e escultores. Peças de expressão abstrata ou figurativa, transmitem a essência do poeta, mas também a sensibilidade do artista.

O Templo da Poesia

A par dos jardins dos poetas, surgem espaços de recreio e lazer destinados a todas as faixas etárias, procurando conjugar os aspetos físicos da paisagem com a sua potencialidade de composição. O ponto mais singular, orograficamente falando, é o designado Alto do Puxa Feixe, local do ‘Templo da Poesia’, o farol cultural do parque, assim como o mirante sobre a foz do Tejo e respetivo labirinto. A tradição clássica e a modernidade arquitetónica aproximam-se geográfica e temporalmente.

O Teatro

Dois anfiteatros existem no parque para a celebração de espetáculos ao ar livre, ou apenas como locais de meditação e descanso. O de maior dimensão localiza-se na 1ª fase, junto ao estádio municipal e à fonte cibernética, permitindo grandes eventos. O anfiteatro Almeida Garrett, de menor capacidade, está vocacionado para peças mais intimistas e situa-se na meia-encosta junto aos poetas do barroco e do romântico.

Chama-se Obelisco do Templo e é o novo monumento no Parque dos Poetas. O presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, inaugurou a obra de Júlio Quaresma no dia 25 de abril.

Homenagem aos autores

Para homenagear todos os que contribuíram para a existência do Parque dos Poetas, sobretudo os poetas, escultores, mecenas, os construtores e os fabricantes, foi colocado um obelisco, repleto de simbolismo. A altura, 1759 centímetros, remete para a data de constituição do concelho por carta régia (1759), assim como a base, com 1759 milímetros. A mesma base tem cinco degraus, que correspondem às cinco freguesias atuais do concelho.

A luz, os materiais e a cor representam os valores do concelho; e a luz projetada para o céu indica os caminhos futuros. Já a pedra dura de granito garante eternidade, figurando a força, a resiliência e a durabilidade. O vermelho da pedra significa ainda paixão e energia.

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